As celptocracias Afro-orientais em cheque: O Egito é a bola da vez?

Aqui no ocidente, a escravidão africana e a conseqüente tragédia humana que passou a história sob o singelo rótulo de Diáspora Africana, são tratadas como fatos históricos distantes, pertencentes a uma época perdida em um passado sem conexão com a realidade atual conjuntura (!!??) internacional, ou ainda melhor, são episódios tratados como se acontecidos em um outro distante, remoto e insignificante planeta. Basta que se observe como exemplo ilustrativo, o tratamento dado ao “Holocausto judeu”, uma “tragédia humana, na qual morreram mais de seis milhões de judeus...” para que se faça uma idéia dos dois pesos e duas medidas aplicadas no dimensionamento de cada um desses dois episódios, a maioria dos historiadores contemporâneos estimam que entre 9,4 e 12 milhões de africanos chegaram ao Novo Mundo trazidos pelo infame tráfico negreiro, embora o número real de pessoas tiradas de suas casas seja consideravelmente maior. O racismo da sociedade ocidental como um todo é uma característica intrínseca a própria construção da civilização, visto que estabelece os seus padrões de referencial estético, com base em ícones grego-romanos. Ora, na prática, uma civilização que investiu por muito mais de quinhentos anos na construção de códigos e padrões religiosos e seculares de ética e conduta com vistas a justificar a pretensa “inferioridade” do seu semelhante nascido na África, no sentido de escravizá-lo, sem incorrer em conflitos com os seus princípios mais caros, tais como “a igualdade entre os seres humanos perante Deus (só para citar um dos mais famosos)”, não irá se tornar igualitária e inclusiva a partir de decretos, leis ou medidas provisórias. Acho que a menção ao Holocausto e o descaso em relação Diáspora Africana é um sintoma importante da postura da sociedade ocidental.  

O comércio de escravos é às vezes chamado de “Maafa” por estudiosos Africanos e Africano-Americanos. Esse termo significa "holocausto" ou "grande catástrofe" em Suwahili. A escravidão, na “visao pragmática” dos empreendedores colonialistas era um elemento, uma peça componente de uma máquina econômica formada por três  sistemas intercomplementares. Vejam: Havia (i) o comércio na Europa de podutos e bens adquiridos na África; (ii) o lucrativo tráfico trasnoceânico de escravos (iii) a exploração dos recursos naturais e de suas transformações e industrializações com base  no uso da mão-de-obra escrava nas colônias.

O comércio de escravos foi a geratriz de uma situação de deseqeuilibrio humano brutal que perdura, invadindo os nossos dias, posto que, em última análise envolveu quatro continentes, quatro séculos e milhões de pessoas. Não se consegue `curar´ tamanha ferida em cinquenta ou cem anos.

Hoje, de repente, como por obra de um passe de mágica (como por através de um túnel) , a África passa da condição de fornecedora de “mão-de-obra quase-humana” para a condição de “celeiro  inesgotável de comodities (minério de ferro, petróleo, gás, urânio, etc.:)” para as quais os sistemas herdeiros dos três sistemas acima mencionados, precisam ter garantido os respectivos acessos a baixo custo. A história da escravidão se constitui uma escola importante demais para ser desprezada (esquecida, anulada) por esses herdeiros. Afinal, uma das práticas usadas para alimentar a indústria escravista era o fomento de guerras internas entre povos rivais ou inimigos, para depois comprar os escravos, espólio valioso dos derrotados. Daí essa experiencia acumulada ao longo de séculos de prática, recomenda que a forma mais segura de garantir o acesso  a esses importantes insumos, é sem dúvida, a construção, entronização e manutenção de líderes-fantoches.  Vez por outra, acontece uma aberração, um erro na dose, ou no cálculo da fórmula que dá como resultado um Sadan Hussein, ou ainda pior, um Usama Bin-ladden, Mas de um modo geral tem funcionado muit bem. É desse modus operandi que nasce a justificativa para a existencia de um sem número de “ países africanos aliados” do bloco de potencias ocidentais ( a China também tem aprendido muito) liderados por ditadores sanguinários, com títulos de ditadores ou não. Nomes importantes das respectivas oposições das configurações politicas locais, quando não são eliminados fisicamente (assasinados), vivem exilados em nome da sua sobrevivencia como ser humano, assim com as respectivas sobrevivencias de seus familiares mais próximos.

