Quem nunca se sentiu tentado a fazer uma compra por impulso? Diante dos apelos do consumo, fica difícil não ceder à vontade de adquirir certos produtos ou serviços. Para algumas pessoas, quando se trata de dinheiro, razão e emoção travam um duelo que pode resultar em uma bola de neve de dívidas. Para evitar isso, é preciso lançar mão de um método mais racional e objetivo: a inteligência financeira. É o que explica a consultora Elaine Toledo, autora da disciplina de Educação Financeira para o Ensino Médio e palestrante de finanças pessoais.

Quem nunca se sentiu tentado a fazer uma compra por impulso? Diante dos apelos do consumo, fica difícil não ceder à vontade de adquirir certos produtos ou serviços. Para algumas pessoas, quando se trata de dinheiro, razão e emoção travam um duelo que pode resultar em uma bola de neve de dívidas. Para evitar isso, é preciso lançar mão de um método mais racional e objetivo: a inteligência financeira. É o que explica a consultora Elaine Toledo, autora da disciplina de Educação Financeira para o Ensino Médio e palestrante de finanças pessoais.

 

O que é inteligência financeira?
Inteligência financeira nada mais é do que multiplicar os recursos existentes, agindo com equilíbrio entre razão e emoção, assumindo o poder que cada um possui de escolher, adquirindo novas informações e conhecimentos e desenvolvendo sua criatividade para transformar recursos. Também é saber eliminar gastos desnecessários, evitando desperdícios e o uso de crédito indevidamente, buscando a razão para evitar compras desnecessárias feitas por impulso.

 

Como as emoções influenciam nossa maneira de lidar com o dinheiro?
O ser humano é dotado de razão e emoção. O tempo todo a razão e a emoção estão presentes na nossa forma de agir e pensar. Mas, o equilíbrio entre estas duas forças, que nos movem ou nos paralisam, nem sempre acontece. Existem situações em que estamos 100% suscetíveis às emoções. São momentos em que, por algum desconforto, precisamos de satisfação em curto prazo. Nestes momentos, temos uma forte tendência em buscar esta satisfação imediata nas compras e acabamos atuando por impulso. As compras por impulso, por serem 100% emocionais, ou seja, sem interferência da razão, acabam sendo compras desnecessárias. Nem sempre é algo de que gostamos e acabamos, muitas vezes, nem usando. Outro agravante é que compramos algo que talvez não pudéssemos pagar no momento, mas a necessidade de satisfação é tão grande que fazemos de conta que não sabemos disso e nos permitimos o prazer da aquisição.

Somente quando recebemos a fatura do cartão de crédito, ou mesmo o extrato bancário, é que a razão retorna e ficamos desesperados com o “rombo” causado. Surge, então, um período de contenção para poder pagar a dívida contraída, mas isso só até o próximo desconforto e a próxima necessidade de satisfação. Isso é o que chamamos o ciclo do gastador. Enquanto não aprendermos a identificar nossas emoções para trazer a razão à tona nestes momentos, entraremos no ciclo do gastador e comprometeremos nosso orçamento.

 

Existe alguma forma de descobrir qual o nosso perfil emocional em relação ao dinheiro?

Basta observar sua vida financeira e como você se relaciona com o dinheiro. Por exemplo: se você tem uma vida financeira saudável, sem dívidas, e ainda consegue poupar todo mês para realizar sonhos, provavelmente você tem o perfil do equilibrado. Sabe o que quer e tem controle de suas emoções para não sair do seu planejamento. Provavelmente para você dinheiro é um meio de troca que possibilita que você atinja seus objetivos.

Se você não tem dívidas, mas não consegue poupar nunca e gasta tudo que recebe, provavelmente você é mais emocional. Reserva uma quantia para poupar, mas não resiste ao apelo de um sobrinho que pede uma bicicleta ou àquela liquidação de sapatos, mesmo tendo sapatos que nunca usou no armário. Ou, ainda, à ida a um restaurante caro só para desfrutar da companhia de algum amigo. E aí os planos de poupar ficam para o próximo mês. Provavelmente, para você, dinheiro é “feito para gastar e mais vale um gosto do que dinheiro no bolso”. Gosta de agradar e se permite gastar dentro dos seus limites. Falta, agora, desenvolver o hábito de planejar e poupar para o futuro, ao invés de viver só o presente.

