(..."Alice - Gatinho de Cheshire, poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?

Gato - Isso depende muito de para onde quer ir.

Alice - Para mim, acho que tanto faz...

Gato - Nesse caso, qualquer caminho serve...." )

..........

Falando de eleições municipais e admitindo a existência de uma estrutura de cidade 'ideal', o cidadão que concorresse a uma vaga no legislativo municipal deveria ser uma pessoa habilitada a assumir um papel que exige competência na criação de políticas públicas capazes de provocar impactos positivos na sociedade.

Para que se possa criar tais ações parece ser necessário, entre outras competências, o conhecimento das demandas sociais existentes e de como funciona a máquina administrativa da cidade e seu legislativo municipal, um ente essencialmente identificado com as necessidades coletivas, sempre envidando esforços para transformar a realidade pela criação/aplicação de leis e, ao mesmo tempo, instrumentalizado para fiscalizar o seu cumprimento.

Contudo, parece que ainda estamos bem distantes da construção de uma estrutura assim. São muitos os fatores que concorrem para frear as proposições de mudanças significativas. As interferências, geralmente advindas da influência do poder econômico e/ou das disputas entre partidos políticos dominantes contribuem, em grande parte, para dificultar a implementação de políticas públicas que possam reduzir as desigualdades, criando assim um cenário "perverso" onde os direitos do cidadão não são amplamente garantidos.

O que normalmente salta aos olhos (basta ler jornal e assistir televisão), são atitudes de cidadãos que, uma vez eleitos ou nomeados para o exercício de tão importantes funções no sistema - e que por isso mesmo deveriam obrigatoriamente ter compromisso com o social e uma consciência ecológica desenvolvida -,  contrariam tais premissas demostrando despreparo, desrespeito e desprezo pela coisa pública, ou rendendo-se à hipocrisia e manipulação de informações em favor de si mesmos e dos grupos econômicos que sempre estão concorrendo pelas melhores oportunidades financeiras criadas na estrutura de uma cidade. O PDDU da Copa que o diga.

Entretanto, o que mais me surpreende não é a exposição de fatos já banalizados pela grande mídia - até por ela, quem diria - nas matérias pasteurizadas dos telejornais, onde a aparente indignação do jornalista precisa transmutar-se, em um segundo, para dar lugar ao próximo bloco futebolístico ou metereológico. Não. Minha surpresa, ou melhor, meu crescente aborrecimento vem da clara percepção de que nasci e cresci em uma estrutura que tem sido muito eficiente ao anestesiar as mentes das pessoas da minha geração, além da juventude que aí está, e que isso acontece de uma forma cruel e insidiosa, nos confinando em um sistema de crenças que amortecem a ação firme contra qualquer coisa que se revele como ameaça ao exercício da cidadania.

Seja nas conversas de boteco ou no transporte coletivo, invariavelmente lotado; seja nas filas de lotéricas ou do SUS, não importa onde, muitas das conversas sobre o desempenho dos nossos governantes e legisladores ainda permanecem reféns de um senso comum amofinado, num ambiente psicológico onde não se aprofundam assuntos considerados polêmicos, como se o pressuposto ali instalado fosse o de que "nada se pode fazer contra esse sistema de coisas", ou de que "somos pequenos diante de tudo isso" , sendo que nós mesmos contribuímos para manter essa realimentação, a cada eleição.

Se é assim mesmo, então...que mandala miserável essa, viu?... será que não chegou a hora de pararmos de cair indefinidamente no buraco sem fundo desse País das Maltrapilhas ? ...desse BaianoSystemZumbi ? ... dessa Cidade-Urinol pré-Copa 2014 ? ... esperando que algum chapeleiro maluco do DEM, PSDB, PT ou PC do B nos oriente e nos ilumine a consciência sobre o que precisa ser feito? Acredito que muitos de nós sabemos intimamente o que deve ser feito, porque os resultados das injustiças, dos desmandos e das falcatruas estão bem aí, estampados na cara dos mendigos, nos buracos das ruas, nos sorrisos mortos das pequenas 'Alices' que se vendem em sinais fechados. Tá tudo aí.

E vem mais uma eleição aí. Mais uma vez elegeremos 41 vereadores para...para o que mesmo?? Não sei. Não sabemos. Mas sabemos que eles receberão [R$57.200,00 x 12(meses) x 41(vereadores)] x 4(anos) = R$112.569.600,00 (cento e doze milhões quinhentos e sessenta e nove mil e seiscentos reais) para, nos próximos quatro anos, realizarem coisas.

Só não sabemos ainda o que, para que, nem tampouco para quem.

Queremos saber?

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