Campanha Reaja divulga nota sobre programa Pacto pela Vida

A Campanha Reaja ou será Mort@ formada por militantes do movimento negro contra o extermínio da juventude negra divulgou nas redes sociais um artigo criticando o programa Pacto pela Vida lançado pelo Governo da Bahia no último dia 06 de junho, em Salvador. Confira o documento na íntegra.


A Campanha Reaja é uma articulação de movimentos e comunidades de negros e negras da capital e interior do Estado da Bahia, com uma interlocução nacional com organizações que lutam contra a brutalidade policial, pela causa antiprisional e pela reparação aos familiares de vítimas do Estado (execuções sumárias e extra-judiciais) e dos esquadrões da morte, milícias e grupos de extermínio.

No ano de 2005, num contexto de governo ligado a um grupo político que há décadas dominava os recursos financeiros, os meios de produção, o sistema de justiça e comunicação e que tinha no estado penal e no racismo fundamentos para uma política de genocídio, nos insurgimos contra as mortes de milhares de jovens negros desovados como animais às margens de Salvador e Região Metropolitana.

Resolvemos fazer uma articulação comunitária e com os movimentos sociais e politizar nossas mortes. Colocar em evidência a brutalidade policial, a seletividade do sistema de justiça criminal que nos tinha - e ainda tem - como os bandidos padrão, sendo a cor de nossa pele, nossa condição econômica e de moradia, nossa herança ancestral e pertencimento racial a marca a etiqueta de “inimigos a serem combatidos”.

A Campanha Reaja apresentou uma série de relatórios, informes, dossiês, denúncias e recomendações a vários organismos nacionais e internacionais, como ONU, OEA, Anistia Internacional, OAB, Defensoria Pública, Comissões de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, da Assembléia Legislativa e o próprio Governo do Estado, independente de quem estivesse em seu comando. Para nós, o direito a vida e vida digna sem racismo e violência está para além da conjuntura.

Sendo assim, vimos através desse documento declarar nossa posição sobre a política de segurança pública em curso e fazer uma análise embrionária sobre o programa Pacto Pela Vida, lançado no dia 06/06/2011 pelo governo do Estado da Bahia.

Documento esse que deve ser encarado como um instrumento de diálogo que buscamos estabelecer com o governo e os demais poderes de justiça articuladores desse programa, bem como as organizações da sociedade civil, o parlamento, e a sociedade de um modo geral. Lembramos que em todas as oportunidades que tivemos para falar com Excelentíssimo Senhor Governador Jaques Wagner apelamos para o fato de que só um diálogo com toda sociedade poderia ajudar a construir um outro modelo de segurança pública. Por tanto nossa exigência feita no calor de nossa ira frente aos corpos de vários jovens que tombaram durante as operações Saneamento I e II, na Chacina de Pero Vaz, na Chacina de Vitória da Conquista, na Chacina (vingança Estatal) de Cana Brava, nas mortes de Edvandro, de Djair, e Clodoaldo Souza o Negro Blul, entre outras, nos obriga a participar dessa construção de forma crítica, não tutelada, propositiva.

Apresentamos a essa plenária alguma considerações sobre segurança pública, relações raciais, sistema de justiça na sua interação com pressupostos racistas, homofóbicos e sexistas que impedem a concretização dos princípios republicanos e democráticos, tão repetidos por Sua Excelência, o Governador do Estado da Bahia Jaques Wagner, listando algumas questões de extrema importância a serem consideradas pelo governo como espinha dorsal na concepção de um possível Pacto Pela Vida.

Os Pactos e Nós, Os Negros/as

“Mesmo que pareça mais atraente e até seguro juntar-se ao sistema, precisamos reconhecer que agindo assim estaremos bem perto de vender nossa alma” ( Bantu Stive Biko, Escrevo o que quero, editora Ática , pag.48. 2º edição 1990)



Cento e vinte e três anos depois da proclamação do pacto abolicionista “fajuto” que as elites fizeram entre si, nos tirando da condição legal de escravizados e nos empurrando para a quase perpétua exclusão dos meios de produção, de participação e do exercício de poder a que temos direito, o Estado, compreendido como os poderes de justiça, o poder legislativo, executivo e agora a defensoria pública, nos convoca a pactuarmos pela proteção da vida.

