BA: deputada quer punir cantor por considerar música racista

Depois de apresentar um projeto propondo proibir, em nível estadual, o patrocínio público para artistas de pagode que cantem músicas com letras que humilhariam as mulheres, a deputada estadual Luiza Maia (PT) investiu nesta quarta-feira contra o criador da axé music Luiz Caldas e uma das músicas-símbolo do movimento, surgido na década de 1980, Fricote, de autoria de Caldas e Paulinho Camafeu.

Casada com o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT) e, portanto, primeira-dama do município, ela resolveu "punir" Luiz Caldas determinando que fosse cortado 30% do cachê do artista que se apresentou recentemente na cidade e cantou Fricote, "cuja letra apresenta cunho racista e depreciativo às mulheres negras", acredita a parlamentar.

Conforme ainda a deputada a canção "abala a autoestima da mulher negra, internalizando no imaginário coletivo a imagem de que ela é, entre outras coisas, feia e desleixada, o que se constitui também como uma forma de violência simbólica".

Em viagem pelo interior da Bahia, Luiz Caldas preferiu não comentar a atitude da deputada, mas sua assessoria de imprensa lamentou que Luiza Maia não saiba separar "obras lúdicas das chulas" e acredita ainda que a deputada está "desconectada" com a realidade. A assessoria negou que a proibição de cantar Fricote estaria em contrato mesmo porque isso seria inconstitucional, pois caracterizaria censura.

Luiz Caldas teria cantando os versos "nega do cabelo duro/que não gosta de pentear/ quando passa na Baixa do Tubo/ O negão começa a gritar..." pois foi uma exigência do público que assistia ao seu show. A assessoria não quis revelar quanto foi o cachê do cantor, mas disse que não pretende reclamar judicialmente devido ao corte.

Agência A Tarde

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Comentário de nivaldo pereira em 25 dezembro 2011 às 18:33

BOA INICIATIVA DA DEPUTADA LUIZA MAIA AO PUNIR O CANTOR LUIS CALDAS AO CANTAR FRICOTE.

Comentário de maria cristina batista alves em 25 dezembro 2011 às 18:25

companheiros, se a musica nega do "cabelo duro", faz a negritude mais oprimida então não devemos ouvi-la mais, mas vou dizer uma coisa, hoje tenho 54 anos, quando quando mais jovem essa musica me dava a sensação sou negra sim , colocava a mão no cabelo quando alguem cantava e dizia é duro, sim e dai, quando quero aliso, quando quero deixo duro também e era o que falava e falo até hoje.     

Comentário de EDUARDO PEREIRA em 25 dezembro 2011 às 13:08

Parabéns meu Caro Dilnei Silveira Severo, entretanto, mesmo sendo uma excelente idéia, a sociedade e o Estado brasileiro são altamente racistas e, não pagaram a conta da "abolição"  (entre aspas de propósito), já que rejeitaram o projeto de emancipação elaborado pelo Dr. Bezerra de Menezes, além de outros. Isso só poderá ocorrer se conseguirmos forças para derrotarmos os opressres, o que por diversas razões, históricas, culturais, econômicas, sociais, políticas, etc., se configura como, no momento, improvável. Veja o Estatuto da Igualdade Racial, não se conseguiu avançar um milímetro, as demarcações das terras das comunidades quilombolas, não existe lei (apenas um Decreto) regulamentando o art. 168 do ADCT da Constituição de 1988. Por ora, nos resta elegermos representantes comprometidos com a causa dos negros do Brasil.

Comentário de Dilnei Severo em 25 dezembro 2011 às 7:04

Este  assunto da atitude da deputada está bastante comentado. Mexe com todos nós. Acredito que seja pelo fato de nos sentirmos protegidos por alguém que tem esta prerrogativa. Quando um político usa dos seus "super -poderes" para nos proteger, no representar a altura, para fazer valer a nossa voz, nossos anseios, cria-se uma sensação de "NÓS PODEMOS".

Agora entendo o slogan do Obama. Somente devidamente representados é que teremos voz . Um dia o PT abrigou os trabalhadores num partido. Nós,  os não brancos,  precisamos criar um partido que eu aqui proponho,  O PDB (Partido da Diversidade Brasileira). Um partido moderno que na sua cúpula teria sempre,  obrigatoriamente, representantes negros, brancos, indios, gays, japoneses.Uma de suas metas principais seria a de desocupar todos os morros do RJ e redistribuir aquela população em núcleos habitacionais pelo Brasil afora.

Seria montada uma estrutura em cada estado para receber os favelados cariocas.  O morro seria área de preservação ambiental, o RJ continuaria lindo e o Brasil começaria a pagar a sua conta com o povo negro promovendo esta 2ª Abolição.    Acho que   não teriamos tantas dificuldades para montarmos comitês nas diversas cidades brasileiras e plantarmos esta semente. Imaginem em grupo de pessoas se assumindo num grupo de diversidade e mostrando a todos que precisamos zerar nossa conta com mais da metade de nossa população  (aquela dos indices negativos). Fica aqui a idéia posso detalhar mais para quem estiver interessado.   

