A denominada “Musica Baiana” vem assumindo cada vez mais significado no espaço do cenário musical mundial. Uma das principais características dessa musicalidade é o ritmo, marcado pelos sons percussivos, altamente criativos e carimbo do que podemos chamar de uma Identidade Cultural baiana.

Aliado ao sucesso artístico, a quase totalidade dos segmentos organizados musicais (a exemplo de Blocos Afros e Afoxés) tem utilizado a musica como dinamizadora de processos educativos.

Ainda que fora das instituições escolares oficiais e / ou formais, as experiências com musica têm demonstrado ser esse um poderoso, espaço de aprendizagem, de pesquisa cultural, construção de novos saberes e reelaboração de conhecimentos acumulados, sobretudo pela constituição da matriz populacional baiana

No inicio dos anos 90 passou a acontecer uma verdadeira revolução musical. Formaram-se pequenos grupos de percussão, organizados por jovens de baixa renda, nos principais bairros de salvador.Devido a grande explosão das bandas Olodum, Timbalada e outras, surgiram crianças batendo latas nos quintais e esquinas, tocando em bujões plásticos e materiais alternativos. Com o passar do tempo essa pequena forma de lazer foi criando raízes, passando a ser trabalhada em caráter socioeducativo, e do ponto de vista técnico e profissional.

Nos dias atuais a percussão vem sendo usada de varias formas bastante positiva.Em salvador o processo cultural vem se constituindo em uma forma eficiente de retirar as crianças e adolescentes das ruas, de dar-lhes um oficio e uma ocupação afastando-os das drogas e do crime e abrindo novas perspectivas de vida e realização.A percussão vem se transformando em um elemento fundamental na socialização e na inclusão das populações carentes, especialmente os jovens entre 16 a 24 anos, os mais desassistidos pelos os poderes públicos. Nos bairros mais pobres da capital e das cidades, então que surgem escolas e instituições que retiram os jovens das ruas para ensiná-los a arte da percussão, integrando-os a sociedade através das manifestações artísticas.

A ação social de organizações, como: Olodum, Ilê-Ayê, Projeto Axé, Bagunçasso, Didá escola feminina, Meninos do Pelô, Escola Pracatum de Carlinhos Brown, Escola percussiva integral do musico Wilson Café, Casa da criança e do adolescente e associação Unjira Quinã com mestre Jackson, são exemplos simbólicos desta atuação.

Acessem: www.mestrejackson.ning.com

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Comentário de Sérgio Cumino em 21 março 2010 às 16:03
Acredito muito na Arte com responsabilidade social, é isso mesmo, a observação é perfeita, com ela temos o resgate da auto-estima, fazer essas crianças brilhar, foi para isso que nascemos, temos que pensar, assim, é nossas crianças, nosso povo, irmãos e nação. Já tive a oportunidade de ver coisas belíssimas acontecer por conta dessas iniciativas, isso pra mim é fazer política. Olhar no olho dessa criançada, e falar: - tenho uma surpresa pra você, vou mostrar uma coisa que nunca mostraram. Mostrarei do que é capaz.
Este embutido nesses projetos que usam a arte como responsabilidade social o amor o carinho que essas crianças tanto, precisam. Isso é inclusão social, um diamante de transformação. E como artistas nos surpreendem e respondem rápido de esbanjam criatividade. Dei uma oficina de Teatro a uns meninos assistidos pela Casa Transitória de São Paulo, eram todas crianças a margem da sociedade, moradores de ruas, trombadinhas (craque ainda não era o terror urbano que é hoje).
E paralelamente a esse trabalho, tinha minha companhia de teatro sendo indicada a prêmios em São Paulo, eu mesmo recebendo a indicação de melhor ator do ano. O que me fascinava naqueles meninos, que eram infinitamente melhores que meu elenco profissional. Síntese, eu que me dispus a ensinar, fui o maior beneficiado, o que mais aprendeu. O que sempre falo a esses grupos quando sou chamado a dar Workshops, conversar, trocar informações, que formatem seus projetos buscando a sustentabilidade do mesmo. A falta de atenção do Estado é fato, e quando vem são verbas paliativas, que retarda o fim de projetos, e muitas vezes acabam de afundá-los. E como o texto mesmo diz “Arte, é uma arma” e complemento “arma revolucionária”, que atinge pontos que o poder publica a moral constitucional não atinge. Vamos todos aplaudir esses batuques sagrados! Reverenciamos essas iniciativas, e que nossos orixás, levem a eles parceiros, para que esses meninos transformem suas comunidades, e assim fazem do nosso país um mundo melhor.
Sérgio Cumino.
Ator, Diretor Teatral – poeta, e atua na formatação de projetos de inclusão social para Terceiro Setor.
Comentário de André Luís Santana em 20 março 2010 às 13:10
É a revolução dos tambores. Contra as pedras, timbaus. Contra o racismo, vaquetas. Contra o silêncio dos poderosos, alujás, ilús, aquerés, ramunhas e opanijés. É o som ancestrais dos pretos. Salve os alabês. Êa!!!

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