Se você vive uma situação de endividamento constante e o limite do cheque especial já faz parte de sua receita, você precisa dar uma grande atenção ao seu emocional. O que você tenta compensar através das compras? Por que você não consegue sair do ciclo do gastador? Que emoção liga o botãozinho de alerta que repete o tempo todo: “preciso comprar, preciso comprar, preciso comprar?” Será que você não está se posicionando como vítima, achando que está nesta situação porque ganha pouco, ou porque os juros do banco são muito altos, ou porque fulano não te emprestou dinheiro para pagar aquela prestação atrasada? O gastador-vítima sabe que não tem condições de gastar, mas a necessidade de satisfação fala mais alto, até para não entrar em depressão. Depois, ele acaba não assumindo a responsabilidade no processo de endividamento, transferindo-a para os outros. Você só conseguirá equilibrar seu orçamento na hora em que tiver controle sobre suas emoções.

Em paralelo à busca de caminhos para sair do endividamento, pode ser necessário procurar também ajuda emocional. Provavelmente, para você, todos os seus problemas se resolveriam se tivesse mais dinheiro. Problemas financeiros não se resolvem com dinheiro, mas com inteligência financeira.

 

Que hábitos a pessoa precisa desenvolver para lidar de maneira saudável com o dinheiro?
Em primeiro lugar, devemos ter consciência de que dinheiro é elemento de troca. Quem é responsável pelas trocas feitas com esse dinheiro somos nós. A nossa vida financeira é um reflexo de como somos. É preciso procurar fazer suas escolhas valorizando o esforço que fez para ter este dinheiro. Existe um ditado que diz que “quem não administra tostão nunca chega a milhão”. Precisamos aprender a administrar pequenas quantias, se quisermos um dia administrar grandes quantias. Fazer um orçamento mensal para registrar receitas e despesas e qual a sua real situação financeira é uma boa idéia. Com este controle, dá para saber quanto se tem para investir ou poupar, ou quanto é preciso enxugar para sair do cheque especial. Ou, então, quanto tempo precisamos para equilibrar as finanças antes de fazer novos gastos.

Devem-se evitar compras a prazo e dar preferência a pagamentos à vista com desconto, negociar sempre antes de comprar e não ter vergonha de pechinchar. Compras com cartão de crédito, só se for possível quitar o saldo total no vencimento. Outro cuidado com cartão de crédito é com relação às compras parceladas sem juros. Com juros, nem pensar! Sempre que for às compras, faça uma lista do que realmente está necessitando. Isso não é só para supermercado, mas para qualquer tipo de compra. Evite todo e qualquer tipo de desperdício: luz, água, telefone, alimentação, até mesmo no uso de papel ou cartucho de impressoras.

 

Qual a importância da educação financeira nesse processo?
Com educação financeira conseguiremos, daqui a algum tempo, ter pessoas com uma nova atitude, uma nova visão e novos sentimentos com relação ao dinheiro. Hoje, muitas pessoas estão em situações financeiras delicadas por pura falta de informação e de noções básicas para administrar seus recursos financeiros. E, como todo processo educativo, a Educação Financeira também requer aprendizado contínuo. Nunca poderemos dizer que sabemos tudo nesse assunto, pois a economia tem mudanças diárias, que nos exigem acompanhamento constante do que está acontecendo. Um exemplo disso é o investimento. Há algum tempo atrás, comprar dólares era um ótimo investimento, hoje não é mais. Portanto, se não atualizarmos nosso aprendizado, poderemos fazer escolhas equivocadas.

 

Como deve ser feito o planejamento financeiro da família?
Em primeiro lugar, deve ser feito em família. Pode-se até eleger um membro da família com mais disponibilidade ou facilidade para fazer os controles, mas as decisões e a conscientização da real situação financeira deve ser sempre familiar. Mesmo que os filhos sejam pequenos, devem participar do que eles conseguem entender, por exemplo: o motivo pelo qual neste mês não irão ao Playcenter ou como podem administrar melhor sua mesada. Todos devem estar comprometidos com o orçamento por uma meta em comum.

É importante que os gastos sejam colocados em uma planilha e que todos, ao final do mês, analisem esses gastos. A análise consiste em se definir, dentro do contexto desta família, o que é prioridade, o que pode ser ajustado e o que deve ser eliminado do orçamento.

