Batalha diária na feira das Sete Portas em Salvador

Na feira das Sete Portas, localizada na capital baiana, encontramos guerreiras e guerreiros da vida cotidiana

Por Jaqueline Barreto/ Da Redação do portal Omi-DùDÚ

Mulher, negra, com um tímido sorriso. As mãos calejadas de Heluzana Carvalho, 58 anos, retratam o trabalho diário dessa vencedora que não baixa a cabeça aos obstáculos e desafios da vida. Na feira das Sete Portas, encontramos essa mulher que, desde os 8 aninhos, ia acompanhar a mãe na venda de mangaba. Os anos passaram e, mesmo assim, após 50 anos, Heluzana ainda enfrenta todos os dias o sol quente, o peso das mercadorias nas costas, e o corre- corre típicos de um mercado a ceú aberto.

Dona Heluzana, perdeu o marido há 21 anos e tem 3 filhos , com, respectivamente , 30, 33, e 40 anos. Trabalha na feira durante todos os dias da semana o que gera uma renda mensal em torno de R$500,00. “ Quem sustenta tudo sou eu. Minha casa está precisando de uma reforma, mas o que eu ganho na feira só dá mesmo para comer. Não dá para comprar um móvel para minha casa,comprar uma roupa”. O tabuleiro dela fica localizado na parte externa da feira de Sete Portas, pois “ dentro eles cobram uma taxa pelo ponto e aqui fora não preciso pagar”.

Além do cotidiano marcado pela luta e espírito de uma verdadeira guerreira, tem um filho de 33 anos que foi espancado na rua e vive atualmente a base de medicamentos devido ao distúrbio mental originado pelas pauladas na cabeça. “Eu tenho de me virar para colocar esses remédios dentro de casa ”.

Heluzana reclama que a venda na feira caiu bastante devido ao surgimento das grandes redes de supermercados. “Antigamente, a gente colocava quatrocento móis de feijão e vendia rapidinho e agora não vende mais. Os mercados não vendiam muitas frutas, hoje, eles vendem tudo”.

Para Heluzana, os supermercados saem na frente dos feirantes tradicionais porque oferecem aos clientes a possibilidade de realizar compras através de cartão de crédito, a prestação ou cheque. “ A gente não tem como fazer isso. A concorrência é desleal ! Acho que o Governo deveria dar mais apoio a gente. Muitas vezes, alguma pessoas chegam em casa e não têm nada para comer.Vai fazer o quê? Roubar! Estamos tentando vencer a vida com dignidade!”, frisa

Conferir em: www.nucleomidudu.org.br jaquelinebarreto2008@hotmail.com

Exibições: 410

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço