Redação, Correio Nagô - No próximo dia 30 de maio, será publicado no Brasil o livro FELA. Esta vida puta, a surpreendente biografia do cantor e multi-instrumentista nigeriano, Fela Kuti. O livro  escrito pelo etnólogo cubano, radicado em Salvador, Carlos Moore, conta em detalhes a vida do principal músico africano de todos os tempos.A partir do dia 01 junho, uma série de eventos em várias capitais marcará o lançamento da obra.

 

Quase três décadas após sua primeira publicação na França e na Inglaterra, em 1982, a biografia é lançada no Brasil pela editora mineira, Nandyala Editora. A biografia foi a primeira obra do gênero sobre um músico africano, o que a torna ainda mais histórica. A obra suscita grandes expectativas por causa do crescente interesse mundial em torno da vida do artista e pelo verdadeiro renascimento internacional da musica que ele criou - o Afrobeat -,  quase quinze anos apos sua morte na Nigéria, em 1997, causada pela AIDS.

 

Além da personalidade marcante e da adoção de posturas políticas convictas contra a opressão, Fela é responsável por criar um complexo sistema musical (o Afrobeat); uma mistura de Jazz, Highlife, Funk e cantos tradicionais da África Ocidental. A música de Fela é comparada com outros gênios da música negra mundial, como Miles Davis, inventor do Cool Jazz, e Bob Marley, o engajado divulgador mundial do Reggae. Para o jazzísta sul-africano, Hugh Masekela - uma das principais referências do afro-jazz no mundo -, “Fela teria sido um verdadeiro gênio da musica mundial contemporânea na medida em que ele inventou todo um gênero musical por si só”.

 

Foto: Pierre Couchy (Chico)

 

Com prefácio de Gilberto Gil, o livro narra os pormenores da vida conturbada do polêmico músico nigeriano, ferrenho defensor do panafricanismo. Se colocando frontalmente contra qualquer tipo de opressão, Fela fundou uma comuna autônoma à qual deu o nome de  “República Kalakuta”, um ambiente onde se prezava pela liberdade e criatividade musical. Fela. Esta  vida puta foi publicado pela primeira vez na Nigéria em 2010 e já tem edições previstas para varios outros idiomas, incluindo o alemão, o italiano e o japonês. O livro vem sendo objeto de elogios pelo caráter inusitado e ousado da escrita. Com efeito, a vida de Fela é narrada na primeira pessoa pelo próprio Moore, mas usando as palavras de Fela, tiradas das entrevistas que realizou nos anos oitenta. O que fez o ator Lázaro Ramos considerar a obra de Moore como “um livro fundamental” para se compreender a história de Fela Kuti.

 

 

Influência musical. Pouco conhecida no Brasil, a música de Fela Kuti tem influenciado centenas de artistas em todo o mundo e é bastante divulgada sobretudo na Nigéria, onde Kuti tem status de herói nacional. No Brasil, além do músico Gilberto Gil - que o conheceu em Lagos durante o II Festival Mundial de Artes Negras e Cultura (FESTAC), em 1977 -, o cantor Jorge Ben Jor também reverencia a obra do nigeriano (tendo participado inclusive de um tributo internacional em 2002 que contou com a presença de dezenas de artistas africanos e da diáspora: Sade, Dead Prez, Baba Maal, Thalib Kweli...).  

 

Historicamente o Afrobeat tem sido um gênero musical de “iniciados”, conhecido sobretudo por músicos de jazz. Mas, após a morte do músico, em 1997, todo o dia 15 de outubro, a data de seu nascimento, os fãs brasileiros do músico organizam o evento “Fela Day”  para divulgar a obra do músico em várias capitais do Brasil,  da mesma forma que a data é reverenciada no exterior.

 

Polêmica. Esta vida puta aparece no Brasil especialmente num momento polêmico em que seu autor está processando, nos tribunais americanos, os produtores do musical FELA! da Broadway, por violação de seus direitos autorais. O espetáculo FELA! não somente teria sido baseado na obra de Moore, mas usado trechos de sua obra, captados de maneira inédita por meio de longas conversas que o autor teve com Fela Kuti. A briga judicial já rendeu matérias nos principais jornais do mundo como New York Times, The Herald TribuneSunday Times, da África do Sul e The Guardian, da Inglaterra e acalorou o debate sobre direitos autorais no noticiário internacional.

 

A amizade e confiança entre Moore e Kuti, possibilitou que o escritor conhecesse profundamente a vida do artista. Assim, o livro trata, inclusive, dos mais íntimos aspectos da vida do musico; como, por exemplo, seu relacionamento conjugal com as vinte e sete esposas com as quais ele se casou em 1978.  A obra também trata da polêmica candidatura (recusada) para a presidência da Nigéria. Provocação, ou forma de desafiar o sistema neocolonial? É abordada também a sua crença religiosa, de tradição ioruba, num contexto em que a Nigéria tornava-se cada vez mais cristã e ocidentalizada.

 

O lançamento da edição brasileira de Esta vida puta começa em João Pessoa (PB ), Recife (PE) e Salvador (BA), respectivamente o 01, 02 e 03 de junho.  No Rio de Janeiro,  nos dias 09 e 11, acontecerão dois lançamentos, sendo uma delas um grande evento com música ao vivo com duas bandas de Afrobeat. Em Belo Horizonte (MG),  o livro será lançado no dia 16 de junho. Já em São Paulo o evento  aconetce nos dias 24 e 25 de junho e por fim, no dia 26, Porto Alegre recebe o autor em evento com exibição filme e música (ver agenda completa abaixo).

 

 

 

Resumo do livro

(pela editora Nandyala)

 

Esta vida puta é a incrível história da vida tumultuada, provocadora, exuberante de Fela Kuti, contada em grande parte em suas próprias palavras.  Sua música hipnótica, suas apresentações vulcânicas e seu estilo de vida provocador, renderam a ele uma enorme legião de seguidores em todo o mundo. Mas também lhe infligiram experiências terríveis: várias prisões em condições degradantes, constantes batidas policiais, um brutal ataque por toda uma brigada militar seguida pela queima de sua residência comunal e a destruição total de seus bens. 

 

Ainda assim, Fela alcançou fama internacional em uma onda de controvérsias e de uma postura política intransigente em favor dos despossuídos.  Mas como ele era realmente, este homem que  podia  tão facilmente  despertar  a  hostilidade  violenta  das  elites  governantes  africanas  quanto  à  lealdade  inabalável  dos  oprimidos  de  todo um continente e mesmo além dele?

 

Fela foi um corajoso pan-africanista que enfrentou diversas forças de opressão com o poder de sua música transformadora imortal. Não temeu ofender os poderosos nem vacilou em defender os oprimidos. Denunciou o racismo e a alienação cultural como sendo tão maléficos quanto o imperialismo econômico e político. Esta biografia exclusiva é uma jornada comovente através da sua sofrida alma. E, pela primeira vez em livro, suas esposas também se expressam sobre elas e sobre ele. Autenticada pelo próprio Fela como sendo o retrato fiel de sua verdadeira cara, Esta vida puta é reconhecida por todos como a fonte primária incontornável sobre Fela. Biografia que choca, incomoda ou inspira, ela se torna tão imortal quanto seu sujeito. Muitas obras serão consagradas a Fela Kuti nos tempos que virão. Porém, podemos ter uma certeza: Esta vida puta se manterá inabalável como o único relato que é o reflexo genuíno de sua vida extraordinária e tão fora do comum.

Veja aqui a capa do livro


 

 

Notas biográficas sobre Fela Kuti

 

Fela nasceu em Lagos, no ano de 1938, em uma família de classe média e cristã. Ao partir para Londres teve seu contato maior com a música, fundando a banda Koola Lobitos de Highlife, ritmo popular na África Ocidental e que ganhava cada vez mais apreciadores em todo o mundo. Em 1969 vai para os Estados Unidos, quando conhece a militante do movimento Panteras Negras, Sandra Isidore, e começa o despertar de sua consciência racial. O nome da sua banda é logo alterado para Nigéria 70. Com problemas de imigração é obrigado a deixar os EUA, mas antes grava o lendário álbum "The '69 Los Angeles Sessions".

 

De volta à Nigéria, aprofunda-se nas ideias panafricanistas (que defende a união política e cultural dos africanos e sua diáspora) e muda mais uma vez o nome da banda para África 70. Fela decide cantar em Pidgin (variante nigeriana do inglês) e começa a se tornar popular por todo o continente africano. Nos turbulentos anos de 1960 e 1970, Fela foi uma das mais poderosas vozes contra a opressão ocidental na África e a corrupção das elites de seu país. Sua música de forte teor político era como um hino para os que estavam descontentes com o sistema político. A música Zombie, de 1976, por exemplo, foi usada contra o presidente Olusegun Obasanjo, representante do regime militar. Essas ações político-musicais resultaram em uma série de transtornos em sua vida, como a morte da mãe do cantor em sua casa, na chamada “República de Kalakuta”, uma comuna alternativa criada no subúrbio de Lagos.

 

Autor de quase 50 discos e mais de duzentas composições, Fela ficou conhecido em todo mundo pela qualidade de suas letras, inconfundível performance e pérolas da música como as lendárias Water no Get Enemy, Sorrow, Tears and Blood, Zombie e Lady, dentre outras.

 

Faleceu em 4 de agosto de 1997, aos 59 anos, vítima de AIDS, deixando a população nigeriana consternada. Cerca de um milhão de populares foram ao seu enterro, declamando e cantando trechos de sua música.

