Abdias: Se pudessem, colocavam o negro de novo na escravidão

Defensor fervoroso do sistema de cotas raciais em universidades públicas, o ex-senador e deputado federal, Abdias do Nascimento, 96 anos, um dos líderes negros de maior expressão no país, considerou "uma coisa lamentável" as alterações no texto original do projeto de lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado nesta quarta-feira (16), no Senado.


Um dos pontos mais criticados foi, justamente, a retirada do trecho que falava sobre a regulamentação da reserva de vagas para a população negra na educação. O estatuto, que tramitou no Congresso durante sete anos, entra em vigor após a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. -As cotas são absolutamente importantes. São um passo adiante da degradação que o negro tem sofrido durante tantos séculos.




Confira a entrevista



Terra Magazine - O Senado aprovou ontem projeto de lei que institui o
Estatuto da Igualdade Racial. O texto original sofreu alterações, como a
retirada do trecho que previa cotas para negros na educação e a criação
de uma política de saúde pública para negros. O que o senhor achou das
mudanças?

Abdias do Nascimento - Uma coisa lamentável, porque se há uma população que necessita de um apoio específico em todos os sentidos, em todos os níveis das atividades nacionais são os negros.

São os únicos que foram escravos. As pessoas falam que não precisa de uma proteção, mas ninguém foi escravo aqui, a não ser os africanos.


Então, na avaliação do senhor, as mudanças foram lamentáveis.
É claro. Lamentável, porque é uma injustiça a mais. Uma injustiça que se
repete.



O relator do texto, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), substituiu o
termo "raça" por "etnia", alegando que não existe outra raça além da
humana.

Isso é aquela história brasileira de adoçar as coisas. Adoçam o racismo
específico contra os africanos e descendentes. Isso mostra, mais uma
vez, o gérmen... A alma do Brasil que manda é essa. É contra os
africanos, contra os negros. Acho lamentável. Mostra que o Brasil
continua o mesmo desde a escravidão. Mostra que, na verdade, ninguém
queria que o negro fosse liberto. Mostra que, se pudessem, colocavam,
outra vez, a escravidão.


O senhor ainda considera que a Abolição da Escravatura no Brasil não
passa de uma mentira cívica e que ainda há um hiato entre negros e
brancos no país?

É isso aí: uma mentira cívica. Uma "bela" mentira cívica. E ainda existe
um hiato entre negros e brancos. Há dois "Brasis": um dos brancos e
outro dos negros. Sem dúvida nenhuma.



O autor da proposta, senador Paulo Paim (PT-RS), afirmou que o
estatuto está longe do ideal, mas que a aprovação foi uma vitória? O
senhor concorda?

Não concordo, porque é a continuidade do racismo, da discriminação, do
desprezo pela herança africana. Essas leis, esses disfarces para não
chamar o Brasil de racista continuam. Desculpe, mas isso é odioso e, no
meu entender, vai realçar a separação, a diferença e a possibilidade dos
negros terem uma integração perfeita.


Especialmento sobre o trecho que fala das cotas, que foi suprimido do texto original. O que o senhor acha sobre isso?
As cotas são absolutamente importantes. São um passo adiante da
degradação que o negro tem sofrido durante tantos séculos.


Retirado da lista Discriminação Racial



Ana Cláudia Barros
De São Paulo

Terra Magazine.

