BA: Bando de Teatro Olodum fará leitura dramática em Rio dos Macacos

 

Companhia teatral associa-se a luta dos quilombolas em defesa do território

 

Para chama a atenção da sociedade para as violações sofridas pela comunidade quilombola de Rio dos Macacos, próximo a Simões Filho (BA), o Bando de Teatro Olodum realizará neste domingo, dia 08 de julho, às 10h, uma leitura dramática do espetáculo Candaces, a Reconstrução do Fogo, montagem premiada do diretor Márcio Meirelles, encenada pela Companhia Comuns, do Rio de Janeiro. Por meio da exaltação da força da mulher negra, o texto ressalta mitos e símbolos da ancestralidade africana no Brasil. A história de resistência das guerreiras candaces pode ser associada à luta da comunidade quilombola pela dignidade e em defesa do seu território.   A apresentação contará com a participação da cantora Márcia Short e da professora Ivete Sacramento, ex-reitora da UNEB.

A comunidade formada por 50 famílias negras sofre constantemente pela ameaça de despejo por parte da Marinha do Brasil, que se considera proprietária das terras habitadas pelos moradores há mais de um século. São diversos os relatos de agressão, ameaças, impedimento de circulação e invasão de domicílios. “O Artigo 68 da Constituição de 1988 e o Decreto 4887/2003, garantem os direitos da ocupação secular da Comunidade”, explica a socióloga e Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra na Bahia, Vilma Reis. “A Marinha do Brasil não pode tomar o Território de Rio dos Macacos porque ela, como instituição Brasileira, não está acima das demais instituições nacionais. Vivemos sob a vigência do estado democrático de direito”, afirma a socióloga, destacando as diversas leis e programas federais em defesa dos direitos das comunidades remanescentes de quilombos.  

A tensão se acirrou na região desde 2009, quando a Advocacia Geral da União (AGU) impetrou uma ação reivindicatória – acatada pela juíza Arali Maciel Duarte, da 10ª Vara Federal – determinando a retirada dos moradores do local. A execução da retirada estava marcada para 4 de março de 2012, mas a presidente Dilma Roussef determinou a suspensão da tomada do território. Desde então, os moradores são impedidos de plantar, pescar, construir ou reformar suas casas. A comunidade vive o medo de que o despejo ocorra a qualquer momento, o que tem deixado em alerta diversos movimentos e organizações em defesa do quilombo.

O Bando - No dia 06 de fevereiro, o Bando de Teatro Olodum recebeu no Teatro Vila Velha representantes da comunidade e lideranças sociais em um “Ato de apoio à comunidade quilombola rio dos Macacos”. As lideranças do quilombo presentes ao evento fizeram relatos da violência com que são tratados pela Marinha do Brasil, que atinge crianças, adultos e idosos, inclusive pessoas com mais de 100 anos que nasceram e sempre viveram naquelas terras. Os quilombolas relataram que não têm acesso à água, energia elétrica, aos serviços de saúde e educação.  

 “O Bando de Teatro Olodum se associa à luta desses brasileiros que estão sendo ameaçados por aqueles que deveriam garantir sua segurança. A sociedade brasileira precisa ter conhecimento e tomar partido desta situação. Estamos expressando a nossa indignação por meio da nossa arte”, afirma o diretor Márcio Meirelles. O espetáculo Candaces, a reconstrução do Fogo estreou em 2003, no Rio de Janeiro, e recebeu indicações ao Prêmio Shell nas categorias de direção, figurino, música e coreografia.

 

SERVIÇO

O que: Leitura Dramática de Candaces, a Reconstrução do Fogo

Onde: Comunidade Quilombola Rio dos Macacos, BA 528 - entrada em frente ao Posto de Gasolina Inema – Aratú, Simões Filho – Ba

Quando: Domingo dia 08 de julho, às 10h.

Informações: 3083-4619 e 4620 / http://bandodeteatro.blogspot.com.br/

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Comentário de maria cristina batista alves em 7 julho 2012 às 15:24

Quando vejo noticias dos guerreiros irmãos da comunidade dos quilombolas  "Rios dos Macacos" me lembro também, dos nossos ancestrais na luta pela não extinção e respeito, são conflitos genético.  

Comentário de Margareth Maria de Lima em 6 julho 2012 às 21:08

  Segue   doc.  importante , elaborado   na  Rio+20

[mocambos] Carta das Comunidades Quilombolas na cúpula dos povos

Entrada
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Antonio crioulo antoniocrioulo1@gmail.com por  riseup.net 
2 jul (4 dias atrás)
para quilombolaspe, mocambos, tctamboryo

CARTA DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS NA CÚPULA DOS POVOS

A Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, contra a Mercantilização da Vida em Defesa dos Bens Comuns, realizada na cidade do Rio de Janeiro durante a Conferência Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Rio+20, que se concretiza como um dos maiores acontecimentos mundiais no ano de 2012, tendo como foco de discussão “Meio Ambiente” e “Desenvolvimento Sustentável”, favorecendo que as rodas de diálogos buscassem levantar propostas para solução dos problemas globais.

Em demasia, a economia verde está sendo uma nova veste do capitalismo que vem retirando a visibilidade da realidade econômico-social. No entanto, nós povos que buscamos nossos direitos, reivindicando a titulação de nossos territórios, respeito a diversidade cultural, religiosa e nossa biodiversidade, expressamos através da CONAQ- Coordenação Nacional Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, instituição de representatividade política das comunidades quilombolas, que acompanha os processos das demarcações e titulações dos territórios quilombolas, junto aos órgãos competentes para tais fins, que hoje se estima em torno de 5 mil comunidades quilombolas em todo território nacional, os direitos garantidos as comunidades que estão resguardados como: educação, saúde, habitação e soberania alimentar, e que estão sendo aviltados pela burocracia do Estado.