“Art.5° todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade, nos termos seguintes:” (CEFB/88)

Entendemos que esse pacto, pela vida, já está expresso em nosso ordenamento jurídico e que o Constituinte Originário imprimiu no artigo 5º e esparsamente em toda nossa carta mãe, os fundamentos de um estado democrático de direito, sendo o direito à vida e à vida digna sua expressão máxima. Portanto, segundo várias correntes doutrinárias e o próprio corpo de juízes supremos - (STF) Guardiões da Constituição, excetuando “caso de Guerra declarada”(I,XLVII “a” Art.5º) - o valor da vida é um valor absoluto.

Porque o governo do Estado da Bahia nos convoca para um pacto pela vida? E porque as ações anunciadas pelo pacto concentram-se apenas numa suposta guerra contra o crime? Porque um governo democrático participativo e popular opera com uma lógica de lei e ordem tendo como fim a criação de um Sistema de Defesa Social?A ideologia de defesa social tem como um de seus princípios norteadores essa dicotomia entre bem (cidadão/sociedade) e mal (bandido/ criminoso/excluído). Essa dicotomia foi apresentada por um funcionário do governo quando apresentava o pacto a militantes do Movimento Negro, numa reunião chamada pela Sepromi –Secretaria de Promoção da Igualdade. Essa mesma ideologia é expressa pelo mandatário máximo do Governo da Bahia, quando apela em seu discurso para o combate do bem contra o mal.

No programa Balanço Geral, exibido pela rede Record de televisão em 08/06/2011, conduzido pelo apresentador Raimundo Varela, o governador falava na “defesa do bem contra o mal”. A julgar pelos corpos exibidos, pelos presos com suas imagens violadas nessa mesma emissora, o bem a que parece se referir o Governador tem origem racial, origem de classe e poder de contratar bons defensores e terem sua imagem e liberdade preservadas. E o mal ? Bem, o mal somos nós, negros e negras, a maioria da população. Não um corte ou um grupo de trabalho em eventos promovidos pelo governo, mas a totalidade dos interessados em um novo modelo de segurança.

Segundo Alexandre Barata:

“Há um controle da criminalidade(mal) em defesa da sociedade(bem). O delito é um dano para a sociedade o delinqüente é um elemento negativo e disfuncional”(Alexandre Barata , Criminologia Critica e critica do Direito Penal , pag.03 editora Rio de Janeiro /2002)



Os chamados inimigos, os maus, em sua maioria são jovens, encarcerados nas instituições de seqüestro por crimes contra o patrimônio, o chamado crime anão, crimes de bagatela e que entopem as cadeias gerando lucros para os empreendedores do ramo industrial carcerário. A ideologia da defesa social quer proteger o patrimônio privado, contendo uma criminalidade descalça, de rua, analfabeta. Uma criminalidade fruto da pobreza, da remoção forçada de famílias inteiras do campo, vítimas da acumulação do capital nas mãos dos herdeiros de quem fez o pacto do tráfico transatlântico de seres humano escravizados: nós, negras e negros.

Assim, consideramos os pontos que seguem de extrema relevância na composição do eixo central de um plausível Pacto Pela Vida:

1. O ordenamento jurídico já consagra a vida como um bem jurídico a ser protegido. O Pacto Pela Vida confirma o fracasso do Estado Brasileiro em garantir nossa segurança. O governo nos convoca por que não pode esconder a tragédia humana em suas mãos. A tragédia de uma guerra cruel, cujas vítimas são negros de baixa escolaridade residindo em lugares precários.

2. O Pacto Pela Vida não pode concentrar-se numa suposta guerra contra o crime apoiada na ideologia da defesa social e da teoria do direito penal do inimigo. Essa lógica do bem e do mal, é reducionista e espalha o medo, sem promover o verdadeiro diálogo. Esse é um modelo ideológico amparado na criminalização, no etiquetamento de pobres, negros e mulheres - estigmatizadas por sua relação afetiva com homens ( jovens negros) que são o principal alvo do atual sistema de segurança pública exilados nas instituições de seqüestros ( Casas de Detenção, cadeia, delegacias e etc).

3. Nós negras e Negros do Estado da Bahia somos os principais interessados em um novo modelo de segurança que não seja racista, machista, homofóbico e sexista. Não somos um corte um grupo de trabalho.

4. Se a proposta é de um provável Pacto pela Vida, é necessário que se reflita sobre uma prática em curso de limpeza étnica, exemplificada pelos títulos das operações Saneamento I e II que levou a óbito mais de 3.000 pessoas entre 2007 e 2010, pela ação estatal da Rondesp, Choque, Caatinga, Guarnições e policias quer pela ação dos grupos de extermínio, esquadrão da morte ou pela omissão do estado.