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Comentário de Edileuson de Almeida Santos em 12 julho 2010 às 10:24
Os negros deveriam ser chamados de condoreiros, visto que, sofreram as mais variadas agruras, fizeram e fazem a história e ainda propagam a cultura no país e nomundo.
Comentário de RUBENS FERREIRA em 4 julho 2010 às 20:58
Ou você esta vivo e orgulhoso ou você está morto e nao se incomoda com nada. Stive Biko
Comentário de joao cicero em 2 julho 2010 às 20:37
temos que começar do zero , e contar com nossas lideranças . e nossas liderança ser forte nao se vender por migalhas
Quem sabe nossos bisneto consiga a igualdade depende de nos
Comentário de Cássia Monteiro em 26 junho 2010 às 1:06
Uma barbaridade dessa só o Senado brasileiro foi capaz de fazer. Quantos negros têm acesso ao Senado? O Demóstenes é descendente direto de africano? É por essas e outras desses políticos que entendem quase nada de sociedade, direitos, luta por espaço social... que a luta continua, com demonstração de força - nas ruas e nas urnas - dos que sentem na pele, na carne, no dia-a-dia a desoportunização.
Comentário de Edilamar Barbosa Fuger em 21 junho 2010 às 21:08
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Que um dia possamos tirar as algema que trazemos na nossas almas corroendo,ferindo,sangrando nossos corações em lembrança de um passado que teima é insiste em separar não nossas classe social,ou nossa cor da pele mas "sim"os filhos do criador,desde os tempos dos meus pretos velhos na senzala.Eles não deixaram implantado,à raiva odio magoa para seus descendentes vazerem justiça em lembrança de seus sofrimento.
Mas eles sabiam sofrer calados,humilhados,para que um dia seus irmãos da mesma cor usassem a liberdade que eles não tinham para serem felizes.(Eu derramo minhas lagrimas)
Sabem porque? Se não está as mil maravilhas! mas nunca será como foi para eles.Hoje os negros são livres...Livres de explessão...Livres para ir é vinr,quando quizerem em vez de se unirem ir para as ruas,gritar...Bater o pé pelos seus direitos.Se sentem injustiçados,acoados
revoltados carregando uma dor, um preconceito que só o proprio negro tem.Peguem o exemplo
do presidente dos Estados Unidos BARACK OBAMA(ou ele não é negro?)Ele soube fazer justiça foi à luta,soube lutar fazer justiça a cada negro que sofreu no tronco.Hojé um negro decide a vida de uma nação.É aqui nos temos outros que só reclama por um lugar na facudade,um trabalho mais ou menos.isso porque é Brasil, não pense que vão ter um belo cargo com um salario maravilhoso, porque isso é o SONHO de todos os brasileiros...Há! cansei.Mais saibam que eu tenho o maior orgulho do meu povo das senzalas eles sofriam é sabiam perdoar porque acreditavam,que eles é os seus senhores eram diferentes na cor.Mas por dentro eles sorriam por acha-los inguinorantes por não saberem que tinham a mesma cor de sangue pois eram filhos do mesmo Criador.Eles deixaram nas suas raizes com muita sabedoria,que naquele tempo,ou depois de quatrocentos ou oitocentos anos continuariamos"Irmãos"na cor de sangue,é
na alma pois eram é continuariamos sendo filhos do mesmo PAI.Porque o nosso Criador,é um só" DEUS",um só PAI de todas as criaturas vivente na terra é continuará sendo até que nós tornemos sua imagem é semelhança na COR no AMOR...é no PERDÃO.
UM Forte Abraço!
Comentário de jorge amancio em 20 junho 2010 às 1:34
O Demo-estatuto prova que nós negros brasileiros herdeiros da escravidão
somos calados, incapazes de nos mobilizarmos. Acorrentados a exclusão
mais violentas que o açoite, mais violenta que a decapitação, nos tiram a
saúde e educação e nos jogam na insegurança na desinformação,
na ignorância, na desoportunização.
O que o Demo-estatuto fez com a gente é chamado de APARTADO.
Um AxéLuta
jorge amancio
Comentário de FABIO HENRIQUE em 19 junho 2010 às 19:22
Faço das palavras da NELZA JAQUELINE as minhas poucas palavras , não da pra deixar de lado o sofrimento que passaram nossos antepassados que lutaram pela sua própria liberdade e que pós "ABOLIÇÃO " foram jogados nas ruas e que não tiveram oportunidades de se estruturar como tiveram os imigrantes que vieram pro nosso país para "BRANQUIAR " a sociedade .
Até acho os comentarios da EDILAMAR BARBOSA bem consistente mas dentro do estatuto o trecho mais importante , ou um dos , era das cotas raciais que aumentaria sim como disse nossas amiga NELZA JAQUELINE a representatividade do povo em todos setores da sociedade inclusive no qual eu faço parte que é da TV .
Comentário de Nelza Jaqueline Siqueira Franco em 19 junho 2010 às 17:58
Epa! Eu quero entender um pouco do que tu está falando porque está um tanto confuso... em relação a italianos e demais imigrantes que para cá vieram com a intenção do branqueamento deste país, ao menos aqui no sul, já contavam com lugar destinado, mesmo que fossem serras e picadas ao quais desbravaram e implantaram o seu modo de produção, tinham mal ou bem a posse das suas terras e incentivos para aqui estabelecerem-se, a história em nada compara-se a do povo negro. Quero continuar falando de faculdade sim e de cargos públicos almejados porque não vejo a representatividade da população negra neles, nem como representantes do povo, nem na TV... não vou deixar de lado o sofrimento dos nossos antepassados que fizeram muitas coisas sim, para resistir a dominação que lhes foi imposta. Não é questão de amargura e sim justiça. Negar a história de maneira alguma é a solução!
Comentário de Edilamar Barbosa Fuger em 19 junho 2010 às 15:59
Caras amigas!