Em tempo presente, a situação mais emblemática que exemplifica bem a situação de todos os quilombolas é o caso de Quilombo Rio dos Macacos (BA), que vêem sendo denunciando em todos os espaços e meios de comunicação, como forma de mostrar as atrocidades cometidas pela Marinha do Brasil, que vergonhosamente vem ferindo os direitos dos povos daquela comunidade.

Situação eminente é também o caso do Quilombo da Ilha da Marambaia (RJ), onde a implantação do Centro de Adestramento Militar da Marinha do Brasil vem retirando a dignidade dos moradores daquele local e de Alcântara (MA), atingido pela implantação da Base de Lançamento Espacial. Documentos comprobatórios foram entregues aos diversos organismos do governo, e os quilombos supramencionados ainda perecem pelo descaso dos órgãos que acompanham.

As diversas discussões que aconteceram na Cúpula dos Povos muito se falou sobre a “sustentabilidade”, mas afirmamos que não existe sustentabilidade sem territoriedade, existe sustentabilidade de fato onde estão habitados os povos e comunidades tradicionais que detém o conhecimento, preservando seus territórios que são passados de geração à geração.

Os direitos quilombolas estão hoje resguardados pelos artigos 68, 215 e 216 da Constituição Federal / 88, pela convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e pelo decreto presidencial 4887/2003, estando esse último em eminente perigo pela ação de forças políticas de direita que vislumbram a queda do decreto através da ADI 3239, que se encontra em julgamento no Supremo Tribunal Federal e sua eventual aprovação inviabilizará todos os processos de titulação dos territórios quilombolas.

A PEC 215 é um retrocesso para todos os avanços que os povos indígenas e quilombolas vêm conseguindo com muita luta no campo dos direitos ambientais, culturais, políticos, econômicos e sociais.

A Cúpula dos Povos, espaço critico e de trocas de experiências culturais de movimentos do mundo inteiro, os diversos grupos estão dispostos a mostrar de variadas formas para a RIO+20, que são capazes de apresentar ao mundo renovados conceitos a partir de visões éticas e agroecológicas, pautadas pelos valores da coletividade e solidariedade.

Comentário de Margareth Maria de Lima em 6 julho 2012 às 20:59

 

    Parabens   pessoal  e  isto ai, que a  marinha não pensa  que  nos  recuamos, estamos de olho neles e as  manifestações  continuam,  vem de todo  canto  do  mundo  um  gesto de  solidariedade e  luta, pelos  direitos  humanos  da comunidade  rio  dos  macacos. SOMOS  TODOS  QUILOMBO  RIO  DOS  MACACOS.

Comentário de Gel Santos em 5 julho 2012 às 19:21

Essa é uma entre tantas  histórias antigas de desapropriação de comunidades carentes, existem  outras mas recentes.

Comentário de Gel Santos em 5 julho 2012 às 19:15

Esqueci... ficaram também na antiga curva grande os espiões. Esses, se multiplicaram fazendo parte do tal " progresso"  e aquela favela foi banida do mapa da cidade. Engraçado acho que progresso seria urbanizarem as favelas, porque nas favelas tem mulheres, homens, idosos  e até  crianças que constroem as riquezas desse País, entretanto direitos e dignidade são palavras desconhecidas  dos poderes. 

Comentário de Gel Santos em 5 julho 2012 às 17:53

Rokza, boa noite!  A história sempre se repete nesse Estado e  País  chamado Brasil. Na década de 70, a  curva grande era grande e cabia   todos a sua volta. Localizada no bairro do garcia bem no coração da cidade. A comunidade com mais de 10 mil moradores foi  desapropriado pelo governante da época para segundo ele implantar o " progresso "  e. que progresso era esse que negou a história dessa gente? Você sabe muito bem... que quando se desapropriar uma comunidade, fragmentar-se a história social do individuo. Novamente a injustiça foi irmã da impunidade e prima da violência.Nesse lugar implantaram o Pedro Melo, o instituto médico legal e outras repartições publicas.  Mesmo pagando o IPTU, essas pessoas também foram chamados de invasores e tiveram que partir para lugares distantes, alguns não suportaram e morreram.             

Comentário de Roberto Rodrigues em 5 julho 2012 às 13:31

Importante saber se todos terão acesso ao Quilombo devido a barreira militar no local? Como poderemos chegar?
Sugiro que o comando da Marinha de Guerra, aproveite o momento e dê exemplo de cidadania ao resto do País, aceitando conviver harmoniosamente com os nossos irmãos quilombolas e projetando através das verbas do PAC melhorias nas edificações, construção de escolas/creches, posto de saúde, saneamento e por que não aproveitar os jovens não somente quilombolas mais tambem das comunidades vizinhas nas suas unidades escolares. O Brasil inteiro iria aplaudir

Comentário de Gel Santos em 5 julho 2012 às 10:01

Para eles nem índios nem negros  são donos das terras, só eles... as elites brancas. O quilombo só quer  dignidade e o direito de morar..Muitos já estão idosas e cadê o respeito e o direitos desse povo? 

No governo do PT, esperava uma outra realidade.  

Comentário de Inaiá Boa Morte Santos em 4 julho 2012 às 19:28

Temos que nos mobilizarmos para que a vitória seja do nossos irmãos

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