Também não devem se comparar com outras famílias ou pessoas. Se o vizinho mudou de carro ou pintou a casa, não temos que fazer o mesmo. Planejamento financeiro não envolve somente números numa planilha, mas muito mais do que isso: envolve a vida das pessoas que fazem parte desta família e as decisões tomadas refletirão na vida de todos; portanto, ao fazer um planejamento financeiro familiar, não leve em conta apenas os números, mas o que realmente poderá trazer bem-estar e harmonia para todos.

 

No processo de organização das finanças de uma família, nem sempre é possível separar dinheiro para poupança ou investimentos…
Sempre é possível, desde que este orçamento já esteja equilibrado. Por exemplo: se houver um endividamento, a prioridade deve ser a quitação das dívidas. É preciso estancar a cobrança de juros, para depois pensar em poupar e investir. Deve-se, em primeiro lugar, concentrar todos os esforços para quitar as dívidas. Costumamos fazer o contrário: pagamos todas as contas e se sobrar, poupamos. É importante que haja uma disciplina para poder poupar e investir todo mês uma quantia, porém sempre com uma meta traçada para este dinheiro. Vamos poupar para investir e multiplicar o dinheiro para quê? O que queremos conquistar com esse recurso? Quanto tempo precisaremos poupar para atingir esta meta? Se isso não estiver claro, não haverá motivação para uma disciplina mensal. Conseqüentemente, acabamos gastando e não poupando.

Hoje, o cenário financeiro nos permite planejar investimentos de longo prazo para garantir uma velhice com conforto e dignidade. Isto é possível através dos planos de Previdência Privada. Se iniciada ainda na juventude, com uma quantia muito pequena por mês, esta iniciativa garantirá um futuro mais tranqüilo. Previdência Privada também pode ser feita para uma criança desde o nascimento, garantindo os recursos necessários para pagar a faculdade quando ela chegar aos dezoito anos.Tudo fica mais fácil e estável quando planejado com antecedência.

 

Se a meta é adquirir um carro, um imóvel ou viajar, com quanto tempo de antecedência o planejamento deve começar a ser feito?
É preciso analisar alguns fatores: Qual o valor do que se deseja? Quanto já possuo disponível? Quanto eu tenho condições de poupar por mês? Qual o rendimento mensal do investimento (em percentual) em que irei aplicar o dinheiro mensalmente? Qual a taxa de inflação anual? Qual a alíquota do Imposto de Renda que incide sobre os rendimentos do valor investido? De posse destas informações, é possível fazer uma simulação através de uma calculadora financeira, como a que está disponível no site www.financenter.com.br. Vale a pena fazer várias simulações para ajudar no planejamento.

 

Que dicas você dá para quem está endividado e deseja reorganizar as finanças?

Em primeiro lugar, ter um orçamento real de todas as receitas e despesas. É comum quem está endividado fugir dos números reais. Sem enxergar a real situação, não dá para decidir o que deve ser feito.Tome coragem, faça um levantamento completo de tudo o que deve, sem medo. Encare a realidade se quiser resolver a situação. Depois que tiver consciente da situação real, trace prioridades de negociação, levando em conta os débitos onde incidem juros mais altos. Envolva toda a família no processo para sair do endividamento.

Também é necessário ser mais racional na hora das compras. Lembrar que aquele dinheiro veio de um esforço de trabalho e deve ser utilizado com inteligência financeira. Para isto, antes de efetuar a compra, traga sua razão à tona se perguntando: “Eu realmente preciso disto agora?” Contenha-se ao apelo das liquidações, evite usar cheque especial e cartões de crédito, que são verdadeiros facilitadores para comprar o que não precisamos com o dinheiro que não temos. Compras, somente à vista. É interessante procurar, em família, uma opção de novas fontes de renda: revenda de cosméticos, aulas de reforço escolar, artesanato e outras atividades complementares. É importante que cada um descubra o que é possível fazer para ajudar nesta fase. E tudo vai depender da intensidade de sua vontade de gerar a energia necessária para conseguir fazer o que precisa ser feito. É preciso pensar positivo: você pode, você é capaz e você vai conseguir.

 

 

 

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