A copa do mundo no Brasil e a derrota antecipada do negro na Bahia

 

 Irmãos e Irmãs afrodescendentes não se deixem iludir pelas campanhas floreadas desenvolvidas por uma mídia comprometida com interesses mesquinhos de manutenção de um satus quo racista e perverso.

Longe de qualquer postura partidária, o que se deve ter em foco é uma conjuntura pragmática. Que parte do “bolo” da Copa do Mundo de 2014 caberá ao conjunto Afrodescendentes da população brasileira,? Bater o tambor e sambar com um grande sorriso nos lábios? Essa parte nós Afrodescendentes já fazemos e sabemos fazer com ninguém. E o que isso tem nos dado em retorno, além da permanência nas instancias mais à base da pirâmide social?

Os prospectos divulgados pela mídia em “releases” na www, falam de um empreendimento sob a forma de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo do Estado da Bahia e a Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), concessionária formada pelas empresas Odebrecht Participações e Investimentos e OAS. Para a construção da obra, a FNP contratou o Consórcio Arena Salvador, constituído pela Odebrecht Infra-estrutura e Construtora OAS.....”. No meu entendimento, essas poderosas empreiteiras estão trabalhando com o dinheiro público, ou seja, nosso dinheiro,vão usar e abusar sem nos dar qualquer satisfação (pois assim já o estão fazendo), e vão deixar ainda uma conta para nossos netos pagar, pois, afinal, a corrupção consolidada e inquestionável empresta sua contribuição nefasta ao quadro de coisas.

Os grupos que lucram com o nosso samba e sorrisos são os mesmos que lucraram com o sangue, o suor e as lágrimas dos nossos ancestrais.

O Projeto Brasil com suas dancinhas, passinhos e esperanças tem como base uma maquinação diuturna de manutenção do processo de seleção cromática de uma representação européia desse país que foi, e é construída a custa do sangue dos nossos ancestrais e o nossos.

A Copa de 14 tão desejada pelos políticos de plantão em suas campanhas tocadas em conluio, com personalidades famosas e em evidencia (essas inspirados pela a baixa auto-estima) em que nunca questionaram o Projeto Brasil, pois nunca sentiram na “ pele” o ácido do racismo e da iniqüidade a corroer a pele dos seus irmãos. Na Bahia, assim como em todo o País, no Brasil o Afrodescendentes já tomou uma goleada antes de começar a “Copa das confederações”

Onde está a igualdade de oportunidades?Quantos empresários negros estão envolvidos com a construção dos estádios?Dos hotéis? Das estradas? Da infra-estrutura?

Se o Afrodescendentes daqui desenvolver um mínimo de clarividência e tomar nas mãos as rédeas da própria educação, a Copa de 14 será uma oportunidade de manifestação contundente da realidade Afrodescendentes brasileira em contraste com a democracia racial que as elites brasileiras tentam vender ao mundo.

A educação é uma peça de postura política e a ferramenta mais autentica de promoção da igualdade no seio de um povo e entre os povos, e não é por acaso ou por descaso que se constitui um setor da vida política do Brasil, o mais desprestigiado. Um povo que prima pela educação não elege ninguém que não tenha uma agenda que realmente venha a privilegiar os sues anseios mais legítimos, dentre os quais está o direito a vida e a dignidade de gozar das benesses geradas pelo seu trabalho e pela sua contribuição para o patrimônio social da nação que lhe ensinam der sua. O Projeto Brasil não inclui o Afordescendente e nós relutamos em não enxergar isso em nome de uma normalidade espúria e perversa na eleição dos seus mártires e dos seus excluídos. O Projeto Brasil tem desprezo pelo Afrodescendentes e o relega a própria sorte desde o dia 13 de maio do ano de uma das maiores farsas que a história desse país já armou.

 Quanto a sediar os jogos Olímpicos de 2016, vejam a postura do povo norte americano:

Três representantes do povo norte americano, sendo que nenhum deles tem cargo eletivo, ou seja, nenhum deles é político, foram a Suíça com uma missão pública interessante. Eles são moradores de Chicago, cidade de Barack Obama.

