A eleição de um papa inesperado e a “corrida” para neutralizar o seu potencial efeito: A Presidenta Dilma vai a Roma

Venho aqui na tentativa de reparar uma ausência de citações antes que seja tarde.

 

Reputo o Correio Nagô e o seu mantenedor, o Instituto Mídia Étnica como representantes da voz dos que não tem voz na “grande mídia”. É assim que o CN se torna automaticamente um representante da mídia alternativa, e como tal se constitui canal de veiculação e troca de informações no intuito de integrar ‘todos’ os segmentos da sociedade no que toca seus legítimos anseios por informação comprometida como que acontece de fato por vezes em níveis conjunturais os quais não estariam colocados ao seu alcance, quer seja por conveniências políticas jassim ulgadas "a revelia da plebe" pela “grande mídia”, quer seja por conveniência política dos grupos de poder, os quais agem em função da “defesa” de suas agendas particulares, cada vez mais e mais corporativas. Atribuo à mídia alternativa o exercício livre do seu papel, guardadas as molduras do decoro, da ética e da educação doméstica que deve reger as relações entre as pessoas no convívio social. Não vejo o Correio Nagô como representante de qualquer viés político ideológico associado a qualquer interesse partidário imediato ou não, ou mesmo como executor de agendas engendradas em bastidores de poder sob qualquer que seja o objetivo ou pretexto.

Vejo no Correio Nagô um “post” intitulado: “Movimentos ocupam a Secretaria de Segurança de São Paulo” denunciando o genocídio que se abate sobre a juventude negra nesse país, o que constitui uma denúncia grave, que só não assume o tom que a expectativa social deveria perceber, em consequencia do sucesso do investimento maciço dos grupos de poder (governos, políticos, empresários, etc.:) na ignorância do povo. Esse, sim, é investimento prioritário e garantidor fundamental da manutenção do status quo, ou vocês pensam que nos “países desenvolvidos” as coisas acontecem de forma séria por que o povo que existe lá é diferente de nós? Nos países do "primeiro mundo" que conheço o povo tem direito a escola de verdade e exerce esse direito de forma incontronável.

Porém não vi até agora nada no CN que faça referencia a viagem da Presidente Dilma Rousseff a Roma para cerimônia de entronização do Papa Francisco, em uma “viagem” tão inesperada quanto à eleição do próprio Francisco.  Aí, penso ser oportuno tecer uma peqeuna análise tomando como base algumas questões, tais como:Quais os verdadeiros motivos que fizeram com que a decisão de ir a Roma ver o Papa fosse tomada? E que motivos levaram a composição da comitiva presidencial com nomes (aliás, nomes já corriqueiros no que toca a formação da comitiva presidencial), como Aloísio Mercadante, e Gilberto Carvalho?Que motivos levaram a Presidenta e sua comitiva a escolher um dos mais luxuosos endereços de Roma para se hospedar?

O Jornal A folha de São Paulo na sua edição online datada de 20 de março, traz a seguinte manchete: “Dilma opta por Hotel: comitiva usa 52 quartos e 17 carros”. Segundo a matéria produzida pelo enviado especial daquela agencia noticiosa, um dos quartos foi transformado em escritório para a Presidência da República. A diária da suíte presidencial custa cerca de R$ 7.700, enquanto o quarto mais barato fica por R$ 910. Os outros 22 quartos, para pessoal de apoio, ficaram em local próximo. A presidente não quis ficar na residência oficial da Embaixada do Brasil, instalada num amplo palacete no centro histórico de Roma e que costuma receber mandatários do país. Foi o caso do ex-presidente Lula, em 2005, quando participou do funeral do papa João Paulo 2º. Segundo a assessoria da Presidência, Dilma prefere hotéis por facilitar a rotina de trabalho. No caso específico de Roma, outro motivo é que a representação brasileira está temporariamente sem embaixador. Já a frota alugada inclui sete veículos sedan com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Apenas para o transporte de bagagens e equipamentos, Dilma contou com um caminhão-baú e dois furgões. A presidente chegou no domingo à tarde em Roma, quando aproveitou para visitar duas igrejas históricas. Anteontem, visitou uma exposição do pintor italiano Ticiano, se reuniu com o ex-ministro de Lula José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO (organização da ONU para agricultura e alimentação) e com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, que está em fim de mandato.

Um dia ouvimos dizer que a luta da esquerda nesse país se pautava pela defesa do interesse do povo “oprimido pelas elites burguesas ao longo de toda a sua história”. Hoje em dia assistimos ao exercício do desperdício e da opulência em nome da tentativa de manutenção de frágeis agendas de cunho político-ideológico, ou será que está difícil perceber as manobras de um grupo ideológico rumo ao objetivo de se identificar o mais prematuramente possível com um Líder religioso capaz de barrar o curso das “beatificações populescas” orientadas por agendas políticas, co-patrocinadas pela ingenuidade dos que seguem o curso das coisas sem se dedicarem a uma maior reflexão sobre o que o futuro reserva?

Saíram os novos e impressionantes números da “popularidade da Presidenta Dilma. Mas, que significado prático se pode atribuir à popularidade da Presidenta, se no terreno onde as coisas acontecem de fato, o pedreiro Jamil Luminato, 53 anos, vive hoje, exatamente no mesmo lugar onde viveu drama semelhante ao que protagonizou há 31 anos? Em 1981, o pedreiro desempregado foi símbolo dos deslizamentos em Petrópolis, que mataram dezenas de pessoas. Sua foto correu o país e deu ao fotógrafo Carlos Mesquita, morto ano passado, o prêmio Esso Regional de 1982, um dos mais importantes da categoria. Na primeira página do "Jornal do Brasil", a imagem mostrava Jamil, então com 21 anos, carregando o corpo de um bebê. A criança acabara de ser retirada por ele do meio do barro, no local onde nasceu, foi criado e mora ainda hoje, o bairro Independência. Segunda-feira, o pedreiro tentou fazer o mesmo, e dessa vez para salvar a filha, Drucilane Alves Luminato, 31; o genro, Rodrigo Vale; e dois netos, Rodrigo de Oliveira Valle Junior, 4 e João Vitor Alves do Valle, 2, todos soterrados por um novo deslizamento.

A chave da verdaeira independencia é a Educação.

   

Referencias:

 

  1. Dilma opta por hotel; comitiva usa 52 quartos e 17 carros; Folha de São Paulo; Acesso: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1249205-dilma-opta-por-hotel-com... (acessado em: 21/03/2013);
  2.  Agora São Paulo; Pedreiro herói de 1981 perde família em novo temporal ; Acesso: (acessado em: 21/03/2013);
  3. Imagem: Folha de São Paulo; Acesso: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/14696-de-heroi-a-vitima  (acessado em: 21/03/2013)

 

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