Agba, Egbonmi, Aburo e Amigos

Tumba mi,



Envio um texto do Professor José Beniste para que vocês leiam com o devido cuidado, reflitam e discutam entre os irmãos e amigos da religião, sérios, interessados e preocupados com os rumos gerais que o Candomblé poderá tomar.

O texto é parte integrante do livro Mitos Yorubás, lançado pelo autor em 2006. Nunca ouvi nenhum comentário da parte de ninguém sobre os tópicos lançados pelo autor para discussão. Acho a proposta válida, pois ele, que é Ogan do Opô Afonjá do Rio de Janeiro e tem vasta pesquisa na área há muito tempo, apresenta questões pertinentes e polêmicas para uma avaliação do futuro da nossa religião, fazendo uma provocação ao povo de santo para sair de um lugar que, frente a minha curta mas cheia experiência, acredito ser mais que necessário: o lugar da omissão.

Temos nos omitido frente aos abusos da intolerância religiosa como uma ação passiva que não nos resguarda de novos ataques; temos nos omitido frente aos abusos cometidos por pessoas que se dizem membros e sacerdotes da nossa religião que só contribuem para deturpação dos nossos valores e práticas; temos nos omitido frente a uma série de posturas anti-éticas intra-muros dos terreiros que não cabem e nunca couberam nas relações humanas e nos princípios que fundamentam o Candomblé.

Eu, em pouco tempo de vida e de religião, já ouvi, vi e vivi coisas que estiveram relacionadas ao Candomblé que hoje sei tratar-se de práticas abomináveis, porque também pude ouvir falar, ver e viver um mundo diferente e rico desta religião para aprender, sobretudo, a não ser e não fazer uma série de coisas; a não parecer como uma porção de gente e a não adotar uma série de atitudes e posturas, que no mínimo, poderiam ser classificadas como equivocadas.

Os pontos estão postos no texto, são realmente provocadores e cabem uma grande discussão e reflexão. Não precisamos concordar nem discordar de todos. Precisamos é discutir da maneira mais ampla possível. É preciso promover um levante do povo de santo, como propõe o autor, para pensar como um todo, e não como Casa de Santo, o futuro da religião. À lista, acrescentemos outros pontos que acharmos necessário.



Felicidade e saúde à todos!

Rogério e Lívia, à vocês meus irmãos, os meus respeitos e mais alto apreço!
-Somos fortes como a montanha; Oxossi nos deu a vida!-


Kì Olorun só wà moju ó
Que Deus nos guarde até o amanhecer



Adinelson Filho
Olorixá Odé N'Ilê Axé Opô Oxogun Ladê

BENISTE, A descaracterização do candomblé: uma avaliação da atual situação religiosa, IN: BENISTE, José. Mitos yorubás: o outro lado do conhecimento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. pp. 287-303

Em nossa obra Orun Aiye, o encontro de dois mundos, fizemos uma observação nas conclusões finais do livro acerca dos problemas atuais para o futuro do Candomblé. Na oportunidade, referimo-nos aos estudos que o culto mereceu ao longo dos anos por escritores brilhantes em suas áreas cientificas, mas que não foram felizes nas observações pertinentes à religiosidade afro instalada em nossa terra. A religião nem sempre foi feliz quando estudada por observadores de fora do seu meio. Carneiro, Bastide e, sobretudo, Verger, para citarmos os participantes de um determinado período, executaram bem suas obras, graças a uma participação maior nas comunidades onde foram iniciados ou que pelo menos, tiveram um acesso franco e aberto. A grande maioria pertencente a outras crenças se deixou levar por conceitos pessoais, motivando interpretações injustas e sem embasamento cientifico. Isto concorreu para se entender o Candomblé como qualquer coisa, menos uma religião organizada com seus conceitos de crença perfeitamente definidos.

Esta situação conduziu a tantas outras, que serão devidamente relacionadas mais adiante, a ponto de gerar encadeamento que permitiu verificarmos que o Candomblé não possui nenhuma forma de resistência diante desses absurdos, como se ele fosse “terra de ninguém”. Excluindo as comunidades seguidoras de padrões tradicionais e devidamente conhecidas por este motivo, a maioria se deixou levar por uma onda de modismos e mudanças sem qualquer critério, a ponto de ogans se arvorarem à condição de Babalorixás. É necessário haver uma reapropriação da religião, impedindo, assim, que continuem a usá-la indevidamente, por não estarem integrados a ela. É um processo de reconquista e, portanto, uma tarefa dolorosa. Vive-se uma época de contestações, de apuração de responsabilidades e avaliações. O Brasil esta sendo passado a limpo e se encontra numa fase de conhecimento. O Candomblé precisa criar a consciência do desafio e da não omissão[1] para ser devidamente reconhecido neste século que se inicia, como referência de religião brasileira.

A partir desse pensamento, elaboramos um ensaio sobre as mudanças e transformações disciplinadas de que o Candomblé necessita, em face da forma desorganizada e comprometedora como elas vêm ocorrendo. Para esta avaliação da atual situação do Candomblé, dividimos o estudo da seguinte forma:

- O que foi idealizado pelos que instituíram o Candomblé

- As razões das transformações ocorridas

- A quem coube a responsabilidade pelas mudanças

- O que deve ser revisto e discutido

A relação dos itens acima visa a facilitar a localização do assunto e não reflete, necessariamente, o seu grau de importância. As informações relacionadas foram selecionadas mediante entrevistas, depoimentos, declarações espontâneas de iniciados e não-iniciados, e observações pessoais. Finalmente, deve-se considerar que a finalidade deste trabalho visa a retratar o quadro atual do Candomblé, sem ofensas, críticas e citações a quem quer que seja.

O que foi idealizado pelos que instituíram o Candomblé

O início da implantação do Candomblé pode ser, assim resumido: os ancestrais afro-brasileiros, cientes de sua permanência no Brasil pelos laços familiares aqui criados, começaram a se organizar criando um modelo de culto com praticas a serem seguidas e outras devidamente abolidas por não se enquadrarem com a forma cultural da terra, pois sabiam que o Candomblé seria reduto de negros, brancos e mestiços de diferentes posições sociais. E como ele seria praticado em solo brasileiro passaria a assumir seus próprios dogmas e liturgia. Foi um trabalho em que a oralidade procurou construir uma tradição toda própria.

Observaram-se as tradições tribais africanas, que não se ajustavam ao novo critério. Estas foram preservadas apenas na memória coletiva, deixando sua prática de lado. Todo este processo instituído pode ser assim definido:

  1. Os cortes feitos no corpo, nos ritos de iniciação e identificação tribal africana, foram substituídos por marcas feitas com tintura de efun que lembravam a tradição da família real de Oyo;
  2. Os ritos, em sua maioria, seriam praticados internamente, abolindo-se as procissões externas aos lugares sagrados, por lês não existirem como na África; por exemplo: a Floresta dos Egungun, dos Abiku, de Ifa, rios e lagoas. Para isto, seriam construídas dependências internas que alimentariam estes ritos;
  3. A forma do culto a Ibeji, que determinava a morte de um dos gêmeos, foi abolida, por julgarem um ato anormal;
  4. O culto foi centralizado em um único local, com espaços preservados para cada Orisa e Ancestrais. Por esse motivo, a dirigente deveria ser conhecedora de todos os fundamentos dessas divindades;
  5. O número de Orisa cultuados seria limitado às exigências da nova terra. As divindades de tradições tribais foram mantidas apenas na memória coletiva do grupo; em outros casos, acabaram sendo definitivamente esquecidas;
  6. Rituais específicos ligados as tradições regionais africanas foram revistos; outros criados ou adaptados, como o Ipadé, Olúbáje, Àmàlà às quartas-feiras, a Roda de Sàngò, o Ìpètè, a sexta-feira dedicada a Òsàlá, o Lórogún com o fechamento dos terreiro no ritual realizado no domingo após o Carnaval e outros;
  7. A iniciação passou a ser individual e sem a noção de família biológica, criando, assim, a família-de-santo. O “transe de expressão”, no dizer de Verger, passou a substituir o transe de possessão identificado com o clã familiar. O iniciado deixou de ser elégun para ser ìyawó;
  8. A utilização do osù como marca que distingue o iniciado;
  9. As datas festivas dos santos católicos identificados com os Òrìsà passaram a determinar as datas de suas festividades, contrariando a modalidade africana das estações climáticas e outras tradições;
  10. Os animais para o sacrifício foram; as plantas tiveram novas identificações; comidas-de-santo foram mantidas e outras criadas; novas kizilas surgiram com produtos nativos da terra;
  11. Os 4 dias da semana yorubá foram adaptados para a semana ocidental de 7 dias, com nova distribuição dos dias consagrados a cada Òrìsà;
  12. Formação de um grupo masculino – ogans – mantenedor e protetor do culto, dedicado à prática religiosa onde somente homem atua;
  13. Os cargos religiosos seriam apenas para as mulheres. A iniciação masculina seria, exclusivamente, como ogans, talvez, para evitar tendências ao homossexualismo e trejeitos efeminados nos rios públicos. Posteriormente, com a inevitável participação masculina, os cargos tiveram dualidade;
  14. Como o comando religioso seria das mulheres, a opção viável para o sistema de consulta seria o jogo de búzios em detrimento de outras mais tradicionais, mas bastante complexas, como Òpèlè e o Ifá, que obrigavam, entre outras coisas, as recitações em língua nativa, sendo utilizadas somente por homens;
  15. Os títulos de reis e rainhas foram abolidos, limitando-se aos títulos honoríficos – oyé – referentes aos cargos religiosos.

Outras diferenças podem ser observadas nos trabalhos de pesquisa de Verger, muito bem documentadas em suas obras.