Na segunda-feira, 15 de junho de 2009, desceram do trem na estação de Lausanne e foram a  Sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) para entregar uma mensagem simples. "Chicago não quer ou merece os Jogos Olímpicos de 2016." Eram eles:


• Martin Macias Jr., um organizador da juventude da Coalizão de Chicago pela Justiça Ambiental, e Comite 10 de Marçoo, uma organização de Direitos dos Imigrantes. Ele também é um ativista de reforma da mídia.

• Tom Tresser, um educador e ativista e ex-ator e produtor. Ele é co-fundador dao Moviemnto “ Proteger Nossos Parques” , que combate a privatização do espaço público.

• Rhoda Whitehorse, uma ex-professroa pública, mãe e avó, que viveu em Chicago por

Tom Tresse é quem diz: “Nós viemos a Suíça contraindo dívida – apesar de termos as passagens aéreas fornecidas por doadores voluntários. Nós acreditávamos que isso era algo que tínhamos que fazer e nós vamos preocupar com pagamento da dívida mais tarde.

Temos sido a única organização em toda a cidade de examinar criticamente a candidatura olímpica e o impacto que o fardo gerado por sediar os Jogos teria em Chicago. Não houve nenhuma pesquisa independente, nem debate público de grande escala ou exame dos negativos de sediar os Jogos de cidades-sede anteriores. Lançamos nossos esforços em 31 de janeiro com um fórum público na Universidade de Illinois com a participação de 250 pessoas.
Acreditamos que a cidade deve gastar seus recursos e inteligência sobre as prioridades mais importantes, como a construção de mais escolas - não fechá-los, a expansão de cuidados de saúde - não fechar clínicas de saúde pública, a criação de mais parques - não destruir os que temos, e trabalhando em programas de desenvolvimento econômico que beneficiam a muitos - não empurrando projetos de construção gigantes que beneficiam asseclas do prefeito

Viemos para a Suíça para apresentar um "Livro de evidência" para os membros do COI. Este livro 162 páginas, encadernado consistiu de fotocópias de artigos de jornais, colunas e relatórios que documentam nossos quatro grandes objecções a Chicago hospedagem dos Jogos de 2016:

(1) Falta de finanças - Estamos quebrados

América está falido. Illinois é 130  milhões de dólares (R $ 7,9 bilhões) em dívidas. Nossa cidade está em cerca de $ 300 milhões de dólares no vermelho. Apenas alguns dias antes de virmos para a Suíça, o prefeito Richard Daley, anunciou que estava demitindo 1.000 funcionários das escolas públicas de Chicago e 1.500 trabalhadores da cidade. A cidade fechou escolas públicas, postos de saúde e cortar serviço em nossos parques.


(2) A falta de competência - Nós somos corruptos


Todo grande projeto de construção da cidade aborda vai muito acima do orçamento e experimenta atrasos na construção de comprimento. Isto porque o prefeito colocou seus comparsas nas primeiras posições de cada agência e departamento. A cidade é executado como um ATM privado (multibanco) para a família do prefeito e algumas outras famílias politicamente conectadas e seus amigos. Um aliado do prefeito foi recentemente indiciado, este funcionário eleito, vereador Isaac Carothers,  teve as suas ligações telefonicas cgrampeadas pelas autoridade federais  por um ano! É altamente provável que qualquer projeto de construção se compromete cidade para as Olimpíadas vai experimentar derrapagens e atrasos.

(3) Falta de infra-estrutura - Nós estamos desmoronando
Nossa cidade está extrema necessitada de reparos. Nosso sistema de transporte de massa mal pode lidar com a carga de mover nossos cidadãos em torno de como ela é. Não há nenhuma maneira de nos tornarmos capazes de lidar com as centenas de milhares de visitantes olímpicos. Nossas estradas são tão cheias de buracos e a cidade tão atrás no atendimento a eles que os cidadãos tem tentado resolver entulhando-os por inicativa própria!
 
