CARTA ABERTA A POPULAÇÃO DE SALVADOR

 

Caros leitores, colegas e amigos. Estou profundamente indignada e acredito que, uma boa parte da sociedade também, com a postura assumida pelo governador da Bahia e sua equipe diante da greve dos professores deste estado. Nos noticiários veiculados nos meios midiáticos ao qual temos acesso é notório o descaso como esta greve é tratada, a mesma gira em torno de um impasse criado pelo próprio chefe do executivo estadual, lamentavelmente mal assessorado por uma equipe que por incompetência ou interesses indiretos tentam manipular os índices de aumento da categoria estabelecido nacionalmente em 22% e acordado pelo próprio gorverno conforme documento reconhecidamente legítimo. Os vencimentos dos docentes não licenciados foram transformados em subsídios, votados e aprovados em abril pelos deputados dos partidos que compõem a base aliada do governo (PcdoB, PT, PP, PDT, PSB, PSL E PSD), pasmem  senhores,  o despreparo de Jaques Wagner e equipe atinge  o seu  ápice com o corte dos salários dos professores em greve, além de cortar o credicesta    ( cartão de crédito da Cesta do Povo), cortar o crédito para empréstimo consignado junto a rede bancária do estado e em alguns locais a suspensão do PLANSERV (Assistência Médica dos Servidores Estaduais).

Para a categoria dos professores é óbvio a falta de respeito aos ideais do Partido dos Trabalhadores que o senhor Jaques Wagner ironicamente ajudou a fundar na década de 1980 junto com ex Presidente Luis Inácio Lula da Silva, é visível que não há qualquer preocupação com os reflexos das suas ações arbitrárias em relaçao á imagem dos prováveis candidatos apoiados por ele na base aliada, os quais, certamente ficarão fadados ao fracasso nas urnas. Assim como, o líder da greve dos PMs baianos, o soldado Marco Prisco, que aprendeu a fazer greve junto com o atual governador Jaques Wagner, na época Deputado Federal da oposição, os professores também aprenderam a lição. O voto será nossa melhor e mais imediata forma de resposta e certamente como agentes multiplicadores de formação outros seguimentos da sociedade farão o mesmo.

A sociedade baiana de modo geral, em especial os movimentos sociais e sindicatos, observam estupefatos as atitudes e posturas do atual gestor do estado da Bahia combatidas outrora por ele mesmo. Quando o PT assumiu o governo em 2007 na figura do atual governador reeleito para mais um quadriênio, apregou aos quatro cantos o fim do carlismo, referência a forte influência do ex-governador Antônio Carlos Magalhães na estrutura de governo do estado da Bahia. O desfecho da greve dos Policiais Militares da Bahia e a greve dos professores são apenas a ponta do aiceberg do capítulo de uma política arbitrária, ditadora e controversa que visa meramente interesses políticos. O homem que militava no diretório acadêmico do curso de Engenharia da PUC, perseguido pela ditadura militar, diretor e presidente de sindicato, Deputado Federal e gestor eleito pelo povo por dois mandantos consecutivos, lança mão dos mesmos métodos do seu algoz antes tão criticado, pior do que a constatação de tais fatos é sentir na pele as marcas da traição. “EDUCAÇÃO PARA TODOS” - Senhor governador a Educação é para todos que podem pagar, porque as escolas públicas das periferias da cidade são carentes das mínimas condições exigidas para uma aprendizagem eficaz.  “BAHIA TERRA DE  TODOS NÓS” - Não abrir as contas do FUNDEB, por exemplo, indica que a terra não é de todos nós.  “OLHA AÍ – É O GOVERNO CONSTRUINDO UMA NOVA BAHIA”- Ao olhar, a construção da nova Bahia é notório a precariedade de polítcas públicas, as quais comprometem em níveis alarmantes a segurança pública neste estado, assistência médica, entre outros setores.

A greve dos professores do Estado da Bahia pauta em sua bandeira de luta além de salário digno, na transparência dos recursos destinados para a educação pública, prioritariamente na sua aplicabilidade. Os recursos investidos pelo governo do estado em propogandas nos horários nobres da TV baiana, além de causar gastos astronômicos aos cofres públicos, beiram o ridicúlo, na medida em que compara o aumento de outras categorias estabelecido em padrões completamente diferentes daqueles vigentes na lei do piso estabelecido a nível nacional e sem acesso a quaisquer tipos de fundos, a exemplo do FUNDEB.

Como educadora e cidadã acredito que o PT deu um novo fôlego à política no Brasil, certamente os novos atores do cenário político brasileiro contribuiram com mudanças que fizeram a sociedade avançar nacionalmente em conquistas nos seus diversos setores. Nenhum de nós é isento de erros, o momento exige que governador do estado reavalie  a sua decisão, porque sérios danos já foram causados a  imagem e proposta do PT na  Bahia, isto é fato!  O reconhecimento do erro é vital, é oportuno corrigí-lo com brevidade. Será que não cabe a executiva nacional do PT uma intervenção?

A responsabilidade na formação dos nossos alunos não nos permite sermos hipócritas, a greve de 2012, além de um direito assegurado na nossa carta magna, Constituição Federal/88, é uma aula prática do exercício da cidadania.

CECÍLIA PEIXOTO, PROFESSORA DA REDE PÚBLICA E PRIVADA DO ESTADO DA BAHIA, BACHAREL EM DIREITO.

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