A tradição  ocidental de busca do conhecimento se orienta pela idéia de se começar as coisas pelo início, da esquerda para a direita, seguindo a ordem alfabética e/ou numérica. Entretanto, quando se trata de África, tal procedimento não ocorre. Basta observarmos os  sumários e os índices dos livros  de Geografia. Aliás, a contagem do número de páginas, ilustrações e tratamento dado aos estudos sobre a África é um bom exercício sobre como o preconceito opera na produção do conhecimento.

      O escritor inglês Jack Woddis afirmava em seu livro África, as Raízes da Revolta, que “ a maioria dos estudos sobre a África, escritos neste século, são da autoria de europeus. Isso não é uma demonstração de interesse pelos assuntos africanos, por parte dos estudiosos do Ocidente, O que sem dúvida existe é um intuito de sufocamento da cultura e da educação africana, que como um safári, acompanhou o imperialismo, onde quer que este se tenha organizado.

      A triste conseqüência é que a esmagadora maioria desses estudos, bem poderíamos dizer, quase todos eles são escritos do ponto de vista do Ocidente.

                                        

                                         O Que o Atlas nos Mostra

 

       Há uma névoa histórica de preconceitos nos impedindo de ver o continente africano a parir de suas próprias dimensões: humanas, históricas, culturais, políticas e econômicas, como resultado do conhecimento medíocre e contaminado.

       Pouco ou quase nada sabemos sobre o terceiro maior continente do planeta. São mais de 770  milhões de pessoas, distribuídas em 53 países, numa aera de  30 milhões e 335 mil Km quadrados.

       O que a  História e a Geografia do continente nos mostram é que o estilo de vida rural e tradicional predomina entre os africanos; e cerca de 70% do continente é povoado esparsamente, tendo maior concentração populacional nas regiões onde o clima, o relevo possibilitam uma maior disponibilidade de água. A diversidade cultural se expressa através de mais de duas mil línguas nativas, que convivem com as que são faladas e escritas pelos colonizadores.

        Só há pouco tempo a História da África começou a ser escrita, muito embora a tradição oral venha contando-a  há milhares de anos, de geração a geração, como marca viva e expressiva da ancestralidade. Este tipo de metodologia histórica, embora não privilegie o registro escrito, em compensação garante aos grupos sociais a memória viva dos acontecimentos e fatos vividos.

        A rigidez excessiva da academia, durante muito tempo, fez com que os historiadores do Ocidente só aceitassem como documentos comprobatórios da história dos povos os registros escritos. Segundo eles, só a escrita classificaria um povo como portador de história, embora a Ilíada e a Odisséia, mesmo tendo origem na palavra falada, não perderam o status de “clássicos da literatura ocidental”, nem deixaram de ser  fontes históricas da sociedade européia.

 

      (Texto organizado a partir dos escritos do “Curso: Trabalhando o Imaginário para a Democracia Racial” - Capitulo Especial – Introdução História da África”. Luiz Carlos Oliveira - Coordenação CECUN – Vitória/ ES – ano 2002.)

Ṣe sílẹ̀: ẹrù-u ẹ̀ kì í pẹ́ níbodè.
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