As razões das transformações ocorridas

À medida que o tempo avançou, foram surgindo problemas de relacionamento quando novas Casas começaram a se instalar, em grande parte, através de dissidências, modismos e interesses pessoais. Novos grupos foram se formando em outras regiões, distanciando cada vez mais da Casa Matriz, perdendo os padrões tradicionais e adaptando-se ao modelo local de crença. Surgiu um novo tipo de público, que o aceitou, sem qualquer critério de seleção. Começaram a ocorrer mudanças de forma lenta e despercebida a ponto de serem aceitas como fatos normais. Raramente foi seguido o conceito de que só prospera o axé que divide o saber. A guarda deste saber e do conhecimento chegou a um ponto tal, que obrigou as pessoas a uma busca de explicações através de cursos e livros que, em muitos casos, não ofereciam um respaldo desejado, confundindo mais ainda o que já era tão confuso. Surgiram as fugas, e mais comum de todas foi a constante troca de Terreiros, tornando-se incomum as pessoas serem iniciadas numa Casa e nelas permanecerem (ver itens 17, 24 e 26). Culturas diferentes entraram em choque, criando novas formas de trabalho, que podem ser assim definidas:

  1. Ritual de troca de nação – expediente criado para mudança de Terreiro: foi iniciado no Candomblé de Ketu, mas resolveu passar para o Candomblé Jeje ou Angola e vice-versa;
  2. Obrigações de 1, 3 e 7 anos feitas em Terreiros diferentes. A cabeça passando por diversas mãos, sem qualquer critério ético;
  3. o 2º Òrìsà sendo obrigado a se manifestar nas pessoas, durante as obrigações de ano, isto ocorrendo nas Casas de tradição Ketu. Com isto, são obrigados a fazer novas roupas e assentamentos, motivando novas cobranças;
  4. Saídas de ìyawó com 4 e 5 apresentações públicas, com evidentes interesses para desfilar roupas-de-santo e outras alegorias.
  5. Roupas-de-santo e paramentos descaracterizados de sua condição original. Enfeites, miçangas, paetês, brocados, tecidos de riqueza exagerada destituídos de significados, com o objetivo único de alimentar o ego da pessoa.
  6. Ogan “pai-de-santo,” fazendo obrigações fora de sua competência e abrindo Terreiro;
  7. A constante troca de Terreiros faz com que as pessoas se tornem portadoras de diferentes conhecimentos, criando uma confusão de rituais e produzindo a perda do que se a entender como raiz-de-santo, ou seja, disciplina ritualística determinada pelo Candomblé Matriz;
  8. Bàbálórìsà e Ìyálòrìsà sem zeladores de suas obrigações;
  9. Pessoas indo para outros países e sendo lá iniciadas, buscando conhecimentos estranhos à nossa cultura e que foram abolidos por ocasião da instalação do Candomblé no Brasil. Essa fusão de conhecimentos foi outro fator para se perder a antiga “raiz-de-santo”.
  10. Introdução do culto aos Caboclos, vistos como Encantados, advindo daí os Candomblés de Caboclos nas Casas Ketu, Jeje, Angola e Nagô-Vodun. Na realidade, em grande parte foi um expediente para ex-umbandistas iniciados no Candomblé manterem suas entidades umbandistas;
  11. Pessoas se iniciando, predeterminadas a, e não dando certo, terem a opção de ir para outra Casa, numa evidente demonstração de insegurança e falta de critério seletivo;
  12. Pessoas que saem da Casa de Candomblé e são aceitas por outra sem qualquer critério ético;
  13. Mercantilismo religioso;
  14. Umbandistas no Candomblé. Exemplo: dirigente de Umbanda com Casa aberta, fazendo obrigação-de-santo e já saindo como ìyalòrìsà;
  15. Candomblés dando festas de pomba-gira, ciganos etc. – entidades estranhas aos rituais;
  16. Nigerianos e cubanos trazendo costumes novos e interferindo em nosso modelo de trabalho;
  17. Ogan e Ekedi sendo raspados e fazendo obrigações de 1, 3 e 7 anos como se fossem ìyawó;
  18. Elementos para iniciação, que deveriam ser feitos pelos iniciados, são comprados prontos;
  19. Tomar a benção encostando a mão no queixo;
  20. Vestimenta de Òrìsà feminino sendo usada por homem, sem respeito à sua condição masculina, como era feito nos antigos Candomblés. Estes faziam ligeiras modificações nas roupas, a fim de não haver constrangimento e incentivo a homossexualidade masculina;
  21. Assentamentos de Orí, Odù e Ìyámi, este último sem conhecimento suficiente para fazê-lo;
  22. Denotando falta de credibilidade, pessoas iniciadas e recém-iniciadas procurando mesas de jogo para confirmação. É o início do caos, por ouvirem críticas de pseudo-erros que só irão confundi-los e trazer constantes intranqüilidades e dúvidas. A partir daí, não serão mais as pessoas, terminando por sair de sua casa e buscar outro Terreiro;
  23. O descrédito do jogo-de-búzios, em razão de sua utilização por pessoas despreparadas e sem conhecimento para a função, revelou-se um dos fortes motivos da confusa situação do Candomblé, necessitando de uma regulamentação para quem o pratica.