 

Em 1982, um documentário sobre Fela Anikulapo Kuti, dirigido por Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori denominado "Music Is The Weapon" deu evidencia internacional para o músico. Em 2010, o e diretor de cinema britânico, Steve McQueen, anunciou a produção de um longa sobre a vida do músico nigeriano.

 

Teatro – Recentemente, a vida de Fela Kuit foi transformada em peça teatral. Rodrigo dos Santos montou o monólogo O Subterrâneo Jogo do Espírito, escrito, produzido e dirigido pelo ator que integra a Companhia dos Comuns (Rio de Janeiro. Rodrigo atua em cinema e televisão, tendo participado da novela Passione (Rede Globo).

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Sobre o Autor

 


Foto: Donald Cox


Doutor em Ciências Humanas (Universidade de Paris-7, França), 1983 e Doutor em Etnologia (Universidade de Paris–7, França), 1979, Carlos Moore nasceu e cresceu em Cuba. Morou e trabalhou na Europa por quinze anos (França), na África por oito anos (Egito, Nigéria e Senegal), no Caribe por dezoito (Trinidad-Tobago, Guadalupe, Martinica), e viajou intensamente pelo sudeste da Ásia (Filipinas, Austrália, Ilhas Fidji, Papua Nova Guiné, Indonésia) em projetos de pesquisa, tendo agora fixado residência permanente no Brasil, na cidade de Salvador.

 

É autor de cinqüenta e cinco artigos publicados sobre questões internacionais. Tem os seguintes livros publicados: PICHÓN. Race & Revolution in Castro´s Cuba (Chicago: Lawrence Hill Books, 2009);  African Presence in the Americas (Trenton NJ: Africa World Press, 1995), redator principal; Castro, the Blacks, and Africa (Los Angeles, CA: CAAS/UCLA, 1989); Fela. This Bitch of a Life (Abuja: Cassava Republic Press, 2010; London: Omnibus Press, 2010; Chicago: Lawrence Hill Books, 2009; London: Allison e Busby, 1982); Fela. Cette Putain de Vie (Paris: Khartala, 1982); Were Marx and Engels Racists? (Chicago: IPE, 1972). No Brasil, o escritor já publicou os livros Racismo & Sociedade (Belo Horizonte: Mazza Edições, 2008); A África que Incomoda (Belo Horizonte: Nandyala Editora, 2011; 2008); O Marxismo e a Questão Racial (Belo Horizonte: Nandyala Editora, 2010). Moore é também conferencista em universidades dos Estados Unidos, América Latina e do Caribe. Atualmente é Chefe de Pesquisa Sênior (Honorário) na Escola para Estudos de Pós Graduação e Pesquisa, na Universidade do Caribe (UWI), Kingston, Jamaica.

 

 

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Outras cidades: 

 

09: Rio de Janeiro (Livraria do Museu da Republica, Catete, às 18h)


10: Rio de Janeiro (17h: Livraria da Travessa, Centro/Rua do Ouvidor ou Sete de Setembro; 19h30: Kitabu Livraria Negra, Lapa)


11: Rio de Janeiro (Teatro Rival, às 23h)

           
16: Belo Horizonte ("Nandyala/Associação Iorubà", 18h às 21h)

24: São Paulo (Espaço Cultural Serralheria, às 18h)

25: São Paulo (Espaço Cultural Mantilha, às 22h)

26: São Paulo (Livraria-Café Ponto do Livro) das 14h às 16h.

29: Porto Alegre (Centro Santander Cultural, 18h)


 

 

Contato para entrevistas e palestras:

 

Paula Nascimento

Coordenadora de Relações Publicas

Tel: (71) 87569320

E-mail: paulanascimento03@gmail.com

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Comentário de Jandira Catarina Duque Pinto Fon em 31 maio 2011 às 17:16
Imagens lindas! Valeu Fela Kuti.
Comentário de Jandira Catarina Duque Pinto Fon em 31 maio 2011 às 17:10
COMO É GOSTOSO OUVIR MÚSICA NESSE ESTILO ADORO SAX. VOU ESTÁ LÁ NO LANÇAMENTO DO LIVRO DESTE GRANDE MÚSICO.
Comentário de Instituto Mídia Étnica em 26 maio 2011 às 12:04
Ouçam um pouco a música de Fela Kuti

Comentário de COPIRDF em 26 maio 2011 às 11:57
Obrigada.
Comentário de Rosana chagas em 26 maio 2011 às 10:35

Oi Leila,

Você pode contactar a Ana Paula através do e-mail paulanascimento03@gmail.com ou através do número de telefone 71 87569320. Certamente a Ana poderá colocá-la em contato com a pessoa responsável pelos lançamentos. 

abs

Rosana

Comentário de COPIRDF em 26 maio 2011 às 9:26

Bom dia, Como poderíamos ver o contato para ver possibilidade de lançamento do Livro em Brasília- Distrito Federal- ?

Leila L

Copir DF

Translation:

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