As Brancas São Para Casar! - Por George Oliveira

Faço aqui um convite para uma breve reflexão sobre o racismo e os casamentos interraciais. Por onde começar uma discussão tão séria, tão delicada e tão polêmica? Eu escolhi um caminho, espero que tenha acertado. Optei em não apresentar dados estatísticos e nem fatos históricos. A proposta aqui é expor um ponto de vista, dialogar e provocar uma reflexão.

Paixão à primeira vista é para os fracos.

As pessoas mais românticas do que eu podem achar um absurdo discutir os relacionamentos “dos outros”. Podem até dizer que o amor é cego, afirmar a existência de uma química perfeita entre as uniões afetivas ou que quando o cupido escolhe, não adianta fugir. Estão em busca da “outra metade da laranja”, “tampa da panela” e de príncipes e princesas encantadas.

O papo aqui é sério. É sobre racismo, mas poderia ser sobre as questões sociais, machismo, religião ou escolaridade e tantas outras coisas que podem colaborar ou atrapalhar o relacionamento “a dois”.  A livre união entre as pessoas no Brasil não deve estar desassociada dessas questões. Esses sentimentos e as diversas questões estão presentes em todo tipo de casal.

 

Passaporte Branco

Será que o racismo “molda” o interesse de um negro ou negra quando faz a opção por um relacionamento/casamento interracial?

Logo veio a lembrança de uma antiga frase: “Branca para casar, mulata para fornicar, negra para trabalhar”.  Segundo Gilberto Freyre, esse ditado era bastante popular em sua época e traduzia a função das mulheres na sociedade brasileira.

Lembrei também do “passaporte branco”, que é um termo utilizado por um militante do movimento negro para falar sobre os relacionamentos interraciais em que a ascensão social deve ser carimbada ou “premiada” com um/uma parceiro branco. Para que? Para mostrar à sociedade que se está bem de vida. Conta bancária e diploma não chamam tanta atenção quanto passear de mãos dadas com uma gente considerada “bonita”. Aquela gente parecida com as apresentadoras de programas infantis.

 

Mania Nacional

Ao ler sobre a quase ausência dos técnicos de futebol, cujo link indico no final deste, deparo-me com um texto arquivado desde dezembro de 2012 quando teve fim o campeonato brasileiro de futebol. Na época, selecionei os dez artilheiros e suas namoradas, noivas e esposas. Para variar, todas brancas. Essa foi a melhor forma que encontrei para falar sobre o assunto, ao refletir que a mania nacional é o racismo. Engana-se quem acha que é o futebol.

 

Cada pessoa que você compartilha a ideia de um texto faz sugestões que você pode, ou não, aceitar. Numa conversa com um amigo, através de uma rede social, sobre a ideia de escrever sobre os relacionamentos interrraciais ele me diz algo que me veio como um soco no estômago:  “Eu acho que falar só dos jogadores é muito batido. É a síndrome Pelé já conhecida por todos. Agora você falar disso dentro da nova classe média negra é outra coisa, atinge todo mundo que a carapuça servir.”

Realmente, muita gente já falou sobre isso. Então esse mesmo amigo, que é casado com uma mulher negra, disse que há alguns dias atrás estava conversando sobre esse assunto com sua companheira e ainda sugeriu cinco palavras chaves para incrementar ainda mais a discussão e complicar minha situação em falar de um tema polêmico em poucas linhas: “Probabilidade, Militantes, Postura Política, Eugenia e Autodestruição”. Mas isso é papo para um próximo texto. Por enquanto fico por aqui. 

Texto: Técnicos negros têm pouco espaço no futebol brasileiro?

http://revista.correionago.com.br/index.php/component/k2/item/10883...

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George Oliveira

Economista

Militante do Movimento Negro

Mestrando do CIAGS/UFBA

grbo2003@yahoo.com.br

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Comentário de Tom-Zé Silva em 7 abril 2013 às 13:20

Querido George,

Estou gostando muito dos seus "posts." Você é sempre muito analítico em relação as complicações do racismo e o efeito dele nas nossas práticas do dia-a-dia. Um abração pra você e pros seus leitores!

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