A quem coube a responsabilidade pelas mudanças

O Candomblé concentrou-se na forca da tradição e esqueceu o poder da evolução humana e sua vulnerabilidade. Houve um choque de gerações. Dirigentes com mais de 70 anos de idade dirigindo ìyawó de 25 é um fator de choque. O que vai à cabeça de uma não é o que vai à cabeça da outra. Muitas coisas não são entendidas, mas são feitas em sinal de respeito e aprendidas pelo processo de repetição constante. Uma cabeça nova quer coisas novas e, assim, com sua ascensão ao comando, inevitavelmente passará a colocar em prática grande parte de seus interesses ou idéias pessoais que tinha em mente, contribuindo em alguns casos de forma inconsciente para novas modificações.

As responsabilidades dessas mudanças podem ser assim creditadas:

  1. Aos dirigentes que cuidaram apenas do seu nome, de sua casa e de seu sustento, jamais se preocupando com o aspecto global da religião. Outros que assim o fizeram foi em parte no intuito de se colocarem em evidência para obter popularidade e clientela. Poucos têm-se dedicado à causa.
  2. À falta de uma orientação ética e critério seletivo na aceitação de novas pessoas no Candomblé. O homossexual masculino é um exemplo, pois boa parte deles vem por questões de modismos;
  3. À falta de experiência no relacionamento humano entre os integrantes de uma Casa de Candomblé, principalmente entre os mais velhos com os mais novos, e dos mais novos entre si;
  4. Às dificuldades no relacionamento e conquista de cargos nos Terreiros dirigidos por membros familiares;
  5. Ao sistema de comando escravocrata que possibilitou a perda da auto-estima;
  6. À determinados umbandistas no Candomblé, confundindo tudo e criando o “Umbandomblé”, uma mistura confusa que compromete ambas as religiões;
  7. Aos dirigentes de nomes expressivos que, inconscientemente, incentivam o desvirtuamento, comparecendo às festas promovidas por dirigentes duvidosos. São pessoas com iniciação suspeita, ogans com casas abertas, que praticamente têm seus nomes avalizados com essas visitas;
  8. À determinados dirigentes que vivem à custa do ganho financeiro. Sem emprego convencional, tornam-se mercantilistas a ponto de aceitarem fazer o que quer que seja pelo poder único do dinheiro;
  9. Aos dirigentes de Candomblé itinerantes que viajam para diversas regiões e estados com o intuito de fazerem iniciações de dirigentes de Terreiros estranhos, indiferentes a qualidade do trabalho que se realizará, apenas visando ao ganho fácil. Com isso, criam-se focos, ditos de Candomblé, que irão confundir sua imagem perante o público;
  10. Aos programadores de radio que se dizem conhecedores do Candomblé com objetivos puramente comerciais e exibicionistas;
  11. Aos livros sensacionalistas que “ensinam tudo”, confundindo crendices, superstições e bruxarias com religião;
  12. Às pessoas ansiosas por traduzir os cânticos e rezas yorubá que o fazem sem o necessário conhecimento do idioma, modificando as palavras cantadas por outras que facilitem a tradução. Com isto, perde-se a essência do cântico original, confundindo mais ainda o que já é bastante confuso;
  13. Às revistas e jornais que fazem reportagens de dirigentes como matéria paga, sem critério jornalístico, incentivando a vaidade e dando notoriedade, na maioria das vezes, a pessoas extremamente duvidosas.

O que deve ser revisto e discutido

A atual prática religiosa liga as pessoas mais aos Terreiros do que verdadeiramente à crença divina. Poucos têm a essência religiosa. Tudo vive em função das regras do Terreiro, constituídas de freqüência, ajuda e obrigações, com uma sintonia dirigida apenas ao Zelador ou Zeladora-de-Santo. Essa prática tem confundido as pessoas a crer-se religiosas, quando sua religiosidade é apenas para o mundo, para seu dirigente e familiares-de-santo. Esquecem-se de ter a consciência de Deus no coração (Ifá Àyà).

Um outro fator deve ser examinado: o costume das comparações entre as antigas dirigentes com as atuais. É preciso entender que cada uma serviu e serve gerações diferentes. Elas foram talentosas naquela época, e as atuais o são nesta, pois as pessoas mudam. O que se deve entender é que não devem ser feitas comparações de épocas, pois elas são diferentes.

O processo de transformação do Candomblé talvez seja demorado e conflitante. Mas nem por isso devemos sacudir os ombros e deixar o problema para os sucessores. Quem tem a cultura atrasada resiste a mudanças. O candomblé deve se enquadrar no conceito de que nada se perde, tudo se transforma. O que é feito serve como experiência, mas deve ser mudado.

