África: velhas feridas entre dois novos países

     O Sudao do Sul nasceu ha mais ou menos 6 meses sob muita festa, e tambem muita fanfarra. E verdade que a divisao desta imensa regiao nao ira melhorar muito a vida dos milhoes de destitutos nos dois novos paises. Recentemente, uma enraizada disputa etnica que estava supressa em nome do nascimento do Sudao do Sul veio a tona, com isto matando centenas de africanos.

     Nem mesmo o novo governo do sul e apoiado pelo EUA, e a ONU, esta conseguindo frear o que muitos consideram um verdadeiro massacre humano. Estima-se que o total da mais recente carnificina esta acima de mil mortos. Mas especialistas da regiao dizem que o numero pode ser o dobro do anunciado.

     Os EUA juntamente com outros paises do Ocidente investiram pesado no Sudao do Sul, esperando com isto o surgimento de um pais um pouco mais estavel, e com niveis de tolerancia melhores em relacao as centenas de tribos etnicas espalhadas pelo pais.

     A esperanca dos paises do Ocidente era de que com o surgimento do novo Sudao do Sul, eles teriam um aliado numa regiao altamente explosiva. Ao invez disto, o que esta ocorrendo e que milicias altamente armadas como se fossem pequenos exercitos estao marchando pelas pequenas vilas aterrorizando suas populacoes com impunidade, e com a intencao unica de cometer genocidio.

     "Nos decidimos invadior o territorio Murle e apagar do mapa a tribo Murle inteira", disseram os agressores de uma tribal rival chamada Nuer. O aviso do ataque foi feito publicamente.

     Esta ultima carnificina foi concluida com a colaboracao de sudaneses vivendo fora do pais, principalmente os que vivem nos EUA. O responsavel pela arrecadao de fundos para estas milicias foi o senhor Gai Bol thong, um refugiado da tribo Nuer que declarou sua intencao de matar todo mundo que pentercesse a tribo Murle. Tempos depois ele mudou sua declaracao dizendo que iria matar somente os soldados murle e nao os civis.

     Apesar de saber antecipadamente dos ataques, os 3 mil soldados da paz estacionados no novo pais nao dispararam um tiro sequer, dizendo que estavam em minoria, e que poderiam ser facilmente massacrados.

     O governo do Sul reluta em intervir nestes massacres, principalmente porque o proprio governo e composto por grupos etnicos distintintos que lutaram entre si durante a longa guerra civil antes do antigo Sudao ser dividido em dois. Esta paralisia torna a regiao mais volatil ainda.

     Hilde F. Johnson, lider da missao da ONU no Sudao do Sul, disse que os soldados da paz avisaram aos moradores que os agressores estavam chegando. Porem, ela argumenta que as tropas da ONU tinham poucas opcoes, a nao ser ficar ao lado observando. "Protecao de civis nas areas rurais, e em toda regiao, seria possivel somente com um numero bem maior de soldados", ela disse.

     Muitos sobreviventes relataram de mortos ao seu lado. Uma senhora chamada Ngadok recebeu um tiro no pe enquanto fugia carregando seu bebe nas costas. Ao cair, ela disse que os atacantes pararam ao seu lado e executaram seu filho com um tiro na nuca.

    "Nao estou pensando em nada agora", ela disse olhando para o pano branco usado para montar a clinica medica temporaria. "Meu bebe esta  morto." Disse ela mais uma vez resignada.

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