Comentário de EDUARDO PEREIRA em 24 dezembro 2011 às 19:30

De fato,não apenas essa, mas como outras tantas músicas cantadas pro artistas famosos, a exemplo do Gil e Caetano, de fato reforçam o estereótipo no negro na sociedade brasileira. Entretanto, cabe a esses artistas que, diga-se de passagem tem o seu valor, inclusive o Gil, a meu ver é um baluarte e, quem sabe um motivo de orgulho para nós negros, não só pela sua tragetória artística, mas também, por sua tragetória política, refletir e, quem sabe, redimir-se lançando novas músicas que sirvam para elevar a autoestima dos negros e negras, notadamente, por v ivermos um novo momento, onde os negros e as negras, cada vez mais se politizam. Fica aqui, o meu aplauso à nobre parlamentar.

Comentário de Pedro Roberto dos Santos em 23 dezembro 2011 às 15:51

Aplaudi a Deputada Luiza Maia quando ela colocou o projeto com a intenção de punir os pagodeiros baianos de receberem incentivos públicos para se apresentarem ao nosso grande público cantando músicas depreciativas, que ferem o orgulho e a auto-estima das nossas mulheres...Mas essa de agora, acho exagero, não que eu seja favorável a música cantada por Luis Caldas, penso que como dizem aos quatro cantos, estamos em um país livre e democrático, temos liberdade de expressão e de imprensa e não estamos mais no período militar, tão cruel com nosso povo. Defendo sim, que a sociedade(feminina) amparada pela política seja conscientizada do seu papel de cidadã e a partir dessa conscientização possa defender-se de tantos ataques, de tantos auto-defensores e possa gritar em praças, teatros ou onde quer que estejam sendo veiculadas não só músicas como "nega do cabelo duro" e sim tantas outras que tanto as e nos depreciam. Juventude alerta, mulheres se defendam...abaixo o racismo e a depreciação da mulher negra no nosso país e em especial a nossa Bahia!

Comentário de Dilnei Severo em 23 dezembro 2011 às 11:01

Gente que sensação maravilhosa de abrir uma página contendo imagens e textos de pessoas negras realmente pensantes....

Ingressei a pouco no Correio Nago mas sinto que está sendo meu grande presente de natal em ver tanta gente bonita e maravilhosa emitindo suas opiniões , conceitos, idéias, enfim....sendo gente e pensando

O mundo não é só a branquice da Globo com suas novelas e seu universo que só serve para falsear nossa identidade de povo negro ou miscigenado.

Estamos todos de parabéns ...

Parece o Brasil que sempre sonhei sendo negro, brasileiro e respeitado como gente.... 

Comentário de franklin costa em 23 dezembro 2011 às 9:26

Felizmente estas mesmas pessoas não se ofendem, pois a consciencia delas evoluiu e percebeu a periculosidade contida na letra da musica que outrora as divertia sob um trio elétrico, e na alusão a miscigenação feita por Gil, Caetano, Jorge Amado... não se utilizam do deboche com vistas somente a divertir e entreter; e se essa musica fosse realmente saudável não geraria questionamentos nem constrangimento a ninguém; se o faz, é porque sua salubridade é duvidosa; a música é saudável, mas a letra...

Comentário de theodorico barbosa magalhaes em 23 dezembro 2011 às 9:10

Infelizmente, estas mesmas pessoas que estão aqui a se ofender com a letra desta musica são as mesmas que a dançaram e aplandiram sob um trio elétrico quando a mesma foi lançada.

Que ovacionaram seus autores quando os mesmos receberam premios por serem musicos Baianos reconhecidos por todo o Brasil. Quantas outras Musicas de Gil Caetano, Fazem aluzão ludicas ou não a misigenação de raças. Quantas vezes Jorge amado tambem o faz em suas obras.

E qual mulher na Bahia, já não dançou e se sentiu: loira negra ou morena a própria Nega do cabelo duro!

Esta musica já virou Hino da alegria do povo. é divertida, alegre, e uma brincadeira altamente saudavel.

Agora não se assumir é alem de tudo vergonhoso, alem de uma grande covardia. A baixa do tubo é um bairro

com infra estrutura precária, abandonado porque vereadores que deveriam estar a cuidar deste assunto, ficam por ai querendo mudar o que já é. E não raciocinam sobre a forma correta e original do que realmente é preconceito. 

Comentário de Roberto Muniz em 23 dezembro 2011 às 7:46

Estive na apresentação do Teatro Castro alves, e Luis Caldas encerrou cantando "NEGA DO CABELO DURO". Para mim tudo que ele tinha apesentado foi por água abaixo, fiquei muito triste, como uma sumidade de criatividade ainda canta uma musica dessa. Luis vc esta em outro mundo, aquela época já era. Acorde.

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