Adaptar-se ou extinguir-se. O Candomblé atinge quase 200 anos de prática em solo brasileiro. Nenhuma religião sobrevive sem debater mudanças em sua estrutura por um longo período, mas mudanças criteriosas e de consenso geral, de forma disciplinada, e não como está sendo feito, mudanças que devem ser feitas, não porque ocorreu um final de século, mas sim um final de modelo superado em muitos aspectos. Enumerados algumas sugestões para serem discutidas:

  1. Criação de um Conselho Normativo específico para os assuntos relacionados com o Candomblé. Deverá ter uma estrutura conforme os padrões modernos de organização, com um trabalho disciplinado de orientação e defesa da religião, alem de uma participação efetiva nos problemas sociais da sociedade brasileira. Atualmente, o Candomblé não possui nenhuma forma de resistência diante dos absurdos cometidos em seu nome, excluindo os comentários internos que são logo esquecidos;
  2. Realização de um censo religioso a fim de saber quantos somos;[2]
  3. Revisão nas chamadas Tradições, que em muitos casos impedem que o Candomblé se atualize e tenha as mesmas oportunidades das demais religiões;
  4. Transformar o sistema de imitação do Candomblé numa cultura de ensino. O Candomblé deve ser racionado para ser entendido. O faça o que eu digo, mas não pergunte por que não pode mais ser tolerado. O resultado é duvidoso e, na maioria das vezes, aceito, mesmo por falta de lógica;
  5. Um Terreiro deve ser entendido como um campo de provas e de estudos. Repassar conhecimentos e não omitir explicações, quando possível, para que as pessoas saibam o que estão fazendo. A falta deste conhecimento é que promove a fuga para outras crenças;
  6. Na abertura de uma cerimônia no Terreiro, uma breve palestra do que ali será apresentado é perfeitamente oportunamente para uma participação mais consciente de todos;
  7. Incentivar a participação do público na seqüência dos cânticos e em certas obrigações sem precisar ser iniciado. Não torná-lo um ser marginalizado e estranho ao meio;
  8. Incentivar um estudo básico do idioma falado na modalidade do culto para um melhor conhecimento do que é feito;
  9. Adaptar o idioma yorubá, em sua pronúncia e em algumas regras, ao nosso idioma e à nossa cultura, tal como foi feito no português do Brasil e Portugal, e no inglês dos Estados Unidos e da Inglaterra;
  10. A ética é a ciência da moral que institui regras de procedimento e os costumes de um grupo. Religião sem moral é o mesmo que uma sociedade sem normas jurídicas. Daí a necessidade da elaboração de um sistema ético entre todas as Casas de Candomblé, lembrando que, para classificar esses valores, é preciso fornecer motivos para colocá-los em prática. O mero conhecimento do que fazer não faz do homem um santo. É preciso justificá-lo;
  11. Evitar a abertura de novas casas para o fortalecimento da Casa Matriz, limitando a idade para os novos dirigentes. A qualidade não está na quantidade;
  12. Valorizar o desempenho da Diretoria e Administração de um Terreiro;
  13. Revisão nas instalações das dependências – higiene, extintores, banheiros etc.;
  14. Abolir definitivamente a identificação do Candomblé como seita;
  15. Rever o resguardo do Àsèsè de 1 ano para 3 meses, efetuando o jogo logo a seguir para definir o substituto. Talvez seja a lembrança de um período em que a sociedade civil exigia 1 ano de luto fechado pelo falecimento de familiares, com o uso da tarja preta nas roupas. O longo período de ociosidade não mais se justifica, podendo as obrigações complementares ser feitas no decorrer do ano;
  16. Criar uma cerimônia pós-morte para aqueles que não são iniciados, mas possuem o santo assentado. O Candomblé só realiza cerimônias para aqueles que são iniciados, esquecendo-se de que existem pessoas que, apesar de não o serem, admiram a religião e seguem seus preceitos;
  17. Redução do tempo de kele de 3 meses para 1 mês. As atividades e responsabilidades civis devem ser respeitadas;
  18. Rever o uso do urinol nas obrigações internas pelo constrangimento que a sua utilização oferece junto às demais pessoas;
  19. Rever o costume das ìyàwó de comer o resto da comida da mãe-de-santo, um hábito que era feito pelos antigos reis africanos com seus servos.
  20. Analisar as razões que impedem uma dirigente de fazer a iniciação de familiares biológicos;
  21. A possibilidade de iniciação de um filho-de-santo, da mulher dele e do filho, por uma mesma dirigente;
  22. Até que ponto deve ser aceitável ou não a convivência “íntima” entre irmãos-de-santo: ogan com ìyàwó, Ìyálòrìsà com filho-de-santo etc.;
  23. Razões de ogan não ter prerrogativas para tocar de Terreiro, quando necessário;
  24. Disciplinar a pontualidade nos horários que são marcados para a realização dos rituais. No convite: 22 h, início real: 1h;
  25. Entender o Candomblé como uma sociedade participativa e com identidade política;
  26. Definir-se; ser brasileiro ou africano;
  27. Discutir a validade da interferência de africanos e cubanos em nossa soberania religiosa, lembrando que não existe nenhum acordo bilateral neste sentido;
  28. Criação de uma Cultura de Ifá, afim de coibir a utilização do jogo de búzios por pessoas suspeitas e sem credenciamento para a função;
  29. Rever a validade de as pessoas serem iniciadas fora de nosso território brasileiro;
  30. Fiscalizar a imprensa escrita e falada que se utiliza do Candomblé como promoção pessoal. A experiência revela que a riqueza de informações que os meios de comunicação poderiam prestar fica maculada por temas relacionados com superstições e crendices, elementos contrários a qualquer sociedade que pretenda se intitular religião. A ninguém é permitido denegrir uma religião, mesmo aqueles que se dizem candomblecistas;
  31. Discutir a utilização da tecnologia como fonte de recurso para um melhor desenvolvimento dos trabalhos: filmagens, gravações e outros meios que preservam a memória coletiva; modernização da cozinha ritual com o uso do liquidificador, máquina de depenar galinhas etc., abolindo o fogo a lenha e moenda de feijão. Na época atual, o tempo disponível dos membros da comunidade não é mais o mesmo de outras épocas;
  32. Ìyàwó comer com as mãos sem o uso de talheres e andar descalça nos primeiros três meses de iniciada;
  33. Rever a rigidez hierárquica evitando os excessos no tratamento, para um relacionamento mais educado;
  34. Rever a legitimidade do uso de vestimentas de aparência africana em detrimento do uso da tradicional “baiana”
  35. Como lidar com cliente numa mesa de jogo que interage junto ao “olhador” questionando interpretações de caídas numa consulta a dois.

