Choque cultural e preconceito isolam alunos africanos Fonte Revista Africas

Choque cultural e preconceito isolam alunos africanos

17/05/2012 por Da Redação

Unesp debate racismo e xenofobia para diminuir distância cultural entre os alunos

Por Willian Oliveira

Foto: Daniel Barreto / Fonte Araraquara.com

Alunos africanos que participam do debate “África, racismo e xenofobia”, promovido pela Unesp de Araraquara, dizem sentir um distanciamento entre estrangeiros e brasileiros. “Muito do que ocorre com a gente é desconhecido da comunidade acadêmica. Muitas vezes nos sentimos isolados”, desabafa Daniel Soares Cassamam, da Guiné-Bissau, estudante de mestrado em Sociologia.

Em abril, o muro da Unesp foi pichado com a frase “sem cotas para os animais da África”. A manifestação racista despertou uma série de debates no câmpus. Os africanos associam as dificuldades de relacionamento com os brasileiros ao choque cultural entre as nações. Porém, o preconceito também é apontado como uma barreira a ser vencida.

O evento, que começou ontem e estende-se até sábado, promove uma série de discussões com pesquisadores e estudantes de diversos países da África. Todos os participantes concordam que a interação entre as culturas aproxima as pessoas.

“No início, eu senti esse distanciamento e procurei vencer esse estranhamento por etapas. Fui me integrando aos poucos e esse distanciamento foi se diluindo, mas, ainda assim, você tem um certo receio em determinadas situações”, pontua Carlos Jorge Dias do Rosário, estudante de Ciências Econômicas, natural de Cabo Verde. Manifestação despertou interesse pelo tema

O antropólogo Dagoberto José Fonseca avalia que a repercussão do caso de racismo no câmpus da Unesp despertou o interesse dos alunos pelo tema na universidade. Segundo ele, o debate dessa semana é mais um passo para a desconstrução do caráter racista que, em sua avaliação, ainda está implícita na cultura do povo brasileiro.

Pichação racista é investigada

A manifestação de racismo pichada em um dos muros da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara (FCL) está sendo investigada pela Polícia Civil, desde que o caso foi denunciado por estudantes africanos.

O Ministério Público foi notificado pela própria universidade e, no dia 20 do mês passado, abriu um inquérito civil para apurar as denúncias. As investigações têm como objetivo encontrar o autor — ou autores — da inscrição “sem cotas para os animais da África”.

Dez alunos africanos registraram boletim de ocorrência no caso que ganhou repercussão nacional. Na Unesp, há 26 alunos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Congo.

 

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O racismo que atinge o negro Brasileiro, vem como mais força para imigrantes africanos e até mesmo haitianos,é uma agressão sistémica cujo o Brasil insiste em negar, agressões psicológicas e físicas, fora a questão da imagem ridicularizante que o continente africano ainda carrega no Brasil, sim a falta de informação também causa isso

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