Em 1994 depois de um longo periodo de gestacao, e um dificil parto, nasceu uma nova nacao, com isto derrubando o antigo regime racista sul-africano branco. Depois de anos de protestos, lutas e mortes, finalmente o senhor Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da Africa do Sul. No momento em que barreiras ao governo e aos trabalhos caem, e os investimentos estrangeiros ganham forca, uma classe media negra surge para ser a pedra fundamental no surgimento de uma nova Africa do Sul que sera amplamente mostrada durante o mes da Copa do Mundo.
Mas esta prosperidade certamente nao atingiu ainda a vasta maioria dos negros no pais. 16 anos depois do fim do governo da minoria branca, muitos agora reclamam de um tipo diferente de opressao: a negligencia do governo. Desta vez, as marchas, os protestos, as musicas e ate mesmo as recentes greves, sao direcionadas ao CNA(Congresso Nacional Africano), partido que elegeu o senhor Mandela, e e o mesmo do atual presidente, o senhor Jacob Zuma.
Em Soweto por exemplo, as ruas ainda nao sao asfaltadas, nao ha banheiros interno nas casas, e a eletricidade e tirada dos semaforos. Grupos de cidadania reclaman constantemente pela falta destes e outros servicos publicos. Tranformando este e outros municipios num verdadeiro caldeirao de protestos. "Pelo menos durante o apartheid tinhamos algum tipo de trabalho," disse uma das lideres do Movimento dos Sem Terras, a senhora Maureen Minisi. Estes protestos destacam a fissura entre o partido do atual governo e a grande massa de destitutos que ate o momento ainda nao foi beneficiada com o fim do apartheid.
Com a chegada da Copa do Mundo, ao que parece, o pais tem mostrado pouco atrito racial. Bandeiras sul-africanas pregadas nos carros, e o contingente de pessoas torcendo pela selecao nacional mostram um patriotismo visto somente durante o campeonato de rugby no pais em 1995. "Esta claro que milhoes de cidadaos sul-africanos esperaram este evento com esperanca, orgulho e um senso de participacao." Disse o presidente Zuma numa coletiva recentemente. "Esporte sempre teve um papel imortante na nossa missao historica de construir uma Africa do Sul unida e sem probemas raciais."
O grande problema, e que ate o momento, o Congresso Nacional Africano tem tido enormes dificuldades em mostrar que pode cumprir suas promessas de liberdade politica, e tambem uma melhora na qualidade de vida dos cidadaos negros. Mesmo com toda a euforia deste historico mundial, a verdade e que milhoes de cidadaos nao se beneficiarao dos investimentos que vem ocorrendo no pais deste que a Africa do Sul foi selecionada em 2004 pra sediar este evento. Se ha um ressentimento agora entre muitos, ele podera chegar a proporcoes desatrosas depois do final da Copa. Par se ter uma ideia da dimensao deste problema, os organizadores gastaram US$ 400 milhoes na contruncao de um dos 9 estadios, enquanto a poucos quilometros de onde ocorrerao algumas das partidas, uma populacao imensa sequer tem acesso a saneamento basico. Os protestos desta vez nao serao dirigidos contra o governo de minoria branca, mas sim contra o senhor Jacob Zuma e o Congresso Nacional Africano.

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Comentário de Sérgio Cumino em 13 junho 2010 às 19:02
Meu Caro Edson, sempre um prazer em ler o que posta nessa rede. De fato, a Copa no continente Africano é um investimento alto, mas creio que como ocorre no mundo, e no caso não seria diferente, precisa um investimento alto em marketing, para que o mundo sinta esse continente, afastado da realidade branca. Não há mais como os esconder. O racionalismo europeu tem que digerir um povo que vive na miséria, e mesmo assim, são ricos de uma alegria, o que me orgulha sem ser brasileiro, e ter como berço essa riqueza. Não é só de esporte, que vemos nos noticiários de na TV globo “Fátima Bernardes e o repórter cinematográfico Edílson Santos tiveram um dia inesquecível. Eles visitaram o Museu do Apartheid, que relembra os mais de 40 anos do regime de segregação racial na África do Sul.” Espero que o mundo voltando seus olhares ao continente mãe, seja estimulo, a investimentos e que seja um divisor de águas, como foi à eleição do Presidente Mandela.
Um abraço
Sérgio Cumino
Comentário de FABIO HENRIQUE em 11 junho 2010 às 1:07
Li seu texto e calhou de eu estar vendo tbem uma materia na tv sobre a abertura da Copa do Mundo onde se falavam muito da celebração da diverisdade , novos tempos da Africa do Sul .......e então me pergunto será que todo esse investimento em construção de estadios , trens de facil acesso a esses estadios trará empregos aos africanos apos a Copa do Mundo ?. Será que grandes empresas investirão nos país ?. Enfim vamos aguardar pra ver . PARABENS PELO TEXTO !!

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