Conclusões finais

O Deus venerado no candomblé não é o Deus de outras religiões, que fica sentado num trono de ouro assistindo a tudo. Ele designa seus mensageiros para aqui virem, sob a denominação de Òrìsà, e participarem da vida dos seres humanos. Dão exemplo da alimentação no ato de receberem oferendas votivas, mostrando que o alimento é a base fundamental da sobrevivência. O alimento da cultura. Òsàlá nos mostra sua preferência por tudo que é branco. O inhame é sinônimo de pureza e retidão ética. O inhame, o grande depurador do sangue, nos mostra a necessidade de nos depurarmos e purificarmos.

O Candomblé possui seus esteios identificados por homens e mulheres que batalham por melhorá-lo. Mas é preciso que o próprio Candomblé queira melhorar, isto é, que seus integrantes e simpatizantes queiram melhorá-lo e respeitá-lo em todos os sentidos.

Na atual literatura que envolve os ritos de Candomblé, quem escreve revela visível exaltação exagerada sobre o que a religião apresenta. Terreiros específicos e determinados dirigentes são reverenciados sem que se exerçam a tarefa da crítica ou sugestões positivas. Nem tudo esta ao perfeito assim. É obvio que o formalismo religioso impede declarações mais sensatas. Enaltecer esta ou aquela Casa sustenta, apenas, sua posição de bandeira representativa do Candomblé, mas não traz solução ao problema, que cresce a ponto de dentro de mais algum sofrer um declínio irreversível. É necessário convivermos numa democracia religiosa em que as pessoas tenham o direito de falar o que sentem e serem ouvidas, independentemente de cargos e posições. Convém ressaltar que, se a cultura conservadora das tradições manteve viva boa parte de seus valores, por outro lado, em alguns pontos, se revelou como um forte fator de desatualização.

Devemos lembrar mais uma vez que, quando o Candomblé foi aqui instituído pelos antigos africanos e afro-brasileiros, eles foram adaptando os ritos tradicionais e abolindo outros contrários à nossa cultura. Foi uma atitude inteligente e seguida por outras modalidades religiosas africanas aqui instaladas – nagô, angola, congo, jeje. E se hoje denominamos toda esta participação de cultura afro-brasileira, nós o fazemos em respeito a este passado. Na realidade, já é uma cultura eminentemente brasileira e que deve ser devidamente valorizada pelo esforço com que foi conquistada em momentos de extrema dificuldade. Buscar novos modismos pelo simples fato de querer ser diferente é regredir no tempo; é colocar corpos estranhos junto a valores já firmados.

O Candomblé sobrevive com mínimos avanços. O parâmetro para uma avaliação seria a comparação com outras formas religiosas que crescem e se atualizam constantemente em busca de sustentação perante a sociedade. O tema é polêmico; porém, tudo que é polêmico gera participação. Há uma herança a ser legada aos herdeiros da religião que vivem uma época diferente e especial. O Candomblé tem um compromisso com esta geração neste século que se iniciou: transformação de uma instituição pessoal em uma sociedade global.

“Procura do odu. O iniciado é sentado sobre um no branco, de costas para o ojú Sàngó e, entre suas pernas estiradas, coloca-se um edùn àrá. Ìya Sàngó pergunta-lhe: ‘procuras o poder do òrìsà ou do dinheiro?’ O candidato responde: ‘é o poder do Òrìsà que eu quero.’ Em suas mãos juntas, ele recebe da Ìyá Sàngó dezesseis búzios, com os quais fará a adivinhação.” (Pierre Verger, in Orixás, p. 41. Corrupio, 1981)



[1] Grifo nosso – Adinelson Filho

[2] A Bahia realizou o Mapeamento dos Terreiros em 2005/2006 de maneira bastante criteriosa com diversos itens das casas.