5. O atual Secretário de Segurança Publica Mauricio Barbosa, surpreendeu a sociedade com o “ Baralho ” símbolo da indignidade e da ofensa aos direitos fundamentais. O supostos criminosos exibidos no jogo de carta virtual são violados em seu direito ao principio contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal. São pessoas exibidas como culpados antes de serem processados, antes do trânsito em julgado.Este baralho é um ultraje a dignidade humana, uma repaginação dos institutos racistas de busca de africanos foragidos. O baralho deve ser retirado do sistema da SSP.

6. Como tratar de um Pacto Pela Vida, quando temos diante de nós uma demonstração de desrespeito ao meio ambiente e a vida: O Presídio de Simões Filho, construído em área de proteção ambiental (APA), território quilombola amparado pelo decreto 4887. Situação que, sabidamente ameaça a vida de funcionários, presos e suas famílias, pela existência de ductos de gases tóxicos que passam por baixo da construção.

7. Para tratarmos de um provável Pacto Pela Vida, é necessário sairmos da lógica punitiva e apresentar números de instrumentos em política cultural, política de saúde, educação, saneamento, política publica ao invés de militarização do espaço urbano. Urge investir em reparação pecuniária, humanitária aos familiares das vítimas dos grupos de extermínio, esquadrão da morte e oficiais do governo.

8. Pactuar pela Vida significa o respeitar a dignidade humana, impedindo a exposição ilegal de presos em delegacias, responsabilizando delegados, agentes policias, e polícias militares que expõem a constrangimento ilegal pessoas custodiadas pelo Estado.

Assim, instamos o governo a promover um diálogo permanente que envolva as universidades, o parlamento, o judiciário, os partidos políticos, os meios de comunicação, mas sobretudo as comunidades atingidas e o movimento social para que apontem caminhos não-punitivos de promoção das potencialidades, tendo a liberdade como regra, como consagrado pelo ordenamento jurídico. Um diálogo que resulte numa verdadeira democracia, como queriam os mártires da Revolta dos Búzios.

A reaja convoca negras e negros a agirem como maioria.

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Comentário de Josias Pires em 4 julho 2011 às 17:33

Como não pretendo sentir tais insultos como algo respeitável, continuo buscando ser amigo do bem, do bom e do justo Acho que seria mais produtivo o cidadão ter mais respeito pelos nossos. Debate fraterno.

 

http://blogbahianarede.wordpress.com/2011/07/04/a-cena-e-tua-pitang...

Comentário de Eduardo Sergio Santiago em 4 julho 2011 às 17:19

Vc tem mais é que defender o seu e para isso não precisa ser estúpido:

"...a maior de todas as heranças malditas legadas pelos 400 anos de relações escravistas e colonislistas que caracterizam a história brasileira; e que os 100 anos de República foram incapazes de remediar. Afinal, somos ainda herdeiros de uma República profundamente marcada pelas desigualdades sociais."

Não foi eu quem falou isso! Agora nem todos os pretos precisam fazer uma reação; até porque, estão se lambuzando com as migalhas que caem da mesa dos algozes... Qual é rapaz??? E o voto? será que não é um pacto? Algumas familias dos pretos que morreram por conta da cor, nesse processo violento de limpeza etnica entre nós estava no 2 de julho, você deveria ter ido conversar com elas e pedir desculpas - diga que seu pessoal errou a bala no preto... que era para outro preto... E essa chacina se estende as escolas e aos atendimentos que recebemos de saúde nos postos; talvez você nunca tenha precisado ouvir uma coisa comum nos postos: ATENDIMENTO DE EMERGENCIA AQUI É TIRO E FACADA!!! O RESTANTE QUE MORRA... Esta terra fabricou escravos e tendo essa singularidade, ela fez gerações e mais gerações - não me surpreende seu posicionamento; até porque, seria novidade o governo não investir em disseminar mais alguma coisa ruim entre nós! Aliás, o branco criou este tipo de capacho, o servidor voluntário para fazer seu serviço sujo... A figura do vendedor de cabeças ela apenas ganhou nova roupagem, ficou estilosa e com a conversa e lingua do branco; mas, não falta preto para serví-los - volto a frisar, eles criaram uma indústria de fazer escravos.Se você fosse um militante do movimento negro, eu ficaria preocupado em marcare para conversar ou mesmo tentar conversar mais sobre estas e outras questões; Mas, você é um agente do inimigo , fala como ele, age como ele e se sente um deles... Um dia vão dizer quem você é; isto é, se você tiver rosto!!!

Comentário de Josias Pires em 30 junho 2011 às 17:38

Foi dito aqui que cometi um crime por estar pensando a história do Brasil a partir de 1.500.

Fui julgado e condenado por pensar e expor meus pensamentos ... estranho, héim?

Pindorama, terras sem males de mil nações indígenas, línguas, atividades, modos de ser distintos, nações guerreiras ... evidentemente não é o Brasil, meu caro amigo. O Brasil enquanto projeto de nação formada de povos oriundos de diferentes etnias de três continentes distintos nasce a partir de 1500. É a premisa para entender onde estamos e do que estamos falando. Evidentemente que valores, símbolos e costumes indígenas encarnaram definitivamente no modo de ser do popular brasileiro contemporâneo. Assim como temos viva a herança africana. E também a européia.

A violência. Está presente em todo lugar, em todos os continentes, em todos os tempos, batalhas e guerras terríveis são vividas pelos seres humanos numa constância assombrosa. O extermínio da juventude negra precisa ser interrompudo. O modus operandi da polícia tem que ser barrado. Como? O contrário da guerra é a política. A política é a arte de superar os conflitos pelo diálogo. E não pelas armas.

A política de segurança do governo: lembremos todos que o alto comando da polícia militar nos oito anos anteriores ao governo Wagner estava sob o controle de uma quadrilha. O comandante-geral chegou a ser preso. A polícia que herdamos é praticamente a mesma dos últimos 50 anos. Fora da Bahia já ouvimos falar em banda podre na polícia. A Bahia é o estado dos piores índices sociais do país. Isto não é pouca coisa. O estado da Bahia foi incompetente nos últimos 50 anos de melhorar a situação do povo, ao contrário, é um dos principais responsáveis pelo quadro que vivemos. A sociedade baiana terá que reaprender a gerir o Estado.

Discordo de que vivamos num estado democrático. Acredito que só alcançaremos um estado democrático quando vivermos numa democracia participativa. Estamos longe disso.

A vitória do PT nas eleições representou o desejo da sociedade de que sejam produzidas mudanças substantivas na situação. É o que todos esperamos. Agora, o debate político é fundamental, sabemos. Os governos que não corresponderem aos desejos da maioria serão desfeitos.

Do meu ponto de vista, a única forma de enfrentamento adequado da violência urbana é o estado partir de frente para a criação de escolas de excelência, botar a meninada toda nessas escolas, estimular os professores e as equipes a fazer a revolução brasileira. Simultaneamente, cuidar da qualidade da prestação dos serviços de saúde, saneamento, moradia, lazer, cultura. Gerando trabalho, oportunidade de geração de renda, programas ousados de distribuição de renda. A guerra é contra a pobreza.

A sociedade vai ter que aprofundar a articulação dos saberes contra-hegemônicos - reunindo os saberes universitários, associativos, comunitários, profissionais, etc. - articulando esses saberes e dizendo ao estado o que é melhor, o que é preciso ser feito. A verdade, meus amigos, é que o estado perdeu completamente a capacidade de planejamento e isto só será recuperado a partir de demandas da sociedade.

Comentário de Bobo Tafari em 29 junho 2011 às 22:03

A política de (in)segurança proposta pelo governador Jacques Vagner tem como principal objetivo o combate ao tráfico de drogas que, como os mais interessados sabem, foi inventado pelas elites brancas no processo de pós abolição como forma de encarceramento e exterminio dos africanos e seus descendentes. Introduzida no Brasil pelos Africanos que serviram de mão de obra para o sistema colonial escravista, o uso da maconha foi associado por estudiosos de cultos afro brasileiros, juntamente com a religião, como elementos de resistencia à desafricanização. Na decada de 30, os descendentes de africanos serão vítimas frequentes da Lei, é oriunda dessa época a Lei contra a Vadiagem, que previa o encarceramento do individuo "apreciador do ócio" e em 1934_ com o estabelecimento do Estado Novo_ o porte da maconha passa a ser penalizado com punição prevista na Lei.  

Apesar do Racismo Institucional explicito em relação à lei que proibe a existencia de uma planta, os vários MOVIMENTOS NEGRO_com raras excessões_ tem estado a parte do debate sobre a descriminalização do fumo d'Angola cuja ligação com a África_ tão eloquentemente invocada nos discursos de militantes inflamados_ é milenar. Após 27 anos de proibição, vemos o combate ao tráfico de drogas ser realizado especificamente nos bairros cuja maioria da população é preta ou parda e os principais ou melhor, os únicos apontados e exterminados pela sociedade_ inclusive por nós militantes omissos_ são os jovens pretos. As armas que disparam contra nós são do Estado mas a munição é fornecida por nós cuja ignorancia sobre nossa ancestralidade nos leva a ter preconceitos contra nossa própria cultura, chegando até a denominar como demoniaca_ erva do diabo_ uma planta cujo próprio nome de origem africana remete à sacralidade. ATÉ QUANDO OS MOVIMENTO NEGRO VÃO SE CALAR DIANTE DO EXTERMINIO DA JUVENTUDE NEGRA??? ATÉ QUANDO VÃO COMBATER O TRÁFICO DE DROGAS CUJO MAIOR INTERESSADO É O ESTADO RACISTA COM MEDIDAS PALIATIVAS E CARTINHAS AO GOVERNADOR???

Comentário de Eduardo Sergio Santiago em 19 junho 2011 às 22:25

Pessoal é o seguinte: está havendo uma poluição de informação e precisamos ter muita prudencia neste momento! O governo invadiu os bairros populares com a força da polícia, dando sequencia a uma politica de exterminio do nosso povo; que aliás, se estende aos atendimentos que comumente é considerado como negligente nos postos de saúde e de pronto atendimento, inserido aí, o pouco caso para com a educação publica. Camarada Josias Pires, esta é a razão que distancia o nosso povo - quero dizer: o povo qual eu faço parte! Da raão de sujeição e da sutil servidão voluntaria que a babilonia propoe para nós.

Voces só conseguem ver "...a maior de todas as heranças malditas legadas pelos 400 anos de relações escravistas e colonislistas que caracterizam a história brasileira; e que os 100 anos de República foram incapazes de remediar. Afinal, somos ainda herdeiros de uma República profundamente marcada pelas desigualdades sociais." Acontece que a noss luta contra a dominação de Babilônia não começou na diáspora! Outra coisa, o golpe da República no Brasil veio para remediar sim; mas uma crise das elites colonizadora e que fez seu processo de transição. NOSSO POVO É HERDEIRO DA REPUBLICA DE PALMARES! E não do golpe de Deodoro da Fonseca e outros comparsas. O Movimento REAJA não precisa colocar uma mão numa ferida que não cicatrizou, que sempre que nos dão um remédio é numa dosagem cavalar e das mais amrgas possíveis. Você acha mesmo que o nosso povo não sabe onde dói? Que é preciso que alguém diga: está doendo aqui ou ali em você!

Existe um Estado democrático dentro do Brasil; só que esta democracia não chegou para nós e, convenhamos temos que ter muita cautela porque os nossos adversários hoje não se utilizam mais de golpes como fizeram com os Lanceiros Negros - Usam uma arma que nunca renunciaram: a cooptação!!! É insano abrir mãos das trincheiras para negociar com um inimigo que a única coisa que procura é uma trégua até a Copa do Mundo. Quem aqui é capaz de garantir que esta sociedade que tem feito malabarismos dos mais incriveis para impedir os minimos avanços em políticas publicas afirmativas, esteja de uma hora para outra, desejando profundamente democracia e incluir o nosso povo nesta democracia.

...Ora, nos primeiros cem anos da história brasileira milhões de índios foram assassinados, povos inteiros exterminados....

"..A violência hoje é urbana pois a imensa maioria das pessoas passou a viver nas cidades, para dizer o óbvio. Qual a raiz principal desta violência?"

É um crime ler a história do país a partir da chegada do europeu!!!

Os quilombos urbanos sempre foram alvos de constantes ataques da policia como hoje, na época, eram medidas de prevenção à violência!!! Corta-braço é um exemplo... E se eu for citar outros aqui vai faltar papel! O problema é que essa democracia ainda não chegou para o nosso povo - procure saber de quem mora no Uruguai, Liberdade, Beiru etc. Se a violência para com eles é de 20 ou 30 anos para cá? Veja a história de Beiru!

Tem mais, quando falamos as elites, escondemos a verdadeira face do jogo: os índios constantemente estão sendo vitimas de chacinas e a negrada não é diferente! Logo, já se sabe quem é o inimigo! Este documento do grupo REAJA, faz referencia a uma chacina recente no antigo Corta-Braço. O problema dessa chamada guerra contra as drogas, pode me acertar amanhã ou ainda esta madrugada porque o principal elemento que se está tomando como referencia de tudo isso é a cor da minha pele! E foi o proprio governador que estbeleceu que é uma guerra do bem contra o mal; e considerando que a cor da minha pele é a referencia do mal, quer dizer que sou um alvo constante.

Tem um canto de Solano Trindade sobre isso:

Negros

Negros que escravizam
e vendem negros na África
não são meus irmãos
Negros senhores na América
a serviço do capital
não são meus irmãos

Negros opressores
em qualquer parte do mundo
não são meus irmãos
Só os negros oprimidos
escravizados
em luta por liberdade
são meus irmãos
Para estes tenho um poema
grande como o Nilo.

As escolas falidas, jogadas as traças... O atendimento hospitalar de péssima qualidade, as vezes, é melhor tentar a coisa em casa que se expor para um inimigo fantasiado de branco, até a cor é sugestiva, num hospital! E eles esquecem aparelhos no interior da pessoa, e eles esquecem de atender a pesoa e depois, num corporativismo para não dizer outra coisa, eles negam um documento que diga a verdade sobre o tratamento desumano que alguem teve... Alegando ser ética, como se ética fosse um  artigo de proteção a pratica bandida; dinheiro na cueca. A Bahia recentemente ganhou a informação de que é uma das lideraças em prostituição infantil - O moço deve lembrar que no inicio do ano passado o governo do Estado fez uma campanha com uma garotinha negra de braços e sorrisos abertos, como a preferencia nacional dos turistas!!! FAZENDO MAIS PARA QUEM MAIS PRECISA: essa frase entre outras coisas, como se trata de um período junino, me lembra GONZAGÃO cantando: "... Mas doutor uma esmola / a um homem que é são / ou lhe mata de vergonha / ou vicia o cidadão..." Mas esta coisa de fazer para indefeso, que precisa de um pai, que não tem como se suster, é fundamento eugenista; Agora, a competencia e a capacidade de PALOCCI não chegou para todo mundo - e olhe que nosso povo dá nó em pingo d'água!!!

Comentário de Josias Pires em 19 junho 2011 às 19:09
O lançamento do Pacto pela Vida pelo governo da Bahia  representa, de um lado, a tentativa da gestão pública de buscar respostas para a crise de segurança pública que nada mais é do que a maior de todas as heranças malditas legadas pelos 400 anos de relações escravistas e colonislistas que caracterizam a história brasileira; e que os 100 anos de República foram incapazes de remediar. Afinal, somos ainda herdeiros de uma República profundamente marcada pelas desigualdades sociais.
O momento requer reflexão e ação consorciadas. Num documento crítico, o movimento Reaja põe o dedo na ferida e clama por outras perspectivas. Para que o Pacto pela vida funcione, de fato, deverá encarnar o compromisso de superação do estado autoritário, repressor, racista e homofóbico. O desejo profundo da sociedade é por um Estado Democrático pra valer. Neste sentido é chegado a hora de falar em democracia participativa. É deste assunto que os políticos precisam começar a entender para que todos nós possamos nos entender.
Afastemos, de pronto, a falsa idéia de que a violência urbana começou em 2007. Ora, nos primeiros cem anos da história brasileira milhões de índios foram assassinados, povos inteiros exterminados. Nos 200 anos seguintes, a  escravidão de índios e africanos representa rosários de dores. A violência das elites sempre dominou, sempre determinou a paisagem da civilização brasileira. Isto transbordou para as primeiras décadas do século XX, quando os cangaceiros incendiaram os sertões nos tempos dos Coronéis donos dos latifúndios e os Capiães Lampiões e Coriscos.
A violência hoje é urbana pois a imensa maioria das pessoas passou a viver nas cidades, para dizer o óbvio. Qual a raiz principal desta violência?
São vários motivos, porém a guerra às drogas é o  que tem provocado mais mortes.  As guerras entre gangues e com as polícias tornaram-se cotidianas. A guerra às drogas levou até agora à morte milhões de pessoas em todo o mundo, e a milhares de pessoas na Bahia na última década. Quase todo o aparato militar, de inteligência, os investimentos e ações concentram-se nesta guerra vã e mortífera.
A criminalização das drogas é um prato cheio para o crescimento do chamado narcotráfico. A criminalização só fez crescer organizações criminosas, hoje internacioinais, como os cartéis latino-americanos que controlam a produção e distribuição de cocaína.  Ocorre que ao levar as drogas para debaixo do tapete, como algo a ser extirpado pela repessão policial, o estado cumpre mal o seu papel e ajuda as máfias a ganharem dinheiro fabuloso, sem pagar impostos e sem respeito aos direitos mínimos do consumidor.
Acontece que o modus operandi do capitalismo atual é a máfia, vide “Gomorra”, livro do napoltano Roberto Saviano. As quadrilhas locais, as provas têm aparecido, tem conexões com as quadrilhas paulistas e estão conectadas com o crime internacional. É outra obviedade dizer isto? O sistema mafioso alimenta-se do proibicionismo que alimenta sistemas legais lamentáveis.
A ideologia da guerra às drogas tem repercussões nefastas também sobre os meios de comunicação, notadamente na televisão e seus programas sobre violência urbana, na maioria das vezes, explorando impiedosamente a dor e a tragédia alheias. Os chefões de colarinho branco dos crimes de alto coturno jamais apareceram frente às câmaras dessas emissoras de tevê. Jamais foram flagrados diante das armas dos policiais que caçam bandidos como se cassassem animais.
E o pior: estamos metidos numa guerra na qual os mortos são jovens, a maioria negra, pobres, despossuídos a quem não foram dadas condições de vida digna, carentes de famílias, educação de qualidade, cuidados com a saúde, a moradia, o saneamento, lazer, cultura,  etc. Jovens que tiveream suas vidas interrompidas pela ação do Estado denominadas de “Saneamento”.
Outros pressupostos precisam ser postos na mesa. Há forte desejo social de buscar a solução do problema sob outra perspectiva. O estado deve ser capaz de gerir a busca dessas soluções.
Comentário de Eduardo Sergio Santiago em 18 junho 2011 às 21:33
Valeu! Queria saber se a intervenção foi feita porque foi muito precisa e quando eu vi na imprensa, cheguei a imaginar... E mais, a idéia de pacto me chamou a reflexão que todos os pactos que assinamos na história do Brasil, não fomos nós que rasgamos! São vários; mas dois pactos desta natureza marcam a nossa memória como se fosse ontem: Os lanceiros Negros no Rio Grande do Sul e o Almirante Negro João Candido que mesmo o governo oficializando no Diario Oficial da União, após a aceitação do pacto pelos marinheiros - o governo rasga o Diário Oficial, rasga acordo, rasga tudo e acaba com a vida da negrada! Outra coisa, o nosso voto na urna não deixa de ser um pacto!!! A familia do garoto que foi assassinado no nordeste sentou com este governo e negociou, fez um pacto em relação a propaganda e o restante da história não preciso contar! Faz muito tempo que não vejo um texto no Movimento Negro para me sentir contemplado. Quem ganha é a luta!
Comentário de Ailton Oadq em 18 junho 2011 às 11:23

olá a todos 

Agradecemos a divulgação de nosso documento a esse importante instrumento de informação 

queremos fazer apenas uma ressalva.

A Campanha Reaja , não é uma Campanha contra o extermínio da da Juventude Negra , trabalhando com a categoria genocídio da população negra compatível com a herança histórica de organizações como MNU.

 

Sobre o Pacto pela Vida ele revela duas coisas  que pretendemos combater:

1 a continuidade de um modelo de segurança letal e racista

2 a cooptação de amplos setores do Movimento Social incluindo algumas organizações supostamente de Movimento Negro que silenciam diante dos racistas de esquerda e direita e só agem , quando agem , quando seu projeto pessoal (financiamentos )  é liberado pelo grande patrão.

 

a sim , e fizemos nossa intervenção no evento mesmo com a permanente intervenção de um membro do governo que e todo momento tentava nos desqualificar

 

Hamilton Borges Walê  

Comentário de Eduardo Sergio Santiago em 16 junho 2011 às 17:57
O texto é bom! A intervenção precisa, agora, é preciso saber se foi possível fazer essa intervenção no evento; considero isso muito importante!
Comentário de anita de jesus costa em 16 junho 2011 às 14:13
concordo com atitude do governo..espero oficializar..

Translation:

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