Abdias do Nascimento (14 de março de 1914 – 24 de maio de 2011) : Vida e história em breves palavras

O homem negro Abdias (do) Nascimento nasceu na cidade de Franca aos 14 de março de 1914. É um ex-polítco e eterno ativista social brasileiro. É um dos maiores defensores da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil. Intelectual de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde o movimento Integralista (de Plínio Salgado), passando pela poesia (com a Hermandad, grupo com o qual viajou de forma boêmia pela América do Sul), até o Movimento Negro. Além de ator, é também pintor e escultor.

Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi deputado federal de 1983 a 1987, e senador da República de 1997 a 1999), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006,em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro como o dia oficial da consciência negra. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília. É autor de vários livros: "Sortilégio", "Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos", "O Negro Revoltado" (aliás uma peça literária que influenciou o MV Bill, segundo relato do próprio `Rapper`. )

Os marcos da sua atuação político-cultural se desfraladam pontuados por uma infinidade de eventos. Abdias foi Professor Benemérito da Universidade do Estado de Nova York e doutor "Honoris Causa" pelo Estado do Rio de Janeiro, na qualidade de grande militante no combate à discriminação racial no Brasil. Organizou o Congresso Afro-Campineiro em 1938 e participou do primeiro movimento brasileiro de direitos civis, a Frente Negra Brasileira (1929-37, dissolvida pela ditadura de Vargas, juntamente com todos os partidos políticos). Fundou na Penitenciária de Carandiru (para onde a sua luta também o levou) o Teatro do Sentenciado (1943) e ajudou a fundar o jornal dos prisioneiros. Criou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro (TEN). Organizou o Comitê Democrático Afro-Brasileiro e editou o jornal Quilombo: Vida, Problemas e Aspirações doNegro. Organizou a Convenção Nacional do Negro (1945-46), que propôs à Assembléia Nacional Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de Lesa-pátria. Organizou a Conferência Nacional do Negro (Rio de Janeiro, 1949), e o 1º Congresso do Negro Brasileiro (Rio de Janeiro, 1950). Atuou como curador fundador do projeto Museu de Arte Negra cuja exposição inaugural se realizou no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (1968). Manteve durante décadas contato com os movimentos de libertação africanos e com o movimento pelos direitos civis e direitos humanos dos negros nos Estados Unidos.

Alvo da repressão policial do regime militar quando foi aos Estados Unidos em 1968, ele não

pôde retornar ao Brasil em razão das medidas autoritárias do Ato Institucional n. 5, promulgado

em dezembro daquele ano. Durante 13 anos, viveu no exílio nos Estados Unidos e na Nigéria.

Participou de inúmeros eventos internacionais e introduziu a população negra do Brasil em

várias reuniões do mundo africano: 6º Congresso Pan-Africano (Dar-es-Salaam, 1974) e sua

reunião preparatória (Jamaica, 1973); Encontro sobre Alternativas do Mundo Africano / 1º

Congresso da União de Escritores Africanos (Dacar, 1976); 2º Festival Mundial de Artes e

Culturas Negras e Africanas (Lagos, 1977); 1º e do 2º Congressos de Cultura Negra das

Américas (Cali, Colômbia, 1977; Panamá, 1980). Neste último, foi eleito vice-presidente e

coordenador do 3º Congresso de Cultura Negra das Américas.

Exilado, desenvolveu, como artista, extensa obra sobre temas da cultura religiosa da Diáspora africana e da resistência do povo negro à escravidão e ao racismo.

Em 1978, volta ao Brasil e participa de atos públicos e das reuniões de fundação do Movimento

Negro Unificado contra o Racismo e a Discriminação Racial (MNU). Participa na criação do

Memorial Zumbi, organização nacional de promoção dos direitos civis e humanos da população

negra de todo o pais; é eleito seu presidente e cumpre mandato de 1989 até 1998.

Em 1981, funda o IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros. Organiza o 3º

Congresso de Cultura Negra nas Américas (1982) e o Seminário Nacional sobre 100 Anos da

Luta da Namíbia pela Independência (1984). Cria o curso Sankofa, ministrado na Pontifícia

Universidade Católica de São Paulo e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984-95).

Foi o primeiro Deputado Federal negro a defender a causa coletiva da população de origem

africana no parlamento brasileiro (1983-86). Atuou em Luanda como consultor da UNESCO

para o desenvolvimento das artes dramáticas e do teatro angolanos. Participou da diretoria

internacional do Festival Pan-Africano de Cultura (FESPAC) e do Memorial Gorée, sediados

em Dacar, Senegal. Participou da diretoria internacional fundadora do Instituto dos Povos

Negros, criado em 1987 por iniciativa do Governo de Burkina Faso, com apoio da UNESCO.

Em 1991, tornou-se o primeiro senador Afrodescendentes a dedicar seu mandato à promoção

dos direitos civis e humanos do povo negro do Brasil. O governador do Rio de Janeiro, Leonel

de Moura Brizola, o nomeou titular da nova Secretaria de Defesa e Promoção das Populações

Afro-Brasileiras (1991-1994). Assumiu em 1999 a nova Secretaria de Direitos Humanos e

Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Participou da organização da participação brasileira na 3ª Conferência Mundial contra o

Racismo (Durban, África do Sul, 2001) e no Fórum das ONGs dessa Conferência foi um dos

principais palestrantes.

 

Referencias bibliográficas

 

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Abdias_do_Nascimento
  2. http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/aos-95-anos-o-lid...
  3. http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2463-6.pdf
  4. http://www.abdias.com.br/movimento_negro/frente.htm

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