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Comentário de adinelson de souza filho em 17 maio 2010 às 17:12
Olá Amilton,

obrigado pela valiosa contribuição. Necessária!

Como eu havia dito antes
[...] os pontos estão postos no texto, são realmente provocadores e cabem uma grande discussão e reflexão. Não precisamos concordar nem discordar de todos. Precisamos é discutir da maneira mais ampla possível.[...] À lista, acrescentemos outros pontos que acharmos necessário.

Há na forma de abordagem do tema homossexualismo no texto um peso sim. Concordo com você que o modo como é tratado soa de maneira preconceituosa.

A sexualidade das pessoas sempre foi tema tabu em toda a sociedade e é nova a discussão aberta sobre o assunto. E no candomblé não era diferente da sociedade global, que tratava de alijar ou esconder dos olhos públicos o homossexual, tachado pelo cristianismo e várias outras concepções como coisa inumana.

Porém, o candomblé sempre aceitou as diversas condições apresentadas pelos seus adeptos, entre elas a sexualidade. É a única religião que não faz preleção da sexualidade dos seus adeptos. Mas o comportamento e exposição dos seus membros é regulado, seja ele homossexual, bissexual, heterossexual ou outro. Com base nas antigas tradições que formaram o candomblé e na doutrina de auto conhecimento e quizilas o comportamento dos adeptos, consgo e com o mundo, é regulado.

O candomblé é uma democracia onde o que menos importa é o que você tem, onde você mora, qual a sua formação intelectual, qual a sua cor, com quem se deita e etc. com tanto que tudo isto não interfira na sua relação com o orixá e com a interação religiosa e que você seja digno.

Retomando os pontos que você listou:

"Os cargos religiosos seriam apenas para as mulheres. A iniciação masculina seria, exclusivamente, como ogans, talvez, para evitar tendências ao homossexualismo e trejeitos efeminados nos ritos públicos. Posteriormente, com a inevitável participação masculina, os cargos tiveram dualidade";

Este tópico, de fato, se refere a uma regra imposta historicamente desde a formação do candomblé no antigo terreiro da Barroquinha e outras casas, regra ainda viva hoje no Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho. Lá não são iniciados homens por questão de poder e sexualidade. Inclusive isto sempre foi declarado e até registrado em livro no início do sec. XX pela antropóloga americana Ruth Landes em A Cidade das Mulheres. Acreditava-se - ou ainda se acredita - que a "'viração' no santo não é para os homens" que isto levaria a perda da virilidade e masculinidade. Coisa que, com o tempo, as outras casas antigas mostraram que não procedia mais, uma vez que passaram a iniciar também homens, independente de sua sexualidade e dividir com estes os cargos na hierarquia sacerdotal como expõe o autor.

Quando surgiram os sacerdotes masculinos com expressão pública, a exemplo de Joãosinho da Goméia, as Velhas Iyalorixas da Bahia logo se manifestaram em defesa desta tradição acima citada. Não que antes não tenha havido sacerdotes masculinaos de orixá. O que não havia eram homens manifestados de deidades feminas trajando saia. Tal comportamento inflamava mais ainda a discriminação ao candomblé e aos próprios homossexuais e não era tolerado pelas sacerdotisas antigas. É deste período a categorização equivocada de ativo X passivo para os homossexuais com base no desenvolvimento deste ramo religioso na Bahia, lembrando que a designação soava negativamente (ver Ruth Landes).

"Vestimenta de Òrìsà feminino sendo usada por homem, sem respeito à sua condição masculina, como era feito nos antigos Candomblés. Estes faziam ligeiras modificações nas roupas, a fim de não haver constrangimento e incentivo a homossexualidade masculina".

Ainda hoje pode-se ver, os homens que são iniciados para orixás femininos trajando bombacho em diversas casas de candomblé da Bahia e de outros estados do Brasil. Trata-se, dentro das regras da religião, de um respeito a condição do mesmo, independente de sua sexualidade.

Contrário a isto, vemos uma crescente estilização dos trajes dos orixás, em diversas casas de candomblé pelo país. Uma descaracterização crescente dos signos em detrimento de luxo, brilho e desrespeito a condição dos iniciados. Infelizmente essas questões correm a boca miúda no chamado "correio nagô" de terreiro para terreiro. A extravagância e o luxo excessivo, além da quebra da regra do masculino e feminino é comentada e censurada pelos mais velhos mais não vira discussão e reorientação.

Existem imagens expalhadas pela internet e revistas que aparecem Babalorixás até mesmo maquiados na exibição dos seus terreiros. Isto não é mais candomblé. Saias e anáguas são vestimentas das mulheres, é parte do chamado traje crioulo que compõe as peças cotidianas e rituais das filhas de santo. O orixá é mulher, mas o iniciado é homem. A sua orientação sexual não é para exposição alheia. Não se quer com isto que o homossexual esconda a sua sexualidade e nem deve, uma vez que os heteros sexuais nem escondem e nem assumem a sua. O ponto é perder a credibilidade como membro religioso frente a uma confusão de papéis.

