ABIÃ - UM EMBRIÃO COM A PALAVRA

Temos pouca literatura sobre o Candomblé no Brasil, pelo menos no não montante que deveríamos ter, mas já encontramos uma trilha literária séria,quase séria, surrealista e até preconceituosa como o desserviço que é o Livro do Edir Macedo sucesso em vendas “Orixás Deuses ou Demônios”. Bom o objetivo dessa coluna é ser providencial com um olhar diferenciado dos demais é paradoxal por tratar questões ritualísticas e profundas por aquele que pouco ou nada sabe sobre o ritual, mas nele se encontra. A idéia de criar uma coluna justamente por um principiante, vem ao encontro de elucidar por a luz duvidas reflexões e conexões a partir de uma visão virgem do candomblé e a certeza que muitas questões atinge todas as castas não tão inocentes assim , afinal uma coluna cuja assinatura é de um tipo Parsifal “tolo ingênuo” enveredando pelos cultos afros brasileiros, e através dessas duvidas alçadas construa-se caminhos, quiçá, contribuições. Quando questionamos as especificidades literárias de fato são limitadas, mas ao meu ver pela própria estrutura do Candomblé vale citar quando Roger Bastide assim como Pierre Catumbi Verger que se dispuseram a criar uma literatura aprofundada ou melhor mais vertical que a que produziram e deixaram a nota que mais que tenham sido iniciados, dando obrigações e hoje considerados verdadeiros ícones,concluíram que o segredo, os mistérios e ritual devem ficar onde de direito estão dentro do ronco entre as paredes do Ile, quem se inicia passa a entender melhor esse posicionamento.
É sabido, que o candomblé é uma religião em movimento, em transformação, que passa por questões que variam desde a psicologia , sociologia, cultura,sincretismo, africanização,miscigenação e etc.. E que a cada casa há uma interpretação desses fatores muito pessoal e por vezes divergente de acordo com o conhecimento ou ignorância ancorados nos valores do responsável ou zelador, o que torna distante a realidade de ter uma doutrina filosoficamente coesa, quando nos referimos a cultos afro-brasileiros, e o que é pior o que muito se vê, são pessoas ligadas ao “povo do santo” que olha a religião como sombra dos cultos Judaico-cristãos, adaptar uma moral monoteísta, a religiões inteiramente ritualista e animista. Esse tema merece um tratamento mais extenso e profundo,o citei para apontar a triagem que procurei fazer e encontrar um caminho em que posso abordar o tema dentro de uma ótica que possa interessar as pessoas ou até mesmo confortar algumas também iniciantes. Venho pensando nessa questão quando o Pai Toninho de Xango me fez esse convite para escrever para Revista Candomblé Mundo Místico dos Orixas a referida coluna, no momento contestei dizendo que me faltava muito, o que é fato, para inserir um texto sobre Candomblé,já imaginando olhares críticos recheados de desdém egocêntricos da cadeia hierárquica do candomblé,portanto intuía nesse convite,e intuição no ritual é coisa que não podemos desprezar, uma forma como diria na psicologia Junguiana de encontrar a minha individuação uma trilha para alcançar o Santo Graal ou melhor aguçar minha percepção para construção do meu axé. Escolhi um caminho que pouco se fala e que preserva a singularidade e ao mesmo tempo universaliza que é entendermos o candomblé ou melhor nós mesmos através da mitologia universal, essa visão me tocou a primeira vez quando vi uma entrevista com o Cantor e compositor e Ogã Gilberto Gil, quando ele relaciona o candomblé como uma força mitológica tão importante quanto à mitologia Grega, o fascinante é descobrir que tudo que cultuamos encontramos nos Mitos do mundo inteiro, e que partilhamos de arquétipos afins, isso que Jung chama de inconsciente coletivo, portanto essa ótica valorizando o mito, me parece ser mais útil,do que essa visão dualista cristã. Bom x mal , “virtude x pecado”, positivo x negativo, céu x terra, e que Deus está lá no céu junto com seus anjos celestiais e nós aqui esperando o juízo final.
Sérgio Cumino

