As Lições dos EUA: Maioria dos Artistas ganhadores do Tony é Negra

Ainda sem ter ganho uma vez seqeur na sua  lendária carreira esse prêmio, Cicely Tyson era a favorita sentimental este ano para levar para casa um Tony, a maior honraria do teatro norte-americano, por sua performance aclamada pela crítica na peça “The Trip to Bountiful” (A viagem a Bountiful). Então, quando o nome de Tyson foi anunciado como Melhor Atriz em uma peça de teatro, não foi uma surpresa total (particularmente para aqueles que tiveram a oportunidade de vê-la no palco (o seu desempenho foi mais uma revelação).

Mas a noite da premiação certamente guardava algumas surpresas, as quais, no conjunto, marcaram a noite como aquela em que os Artistas Negros colheram os principais premios nas principais categorias da premiação.

Billy Porter levou para casa o prêmio de Melhor Ator em um papel principal em um musical pela sua atuação em “Kinky Boots” (ainda sem título em Português), peça que acumulou um total de seis prêmios Tony. Patina Miller ganhou o Tony de Melhor Atriz pela sua atuação (também como Protagonista) em um Musical (no caso “Pippin”), enquanto Courtney B. Vance venceu também pelo seu papel de destaque na peça “Lucky Guy”.

O fato de quatro artistas negros terem sido premiados em uma noite é notável, especialmente quando se considera que um total de 14 Oscars foram concedidos a atrizes e atores negros desde 1939. Em comparação, 49 Premios Tony foram ganhos por atrizes e atores negros desde 1950. O sucesso dos artistas negros no Tony Awards (Premio Tony) deste ano vai aumentar ainda mais a especulação de que só o chamado Great White Way (Grande Caminho Branco) pode ser um lugar muito mais acolhedor para os artistas negros do que Hollywood. Outros fatos que parecem reforçar essa noção incluem o longo reinado de Audra McDonald, que é negra,e, sem dúvida, a mais poderosa atriz a atuar no teatro norte-americano hoje em dia, uma distinção que já ocupa por quase uma década. Audra, já ganhou um total de cinco prêmios Tony,fato que a coloca no rol das figuras legendárias ao lado de Angela Lansbury e Julie Harris, ambas as quais são décadas mais velhas que ela, deixando muitas pessoas a prever que Audra acabará estabelecendo um recorde para a premiação Tony durante sua carreira.

O combate ao racismo e a homofobia itens obrigatórios nas “agendas politicamente corretas” da nossa atualidade, não abordam a posição da industria cinematográfica representada por Hollywood que pode, sem exagero, ser lida como um estandarte etnocentrico , reforçando a “hegemonia branca” nas telas, ao reproduzir estereótipos reresentativos de experiências enviesadamente registradas, com enfoque nos tipos raciais determinados  por uma mídia elitista,imediatista e rasa. As representações do negro nos primordios do cinemaficou caracterizada pela ideologia escancarada no filmeBirth of a Nation” (O nascimento de uma Nação) de 1915, que forma o modelo (textualmente, visualmente, e de muitas maneiras, tematicamente) para o cinema que se seguiu, uma indústria de filmes direcionada a apoiar o ponto de vista de uma supremacia branca (postura facilmente identificável na quase totalidade dos filmes de Hollywood até a era dos direitos civis), apresentando os homens negros como serviçais dócies e alienados  ou como "fanfarrões" agressivos e as mulheres negras invariavelmente como gordas, serviçais, governantas e as mulheres mestiça com  belezas exóticas e pisicologicamente torturadas e trágicas.

A indústria cinematográfica norte-americana tem produzido representações distorcidas que têm posicionados os personagens do dia-a-dia sob uma perspetiva binária e estuoidamente estanque: De um lado, o herói branco e absoluto; do outro lado os “Outros” (negros, gays, etc.) Nesses aspectos, tanto visualmente quanto narratologicamente, os “códigos” do grande cinema posicionam invariavelmente o “outro” como inferior ao herói branco (masculino), mesmo quando sob umigualitarismo” superficial pode parecer prevalecer.

Assim, lançando uma mulher negra para retratar Pipperidge Carrie (personagem de Audra McDonald em “Carrossel”, um clássico de Rodgers e Hammerstein) seria para alguns diretores e executivos de elenco de Hollywood, tão absurdo como lançar uma mulher negra para retratar uma das irmãs de Scarlett O'Hara em um remake de “Gone With the Wind” (E o vento levou).

 

Referencia:

 

1.      Blacks dominate the 2013 Tony Awardas; The Root;10 June 2013; Disponível em: http://www.theroot.com/views/african-americans-dominate-tony-awards  (acessado em 17/06/2013);

2.      Negra, D.; Asava. Z; Race and Cinema; OxfordBibliographies; Disponível em: http://www.oxfordbibliographies.com/view/document/obo-9780199791286...  (acessado em 17/06/2013);

3.      Imagem: http://www.theroot.com/views/african-americans-dominate-tony-awards  (acessado em 17/06/2013);

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