(4) Falta de apoio da opinião pública - Estamos muito bravos!
Apesar do que o COI tem sido dito - o povo de Chicago NÃO QUER OS JOGOS OLÍMPICOS AQUI. Quando questionados em uma pesquisa encomendada pelo Chicago Tribune, se eles apoiam o uso de recursos tributários para os Jogos, 75 por cento disse NÃO. Quando estávamos na Suíça Mayor Daley, que também estava em Lausanne, como parte da delegação de Chicago 2016, anunciou que iria assinar o Contrato cidade inteira se premiou os Jogos. Isso significa que a cidade iria assinar um cheque em branco para garantir, construir e operar as Olimpíadas. Isso não é novidade para as outras três cidades candidatas, como seus governos nacionais se comprometeram a cobrir todos os custos, conforme necessário. O governo dos EUA é proibido por lei a fazer uma tal garantia. O prefeito sabia que ele teria que fazer essa garantia para o COI, mas ele fez enquanto na Suíça. Se ele tinha a esperança de evitar polêmicas, ele não teve êxito. A cidade eloqueceu com manchetes de primeira página, editoriais, cartas iradas de cidadãos e um levante de Vereadores que se sentem traídos pelo prefeito Daley.....”

 

Quem conhece um pouco da realidade mundial e da realidade sabe que as mega-construções, são grandes embustes para gerar lucros e alimentara ganncia insaciável de empreiteiras e afins.

 

RFERENCIA:

 

http://www.insidethegames.com/blogs.php?id=64


 

 

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Comentário de Eustaquio Amazonas de Cerqueira em 27 agosto 2012 às 11:28

Concordo, em grande parte, com o texto acima, mas penso que deixar de fazer grandes eventos não seja a solução adequada. Precisamos, sim, de muito investimento na educação; saúde; segurança; saneamento e etc., principalmente nos subúrbios, nas favelas (que teimam em chamar de comunidades), nos morros e na Baixada Fluminense (caso do Rio de Janeiro, onde moro). E mais que tudo,, no Norte e o Nordeste do país. Todos sabemos que o Nordeste é esquecido pelos políticos, a não ser em períodos eleitorais. Nosso amigo.  Adelson aponta a ausência de empresários negros ou afrodescendentes, alijados das "negociatas" ou "negócios da China", mas não podemos nos esquecer que muitos afrodescendentes que conseguem escapar da "roda viva" produzida pelo sistema elitizado "eurobrasileiro", ou seja, pela parcela branca da população, são  cooptados por essa elite branca e passam a pensar como se brancos e ricos (desde sempre) fossem. Portanto, gostaria de ver mais negros que conseguiram "furar o bloqueio" participando mais ativamente dessas questões.

O que se fala em Salvador,  por exemplo, é que a prefeitura paga, com dinheiro público, lógico, para que os grandes empresários do carnaval fiquem cada vez mais ricos às custas dos pobres e dos pretos, já que os pretos são quase todos pobres "e todos sabem como se tratam os pretos" (C. Veloso). E os artistas negros, que são muitos aí em Salvador? Você só vê negros nas cordas da discórdia...


O que penso é que deveríamos ter uma classe política engajada em projetos que tivessem a educação em mais alta conta. Não só a classe política, mas os grandes empresários, para quem os pretos e os pobres trabalham. Nós os pretos e pobres deveríamos ser os mais ativos combatentes nessa frente. 

Quero dizer que concordo com o Adelson e ele é  muito perspicaz quando diz o seguinte: "Que parte do “bolo” da Copa do Mundo de 2014 caberá ao conjunto Afrodescendentes da população brasileira,? Bater o tambor e sambar com um grande sorriso nos lábios? Essa parte nós Afrodescendentes já fazemos e sabemos fazer com ninguém. E o que isso tem nos dado em retorno, além da permanência nas instancias mais à base da pirâmide social? " Pragmáticos sim, Devemos pensar um Brasil em que os afrodescendentes também estejam representados e participando ativamente dos "lucros" e não só com a mão-de-obra barata e ainda quase escrava.

Penso que mais pessoas deveriam estar aqui e em todas as possibilidades de mídia, mostrando a insatisfação com o Status quo, tão pertinente para um grupo da população brasileira e deveras funesto para o outro.

Comentário de Gel Santos em 26 agosto 2012 às 13:14

Em nosso País celeiro da corrupção tudo acontece e a população não protesta porque falta educação de qualidade para desenvolvem o senso critico. Enquanto isso a mídia anuncia "inscrições abertas para trabalhar como voluntários na copa ."  Talvez seja essa a participação dos afrodescendentes nesse circo.  

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