REFLEXÃO DE UM ABIÃ

ABIÃ EM BUSCA DO SANTO GRAAL

Quando vemos as coisas através dos mitos e arquétipos transcendemos. E não pode recorrer num erro que o sincretismo nos enfiou goela abaixo de submeter cultos afro-brasileiros e demais religiões animistas sob a tutela moral do cristianismo, e procurar sempre similaridades muitas vezes onde se vê disparidades concordo com Joseph Campbell quando afirma que o grande equívoco do cristianismo e entender a Bíblia como uma história real e não como Mito. O importante é sabermos que o mito é algo vivo dentro de nós e é o que forma e liberta nossa própria estrutura psicológica.

O Abiã no candomblé é o que comete as Gafes, com o direito adquirido de perpetrar mas não deixa de ser um alienado e existencialmente solitário. É um pobre que realmente pouco sabe sobre um ritual que esta se iniciando, mas sente que é de uma complexidade fascinante, por conta disso faço o paralelo com o Mito do Santo Graal (já que o combinado é olharmos pela ótica dos mitos), contudo quando decidi pelo Candomblé, já vinha de um questionamento profundo,passando pelo materialismo ateu a esquerda festiva, me entreguei às artes cênicas mas o Orixá sabe como encaminhar seu filho e assim a transição de universo e visão de mundo foi ,como o modernista Osvald de Andrade disse: “temos que mergulhar num profundo ateísmo para atingirmos a verdadeira imagem de Deus” esse é o meu processo,fez do meu ceticismo instrumento para definir meu caminho e consciente da longa jornada e peregrinação que iniciei para construir uma base sólida para melhor servir meu orixá, no meu primeiro contato com Pai Toninho de Xangô ele após de proferir o jogo de búzios fez seguinte comentário “é lamentável que você tem um potencial grande porém está, doente espiritualmente” essa afirmação do babalorixá me arremeteu ao mito onde O Castelo de Graal que passa por problemas porque o seu rei está ferido, por se queimar com um salmão que assava num espeto, e com as feridas de Fisher King (o Rei) que não se cicatrizam o faz sofrer justamente pela sua incapacidade de tocar as coisas boas, a felicidade que tem ao seu alcance, esta incapaz de tocar o cálice sagrado O Graal, e anunciou-se que sua cura dependia do bobo da corte,um tolo, de nome Parsifal.

As feridas em mim representam os percalços que a vida me apresentou e que hoje percebo que são responsáveis por estar aqui escrevendo essa coluna, o que considero um orgulho, fruto do que pedi em minhas orações ao meu Orisá, a minha cabeça,que me desse, sabedoria, e com a força de um raio, lançou-me a escola da vida, onde aprendi que amor é dor e que viver é morrer,e que vivemos todo momento para renascermos novamente .Aí esta o paralelo que faço com o mito do Santo Graal, onde me usufruo de toda a simbologia que há em cima do Abiã do candomblé e tempero com o lado ingênuo do Parsifal, que precisa integrar a vida do rei para que se de sua cura; o que segundo Robert A. Johnson Freqüentemente é aquele algo ingênuo e tolo num homem que começa por cura-lo; e ele precisa aceitar a idéia , precisa ser humilde o suficiente e encarar o seu lado jovem ingênuo , adolescente, e tolo, e então começar a cicatrizar a ferida do Fisher King.”o que vemos até numa citação bíblica: “Se um homem não se tornar criança outra vez, não entrará no reino dos Céus” .

Abiã é a criança que quando repreendida por algum erro, Censor balança a cabeça e com o olhar de autoridade e por vezes generosidade, é fato que seja qual for sua colocação dentro da Casa de Candomblé (ao menos que depare com outro Abiã), ele com certeza exerce uma posição Hierárquica acima do iniciante. Bom com certeza, esse Abiã que vos escreve, está “chovendo no molhado” para uma boa parte dos leitores,mas vale posicionar esse ser de cara tímida dentro dos Ilê’s .Porque essa coluna procura mostrar forma de um iniciado ler ou procurar entender dentro de sua visão de mundo, o universo estético ritualístico, e filosófico que o reino dos Orixás representam a todos nós, e curar a minha ferida para morrer, e renascer como uma Fênix junto com meu orisá . AXÉ!

Sérgio Cumino

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Comentário de Denise Guerra em 19 fevereiro 2010 às 10:35
Oi Sérgio, chegou para mim uma resposta sua ao meu último comentário, mas, não havia nada nesta resposta, vc tentou responder algo e falhou ou foi sem querer que este email chegou para mim? Saudades de ocê!
Comentário de denice fatima batista em 19 fevereiro 2010 às 0:10
sou leitoura acidua de texto e poesia,sempre buscando algo interessante,agora encontrei...parabens sergio cumino,,

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