Dia internacional da Mulher. Poderíamos comemorar as conquistas das mulheres nos espaços de poder e decisão política, as chefes de estado, as chefes de família, as guerreiras que matam um leão por dia para sustentar e preservar sua família. Mas é impossível. A cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de violência neste país. Parte dessa realidade, apontada na pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2006), é possível perceber nos veículos de comunicação da Bahia.

Um levantamento realizado pelo Instituto Mídia Étnica em parceria com o CEAFRO nos três principais jornais impressos do estado, de 01 de janeiro de 2009 a 20 de fevereiro de 2010, revelou cerca de 1200 notícias publicadas de violência contra a mulher: física e psicológica, discriminação no mercado de trabalho e assédio moral. Destas, 192 sofreram agressões de seus companheiros. Estas mulheres do noticiário - e milhões de outras não noticiadas - estão à mercê da crueldade de homens que violam seu corpo, sua alma, ferem sua carne, tiram-lhe a dignidade, a vida. São espancadas, agredidas verbal e psicologicamente, estupradas, ameaçadas, exploradas sexualmente. São assassinadas.

A falta de atendimento médico que faz mulheres parirem na rua e morrerem na fila do hospital; a discriminação que sofre pelo trabalho que têm; a hostilização da qual é alvo pela forma de se vestir ou dançar; a criminalidade a qual é atribuída na decisão do aborto; a agressão à seus filhos e filhas também são violências cometidas pelo Estado e pela sociedade que estão documentadas nos jornais todos os dias. Basta ler este impresso, ou ligar a televisão por 15 minutos, ou acessar qualquer site de notícias. Ainda assim, muitos casos não têm a repercussão merecida.

8 de março é o dia de utilizar a “atenção” que nos é dada para denunciar o que o machismo, o sexismo e a lesbofobia faz conosco e exigir o devido respeito ao nosso corpo e intelecto, assim como fizeram as mulheres na Vigília das Águas, numa ação pelo fim da violência, e na iniciativa do Março Mulher, com a promoção de ações direcionadas durante o mês. No restante do ano, ainda que poucos se lembrem, continuaremos na nossa batalha, um dia de cada vez.

Ivana Dorali, Jornalista. Graduanda em Direito. Coordenadora de Jornalismo e Conteúdo do Instituto Mídia Étnica.

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Comentário de Sérgio Cumino em 10 março 2010 às 10:55
Postei um comentário quanto à divulgação da vigília promovida aqui nessa rede “O ato contra a violência é um começo de um tratamento, de uma doença social, um câncer que vem consumindo cada esquina de nossas cidades. Cometer um ato de violência, contra outra pessoa, sobretudo contra mulheres e crianças, é o retrato de uma sociedade, que perde sua identidade cultural, ética, e espiritual.” De fato dia 8 de março nasceu de um ato de indignação, e continua sendo uma data emblemática para se protestar contra muitos atos vergonhosos que abatem as mulheres. É reflexo dessa sociedade nos velhos moldes patriarcais gera barbárie, uma prova que temos de rever os valores mais profundos, as estatísticas que demonstra revelam verdadeiros genocídios, tão brutal quanto às operárias, mortas queimadas na fabrica de tecelagem, que originou a data do dia internacional da Mulher. De fato temos muito que mudar, no âmbito coletivo, e individual, como disse no meu artigo se faz urgente mudarmos nosso olhar para mulher. Se há algo a se comemorar, sim há, mas há muito mais para se mudar. Seu artigo Ivada é uma importande ação para que se mude. Obrigado
Comentário de Edi Nega em 10 março 2010 às 9:02
Bom dia Elias, está havendo algum engano, o meu comentário foi pra Ivana, por não saber muito bem lidar com isso ele deve ter sido atribuído a vc, mil perdões. Para evitar + problemas vou excluir o comentário e só volto a fazer quando realmente aprender. Um abraço irmão e + uma vez me desculpe
Comentário de Elias em 9 março 2010 às 23:27
Minha linda , se tiver referindo a mim , sou do sexo masculino, casado a uns 27 anos pai de três lindos filhos, no culto sou iniciado de Aganju raiz Engenho Velho neto de vó Caetana ,(Mãe de Air)
Me sinto lisonjeado por meu pensamentos as vezes. ser bem singular obrigado por nos comunicarmos, Vou postar outra fato, um grande Bj.
Comentário de Elias em 9 março 2010 às 20:27
Irmã , a ciência quantica vem mostrado que o eixo do universo, esta mudando de posição, estamos caminhando para uma ascensão, o que esta levando a isso é justamente mulheres de muita coragem, lutando se organizando para fazer valer esta energia feminina, estamos com varias mulheres em diversas posições na política, órgão publico e civis eu garanto que as guerreiras da vigília das aguas também contribuíram para somar com esta energia que esta subindo cada ano mais. uma grande abraço
Comentário de denice fatima batista em 9 março 2010 às 18:47
vana,parabens pelo artigo.sao por mulheres com vc que estamos ganhando voz e vez,nesta nossa luta por igualdade,neste paiz onde reina o desleixo e a impunidade.um grande abraço!
Comentário de wilma em 9 março 2010 às 16:27
A existencia de problemas não pode nos toldar os olhos para o muito que já foi construído, e muito menos o que já foi construído, pode server de desculpa para a inercia dos nossos atos. Vamos comemorar as conquistas e continuar buscando esse leão um de cada vez que seja para matá-lo pois se assim não o fizermos de nada valeu o sacrificio de muitas e a lutas de tantas outras.
Comentário de Paulo Rogério em 9 março 2010 às 14:43
Ivana, parabéns pelo artigo. Sua reflexão mostra a importância da vigilância cotidiana de todos nós (ativistas, governo, escolas, etc.) em relação a essa violação sistemática dos direitos das mulheres..Um grande abraço!

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