Audiência sobre o PIMESP é marcada pelo silêncio dos reitores e união dos movimentos sociais contra a proposta

Pela primeira vez, representantes das reitorias das três universidades estaduais de São Paulo ouviram as críticas do Movimento Negro e Estudantil ao “Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista” 

Por: Juliana Gonçalves, do portal CEERT
14/03/2013

Foram muitas as tentativas de diálogo da Frente Estadual Pró-Cotas (composta majoritariamente por entidades do Movimento Negro e Estudantil) com os reitores das universidades estaduais de São Paulo. Durante audiência pública realizada na última quarta-feira, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), representante da Frente revelou imagens dos documentos protocolados nas três universidades, que nunca foram respondidos. 

A realização da audiência pública foi uma reivindicação da Frente, imediatamente atendida pela deputada estadual Leci Brandão (PC do B) e outros parlamentares do PT e do PSOL. O objetivo foi de justamente buscar esse diálogo negado há tanto tempo. 



A audiência, convocada pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo presidida por Leci Brandão, convidou os três Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, João Grandino Rodas (Reitor da USP), Fernando Ferreira Costa (Reitor da UNICAMP) e Júlio Cezar Durigan (Reitor da UNESP) para debaterem o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (PIMESP), do governo do Estado de São Paulo. 

Apenas Durigan, reitor da UNESP, compareceu à audiência. UNICAMP enviou como representante o pró-reitor de Extensão, professor João Frederico da Costa Azevedo Meye. Enquanto a USP, enviou a pró-reitora de graduação Telma Maria Tenório Zorn, que protagonizou momento ímpar quando tentou abandonar a plenária discretamente, e foi compelida a ficar. 

Em suas falas iniciais, os representantes das instituições e o presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e mentor do PIMESP, Carlos Vogt, explanaram genericamente sobre o Pimesp e apresentaram informações sobre ações afirmativas já desenvolvidas em cada uma das universidades. Ações essas que já foram questionadas pelo Movimento Negro por serem medidas políticas inócuas. 

Todas as falas realizadas por representantes do Movimento Estudantil (UNE, UEE, ANEL, UMES) e cursinhos populares (Uneafro e a Emancipa) criticaram duramente o PIMESP e a falta de comprometimento dos reitores. “A ausência do Rodas (reitor da USP), já demonstra como esse processo do PIMESP está sendo comandado dentro da universidade”, declarou Pedro Serrano, diretor do DCE da USP. 

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), também lamentou a ausência dos reitores e sugeriu uma convocação imediata. “Eles não serão mais convidados, como foram hoje, e sim convocados a depor para explicar o PIMESP e a criminalização do Movimento Estudantil”, afirmou. 

O deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), contra o PIMESP, defendeu um projeto de cotas que dialogue com as necessidades expostas pelo Movimento Negro de São Paulo. 

Em peso, também compareceram representantes de entidades negras (Unegro, Fórum de Mulheres Negras, Instituto Luiz Gama, Círculo Palmarino, entre outros). Além de representantes da classe trabalhadora como APEOSP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e STU (Sindicato dos Trabalhadores da UNICAMP). 

Nenhum representante das reitorias conseguiu responder o questionamento do movimento social sobre o porquê da adoção de um sistema diferente do utilizado com sucesso nas universidades federais. 

Ao final das intervenções do movimento social, Carlos Vogt, fez uma fala final representando as três universidades. Falando baixo e de modo pausado, Vogt classificou como “apaixonante” o tema das cotas e citou o ícone feminista Rosa Luxemburgo para dizer que todos têm a liberdade de dizer e pensar o que quiser. “Liberdade é, sempre fundamentalmente, a liberdade de quem discorda de nós”, citou. Durante sua fala segmentos do movimento estudantil ficaram de costas para Vogt, como forma de protesto. 

Antes de encerrar a sessão, a deputada Leci Brandão garantiu que haverá um esforço dos deputados em transformar os diversos Projetos de Leis que já tramitam na Casa sobre o tema, em um único PL. A fim de aprovar uma proposta que seria lei estadual e derrubaria qualquer tentativa de implementação do PIMESP. 

Sobre o PIMESP 

O Pimesp prevê a reserva gradativa de vagas para alunos provenientes de escolas públicas e negros nas três universidades estaduais até o cumprimento da meta de 50% em 2016, sendo 35% delas para negros e indígenas. 

A entrada desses alunos, no entanto, dependerá do desempenho acima da média sete em um curso preparatório semipresencial de dois anos, o College. Para ser implementado já a partir do ano que vem, o programa tem de ser aprovado pelas comunidades acadêmicas de cada uma das universidades. 


Imagem: DCE Livre da USP

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