Angola e uma colonia penal construida numa ex fazenda de escravos, e esta localizada no sul dos EUA, mais precisamente no Estado de Louisiana. Ela e tambem a maior penitenciaria de seguranca maxima no pais. A populacao atual de prisioneiros e de aproximadamente 5 mil. A area onde o presidio esta localizado e maior do que a ilha de Manhattan, cercada por todos os lados pelo famoso rio Mississippi, numa atmosfera que ainda lembra bastante o sul dos tempos da escravidao. Angola ja serviu de cenario tanto para documentarios como para filmes. Entre eles estao: "Monster's Ball", "The Farm" e "Dead Man Walking".
Para os sulistas, e em especial os afro-americanos, Angola e nao so uma prisao, mas tambem um estado de espirito, uma reliquia de um tempo de antes da era dos direitos civis, quando a supremacia branca era o costume, e a segregacao racial era a lei. Poucas pessoas sabem melhor desta historia do que o senhor Wilbert Rideau, um condenado que passou 44 anos atras das grades pelo assassinato de uma bancaria branca em 1961. A maior parte de sua pena foi cumprida em Angola.
Recentemente o senhor Rideau publicou um candido livro de memorias chamado "In The Place of Justice", falando de um garoto que deixou o ensino medio, escapou de ser eletrocutado, e tornou-se um jornalista renomado. O senhor Rideau e uma comodidade rara, ou seja, ele saiu bem melhor da prisao do que quando entrou. Os detalhes do seu crime ainda sao bastantes discutidos. Apos raptar o gerente de um banco juntamente com mais duas funcionarias, o senhor Rideau disse que estava pronto para liberta-los quando uma das refens pulou do carro, e o gerente tentou domina-lo. O senhor Rideau atirou ferindo os tres que corriam. Quando uma das mulheres levantou-se, ele escreve "Eu a esfaqueei, e depois corri para o carro. Os sobreviventes contaram outra historia, dizendo que o senhor Rideau atirou a queima roupa, e que a vitima implorou por sua vida.
O senhor Rideau foi julgado 3 vezes. Em cada uma delas foi condenado a cadeira eletrica. Por causa de suas apelacoes sua execucao foi sendo protelada. Em 1972 a Suprema Corte dos EUA votou para abolir a pena de morte como era ate entao praticada. A Suprema Corte afirmou que as leis em vigor eram tao arbitrarias que constituiam punicao e crueldade fora do comum. Contudo, a Suprema Corte nao disse que a pena de morte era inconstitucional, somente a maneira que ela era aplicada. Os Estados eram livres para buscarem suas propias solucoes com relacao a pena de morte. Muitos deles fizeram exatamente isto. Enquanto esta discussao ocorria 587 homens e 2 mulheres receberam um novo parecer. A vida do senhor Rideau foi poupada.
A vida diaria dos prisioneiros era tao dura que Angola era conhecida como inferno em vida. A penitenciaria usava os proprios prisioneiros como guardas. Todo mundo carregava uma arma como protecao, geralmente uma lamina. Os prisioneiros mais fracos eram feitos escravos. Escravidao era comum dentro das paredes da prisao. O senhor Rideau escreve, "1/4 da populacao carceraria vivia em servitude." Homens eram vendidos e trocados como animais. " A unica saida para o escravo", o senhor Rideau explica, "era o suicidio, escapar, ou matar seu senhor." Magro e pesando um pouco mais de 70 kilos, o senhor Rideau parecia a presa ideal. Entretanto, o que o salvou foi o respeito que ele ganhou por livrar-se da cadeira eletrica. O que ajudou imensamente o senhor Rideau dentro da prisao foram os l ivros que ele lia constantemente na solitaria. "A leitura ultimamente permitiu-me sentir empatia, por causa disto sai do meu casulo como sendo o centro das atencoes, e pude apreciar o fator humano nos outros. Finalmente pude ver melhor a enormidade do ato que cometi.
Reformas chegaram a Angola no meio dos anos 70, ajudada pela intervencao federal. O novo diretor da prisao convenceu o senhor Rideau que ja havia escrito para diferentes publicacoes a editar a revista da prisao chamada "Angolite", na esperanca de um novo dialogo com os prisioneiros. O senhor Rideau transformou uma publicacao moribunda numa leitura obrigatoria tanto para as autoridades, como tambem para os prisioneiros, e tambem grupos de direitos humanos. Artigos eram escritos contando as atrocidades cometidas em Angola, tais como: estupros, escravidao, corpos enterrados com papelao, etc. O senhor Rideau acreditava que a prioridade numero um era a seguranca fisica dos prisioneiros, juntamente com a necessidade de diciplina e ordem.
Ele via tambem a vida na prisao como uma negociacao delicada. Os prisioneiros tem o poder de desobedecer, rebelar, sabotar, e de violencia. " Ele escreve, "A paz dentro de uma penitenciaria de seguranca maxima depende de seu sucesso no consentimento que vem de um entendimento mutuo, e da acomodacao rasoaveis de senso comum em quase todos os niveis de interacao."
Em retrospecto, ele acusa a comunidade afro-americana de te-lo abandonado. "Acho ironico que me socializo mais com a sociedade branca", ele nota. " Mas isto e porque todas as pessoas que tentaram me tirar da prisao eram brancas." Em 2005, o homem que a revista LIFE chamou de o prisionerio mais rehabilitado dos EUA, ganhou um novo julgamento. Desta vez ele foi acusado de homicidio involuntario, e nao assassinato em primeiro grau, e o juiz o sentenciou a um termo de 21 anos, o maximo permitido. "Porque eu ja havia cumprido o dobro disto", ele explica, " Fui solto no ato".

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