Estou tendo a certeza de ter sido mal interpretada.
Quero com o meu ponto de vista falar que à qui no Brasil,não esta
tendo diferença entre negros é brancos, é achar que não! é substimar
a evolução é o merecimento não só dos negros,mas de muitos outros que
unirão na chamada guerra fria que eu sitei...Acaso não se lembre,quando
deram por fim a escravidão dos negros no Brasil, chegaram navios abarrotados
de "Italianos" que também foram escravizados nas lavouras de café,algodão,cana etc.
Também quero dizer, que qualquer individou que não estiver a par de seus direitos,das
leis é estatutos "é" e serão escravizados.Os empregados domestico por não conhecer
seus direitos são escravos,funcionarios de grandes emprezas por não conhecerem ou
não quere comprar uma chamada briga, por medo de ser despedido se calam deixando-se
escravizar. Não vamos mais falar das faculdades,ou serviços publicos,pois quem chegou lá
chegou,otimo! tem muito mais para nos preocuparmos.Desde o inicio eu afirmei é continuo.
Não quiz, é nunca vou querer o individualismo, porque só não conseguimos nada. Leiam a minha
resposta anterior: Eu falei que alguem faz os estatuto.(O que é estatuto?)É uma lei orgânica de
um Estado dando direitos à uma sociedade,então quem deve lutar por tal direitos? quem as
recebeu,é não quem as fez."Vou continuar com a pregação",vamos deixar de lado os sofrimentos
dos nossos antepassados(não pesso para esquecer)Vamos viver é lutar pelos nossos direitos
no aqui é agora,não percamos tempo reclamando pelas injustiça de tantos anos,o hoje é que
vai fazer a diferença.Não vamos deixar para o depois,para que nossos bisneto,tatáranetos venha
lastimar por nos.Quero é que, unimos em uma só corrente,todos com um só objetivo,vamos falar,
bater o pé, por uma vida melhor,é aqueles que são fracos,por medo ou acomodismo não vamos
deixa-los de lado,vamos pega-los pelas mãos é arrasta-los para a evolução, para um Brasil
melhor.Se o suor,o sangue já derramado não se fez justiça,não vamos derramar sangue, mas o suor que derramarmos aqui é agora no presente,venha no futuro ser respeitado é valorizado por
aqueles que hoje são pequeninos, ou por aqueles que vem depois deles, que serão nossos poli-
ticos...Futuros governadores,deputados, senadores que terão historias vérdicas é até humilhada
é sofridas,mas tera orgulho ao falar que são Brasileiros homens de bem,pois são justiceiros de
uma grande nação...Lembraram-se de nós, seus antepassados que se unirão é foram a luta por
eles.Hoje, ainda sofremos por carregarmos as injustiça feita contra nosso povo.Não vamos conti-
nuar amargurados é presos no passado tão distante, naquele tempo eles não podiam fazer nada
hoje nos podemos,Pensem nisso! Esqueçamos as diferenças racial vamos nús unir hoje sendo
guerreiros, para que no amahãm possamos ter grandes homens,pois pelo amor é pela evolução do nosso conhecimento social é espiritual, deixaremos aqui na nossa terra patria chamada Brasil,
herois do bem, para nos homenegear em lembraça do esforço que juntos fizemos para que eles
vivesse em um país melhor.
E só isso que quero! Que não se esqueçam, juntos venceremos!Perdoem-me.
Um Forte Abraço.
Comentário de Nelza Jaqueline Siqueira Franco em 19 junho 2010 às 12:48
Precisamos de mobilização, organização e luta!!! Somos maioria nesse país mas temos que agir coletivamente...

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