Fica a reflexão de que não é a sexualidade que está questão, mas a atitude do homossexual em relação a religião. Não é abrangente à todos, mas sim a determinados comportamentos vistos e revistos por quem vive o cotidiano dos terreiros.

Bom que começamos a nos movimentar sobre o assunto e melhor será quando mais amigos e irmãos se manifestarem. Não sou defensor nem acusador. Os comentários que trouxe são com base nos depoimentos, experiência e estudos apenas para fazer a discussão seguir a diante.

Vamos lá
Comentário de Amilton Santana em 15 maio 2010 às 18:42
Olá Adnelson!

Apesar de não ser religioso reconheço a importância dessa área de conhecimento, a religião, para os diversos povos e suas culturas, desenvolvidas nos mais variados lugares do nosso planeta.

Entretanto, sou tomado pelo impulso de participar dessa discussão iniciada por você utilizando o texto do professor José Beniste. Até ler este texto, não tinha conhecimento do trabalho deste senhor. O que me chamou atenção, durante a leitura, foi a forma preconceituosa e discriminativa que ele apresenta em relação aos homossexuais. Não que seja surpresa para mim. Pois o que ele apresenta, não é nada mais, nem nada menos do que o senso comum transcrito, revelando a tradição religiosa cristã e seus valores morais pecaminosos e defasados. O problema maior é quando o referido professor fala em embasamento científico tentando sustentar o discurso moral e retrógrado.

Recorto a seguir três citações a homossexuais encontradas no texto:

1ª - " À falta de uma orientação ética e critério seletivo na aceitação de novas pessoas no Candomblé. O homossexual masculino é um exemplo, pois boa parte deles vem por questões de modismos";

2ª - "Os cargos religiosos seriam apenas para as mulheres. A iniciação masculina seria, exclusivamente, como ogans, talvez, para evitar tendências ao homossexualismo e trejeitos efeminados nos rios públicos. Posteriormente, com a inevitável participação masculina, os cargos tiveram dualidade";

3ª - "Vestimenta de Òrìsà feminino sendo usada por homem, sem respeito à sua condição masculina, como era feito nos antigos Candomblés. Estes faziam ligeiras modificações nas roupas, a fim de não haver constrangimento e incentivo a homossexualidade masculina".

Primeiramente, faz-se necessário uma interpretação destes três recortes. Vemos claramente uma das formas humanas de expressar a sexualidade, no caso a homossexualidade, ser tratada como sujeira que deve ser escondida, jogada para debaixo do tapete. Contrariamente ao processo histórico de apaptação e transformação das religiões africanas nas terras brasileiras onde o homossexualismo efetivamente esteve presente, participante e declarado, ou seja de conhecimento do meio social, e aceito, em meio a diversidade dos vários segmentos que compõem estas religiões, demonstrando para o mundo, já há séculos, um modelo democrático de inclusão, aceitação e respeito ao outro, o homossexual, inclusive como líder espiritual.

Podemos, também, constatar a disparidade do pensamento do professor com a psicologia contemporânea. Homossexualismo não é doença. Homossexualismo é sexualidade. É uma das formas de manifestação do desejo sexual, erótico.

Como já disse, não sou religioso, mas admiro muito o Candomblé, sua história, sua riqueza simbólica, a força do Axé no sentido de agragar e manter valores ancestrais identitários.

Como um indivíduo simpatizante, não iniciado nos mistérios do Axé, mas com vivências e algum conhecimento na área, entendo que representar as forças da natureza, sejam elas femininas ou masculinas, ou outras, serão sempre representações simbólicas dessas energias naturais. Os papeis de masculino e feminino se mesclam. Os líderes espirituais, tanto o masculino quanto o feminino, sintetizam essas forças da natureza, e expressam em formas que representam essas manifestações independentes da sua condição feminina ou masculina. No caso dos homossexuais que já trazem essa dualidade na maneira de ser, creio que pode integrar-se com facilidade a estes princípios. Talvez aí esteja o ponto de atração para estas pessoas.

Que o debate continue e se fortaleça.

Axé! Amilton Santana - Artista Plástico
Comentário de adinelson de souza filho em 10 maio 2010 às 11:14
Precisamos nos unir verdadeiramente em torno da nossa religião. Hoje somos reconhecidos como religião e não mais como seita ou coisa clandestina. Então precisamos fazer o movimento de um corpo só e discutirmos sobre o que somos, quem somos, o que queremos para nós! É a nossa identidade, a memória dos ancestrais e o legado para os que virão que está aí para pensarmos.

Que Deus nos guarde até o amanhecer!
Comentário de Rita de Cassia de Carvalho em 8 maio 2010 às 14:22
Muito bom, Adileson, fazer a divulgação desse material. Permite uma reflexão profunda sobre o tema. Grata!

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