Aí entra em cena a revolução humana que a informação hoje processa com uma rapidez vertiginosa. O povo, em qualqeur parte do mundo é sinonimo de aglomeração massificada de humanos, gado humano marchando am direção a morte física do seus respectivos corpos individuais. Mas o exesso de miséria imposta pelas classes dominantes, pode eclodir em revoltas históricas.

 Eis que na Tunisísia um jovem de 26 anos, de nome Mohamed Bouazizi, (que apesar de múltiplos canais de mídia relatarem que tinha um grau universitário, a irmã dele, Samia Bouazizi, afirmou que ele nunca tinha se formado no ensino médio mas que era algo que ele queria para si próprio e suas irmãs)  que tinha trabalhado em várias atividades desde que tinha dez anos, e que no sua final da adolescência, abandonou a escola para trabalhar em tempo integral, passou a trabalhar como vendedor ambulante, por conta própria, sem ter a licença do governo. Na Tunísia, assim com em quase todos os países africanos e orientais, aquelas sem ligações de compadrio nem dinheiro para “molhar a mão dos fiscais e inspetores” são humilhados e insultados e não tem “permissão para viver”. Independentemente disso, Bouazizi foi humilhado publicamente quando uma guarda municipal feminina de  45anos oficial feminina municipal, lhe deu um tapa na cara, e cuspiu nele, para depois  confiscar suas balanças eletrônica, e jogar no chão as suas frutas e hortaliças, sendo ajudada por dois colegas masculinos que dominaram Bouazizi. Também foi afirmado que ela fez uma calúnia contra o seu falecido pai (uma das piores formas de ofensa e humilhação  para um muçulmano).
Irritado, Bouazizi foi ao escritório do governador para se queixar. Após a recusa do governador para ver ou ouvi-lo, mesmo depois de Bouazizi foi citado como dizendo: "'Se você não me receber, eu vou me queimar”. Ele adquiriu uma lata de gasolina (ou duas garrafas de thiner) e, às 11h30 hora local (menos de uma hora depois da briga) [ele se imolou na frente de prédio do governo. Era dia 17 de Dezembro de 2010.
Segundo a mãe Bouazizi, que não foi informado da intenção de seu filho antes que ele realizasse esse ato, ele se suicidou porque havia sido humilhado e não por causa de sua pobreza ", disse ela, referindo-se ao assédio da polícia.

A morte Mohamed Bouazizi provocou um terremoto político que removeu o presidente da Tunísia, Zine el-Abidine Ben Ali do poder há quase duas semanas, e as ondas sísmicas foram se espalhando por todo o mundo árabe, agitando regimes dominantes desde a Argélia ao Egito, e da Jordânia ao  Iêmen.  A maioria da imprensa pan-árabe parece estar comemorando a Revolução que derrubou o ditador da Tunísia, torcendo para que o mesmo aconteça no Egito onde o ditador Hosni Moubarak está encastelado no poder há 30 anos. Enquanto isso, os líderes árabes têm-se esforçado para não parecer contrário à "vontade do povo tunisino", enquanto ao mesmo tempo, tentando conter o avanço da disseminação do "vírus da revolução democrática" para seus próprios países.
Elaph.com, jornal mais popular do mundo árabe em linha, argumenta que os recentes acontecimentos na região têm demonstrado que "as pessoas são capazes de quebrar a barreira do medo", apesar da desumanidade dos regimes dominantes. O jornal citou Burhan Ghalyoun, o diretor de um centro de estudos do Oriente Médio, como a expressão de surpresa que os tunisinos "alcançaram grande mudança na velocidade da luz. Isso prova que mudanças não de tão difícil implementação como se costuma pensar ".

A referencia para a ilustração se encontra no endereço http://www.africaresource.com/rasta/wp-content/uploads/2011/01/Moha...


Sou Adelson Silva de Brito, professor de Física estudante da Língua Iorubá e colaborador da Casa da Nigéria de Salvador Bahia.

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