Exibições: 143

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Comentário de Denise Guerra em 15 dezembro 2009 às 15:58
Oi meu querido, lerei depois com calma, agora estou em fase de conselho de classe e fechando notas das crianças, um stress só. volto em Breve! Bjs!
Comentário de Sérgio Cumino em 15 dezembro 2009 às 2:13
Olá Denise......desculpe a ausencia...mergulhado num projeto....coloquei ai mais um texto ....espero que goste...bj
Comentário de Denise Guerra em 10 dezembro 2009 às 13:58
Olá Sérgio, obrigada pelos contatos, pela delicadeza e pelos incentivos! Acho que pesquiso e escrevo algumas coisas que as pessoas gostam, mas, não sou exatamente uma escritora, apenas alguém que tem pesquisado e escrito o resultado destas pesquisas. Também é recente minha atividade de publicar o que penso, então, devo estar ensaiando, quem sabe se estiver escrito (nas estrelas, no Ifá) um dia eu me encaminhe para este lugar de escritora. De qualquer forma tenho muito que ler, especialmente textos como os seus. Seja bem-vindo à revista África e africanidades. Tem um outro site onde vc pode encontrar alguns daqueles textos meus que viu na primeira revista e mais um que só foi publicado lá; como é um site muito interessante para que vc conheça outros pesquisadores (caso não conheça) vou indicar http://www.africaemnos.com.br é um site da secretaria de educação, cultura e de relações étnicas de São Paulo, visite o site quando puder, e o texto é "Os sons dos negros no Brasil...", tem um resumo no meu blog também. Bjs! Axé!
Comentário de Sérgio Cumino em 9 dezembro 2009 às 22:21
Olá Denise, O HOMEM E OS SEUS SÍMBOLOS do Jung, eu o conheço e tenho um exemplar dele, é uma obra referencia. Denise você tem um jeito que me chama a atenção, e que vem ao encontro com a minha decisão de colocar artigos, reflexões
aqui no Correio Nagô, o intuito era realmente para abrir conexões, novos caminhos, me dar para receber, e quando vier aproveitar a oportunidade oferecida, digo isso porque você veio, recebeu de forma carinhosa, claro me provocou uma curiosidade, e fui a você, e me deparei com uma escritora muito talentosa, fui a revista virtual a qual escreve, e já faz parte dos meus favoritos. Síntese. Não estou certo que ensinarei alguma coisa como afirmou com tanta propriedade, mas abriu uma porta de conhecimento, uma pela atitude generosa e simpática que apareceu, outra pelo talento que lhe é próprio. Um grande beijo, Axé!
Comentário de Denise Guerra em 9 dezembro 2009 às 20:06
Olá Sérgio, Obrigada pela atenção. já tive contato com a obra de Jung, mas, há um bom não tenho estudado este autor pois, parei de trabalhar com a Musicoterapia para me dedicar ao magistério. Também tive oportunidade de ouvir falar do autor Joseph Campbell, embora não o tenha estudado. Atualmente trabalho como profª de Educação Fisica e pesquiso sobre cultura, especialmente Dança e Música. Faço parte da Revista http://africaeafricanidades.com escrevendo para a coluna Corpo:Som e Movimento. A dança além dos trabalhos de pesquisas é um prazer para mim, a música o motivo da dança, e os dois de forma lúdica se completam e me encantam. Agradeço pela indicação bibliográfica e principalmente por saber que vou poder aprender um pouco mais com seus textos e trabalhos, numa área que como vc disse tem poucas pessoas escrevendo com maior compromisso. Conhece o livro O HOMEM E OS SEUS SÍMBOLOS do Jung? Obrigada pela cordialidade! Axé!
Comentário de Sérgio Cumino em 9 dezembro 2009 às 17:47
Olá sou grato pelos comentários, e feliz que o texto tenha aberto um canal de comunicação. Cara,Denise, pretendo fazer desse espaço, um local para difundir o que escrevo, porque acredito se o que escrevo diz alguma coisa as pessoas, essas apareceram. Dei uma olhada na sua pagina, e percebi que trabalha com dança, aí começamos a ver que existem mais coisas em comum, do que uma reflexão. Vou procurar colocar um texto novo por semana, e assim dar movimento ao blog e verticalizar as relações, quanto às indicações quando encontrar algo interessante para você eu encaminho. Bom começo para entender essas inter-relações míticas, é o Jung, o que tem me fascinado é o Joseph Campbell ,MITO E TRANSFORMAÇÃO. Que Oxalá a abençoe. AXÉ!!!
Comentário de Denise Guerra em 9 dezembro 2009 às 14:02
Caro Sérgio, Parabéns e obrigada por este texto tão bem fundamentado e esclarecedor. Não sou religiosa de nenhuma denominação, no entanto, acredito que a tolerância e o respeito são o melhor caminho para todos. Gostei muito da sua fala sobre os mitos do mundo inteiro, especialmente no que cita sobre o trabalho de Jung quanto ao estudo dos arquétipos e de culturas tão valorizadas como a mitologia grega. Costumo fazer algumas correlações nas pesquisas que faço sobre cultura, eis que em alguns momentos são os mitos africanos que comparecem para sustentar os meus estudos. Gostaria de ler outros textos seus e aceito se for possível sugestões bibliográficas sobre os mitos africanos. Um forte Abraço! Axé! Denise Guerra. Blog http://afrocorporeidade.blogspot.com email:denise.guerra@yahoo.com.br

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço