Cineasta Spike Lee está em Salvador para gravar cenas do seu novo documentário

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Redação Correio Nagô* - O cineasta americano Spike Lee já está em Salvador. Ele desembarcou na Bahia para conhecer a Escola Criativa do Olodum e assistir ao desfile da banda, além de captar cenas para o documentário Go Brazil Go, que pretende lançar até a Copa do Mundo de 2014.

Na foto, o presidente do bloco afro Olodum, João Jorge (esq) e o diretor Lee, conhecido por ter dirigido o lendário filme "Malcom X" (1992).

De acordo com informações da Revista Época, ele está acompanhado pela Paranoid, empresa do cineasta Heitor Dhalia e Tatiana Quintella, escolhida para produzir seu novo documentário.

Além do Olodum, Lee tem encontro marcado com Ivete Sangalo, Antonio Carlos Magalhães Neto, Jacques Wagner, Daniela Mercury, Carlinhos Brown e Mãe Stella de Oxóssi.

No ano passado, Lee veio ao país e conversou com 30 personalidades brasileiras, como Gilberto Gil, Lázaro Ramos, a ex-ministra Benedita da Silva e a presidente Dilma Rousseff, Lula e deputados e ministros em Brasília, onde acompanhou o julgamento sobre as cotas raciais no Supremo Tribunal Federal.

O tema deve ter destaque em seu próximo filme. “Quero olhar o país a partir dessa questão racial, mas o filme não será sobre isso. Fiquei surpreso quando vim ao Brasil pela primeira vez e soube que metade da população era negra e que essa metade era também a mais pobre. Ligava a TV e não via nenhum negro”, disse à Época.

O cineasta já conhece o Olodum. Foi dele a ideia de na década de 90 unir o grupo ao cantor Michael Jackson no clipe They Don’t Care About Us, gravado no Pelourinho, em Salvador, e na Favela Santa Marta, no Rio de Janeiro.

O desfile do Afródromo, no domingo de carnaval, no Campo Grande, será captado pelas lentes do norte-americano Spike Lee. O diretor, que já foi indicado ao Oscar duas vezes, filmará os blocos afro, liderados por Carlinhos Brown, para o documentário, segundo informações de reportagem publicada no A Tarde. Ontem, 07, o cineasta gravou com representantes do Bando de Teatro do Olodum.

O vereador soteropolitano Sílvio Humberto também vai conceder entrevista a Spike Lee, na próxima sexta-feira (8), em um hotel em Salvador.

*Com informações da Época e do jornal A Tarde

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Comentário de Flavio M Oliveira em 10 fevereiro 2013 às 9:44

Estou de pleno acordo contigo Rosivalda.

Vivemos em um país onde sete de cada dez jovens assassinados são negros, e o Spike Lee vai encontrar-se com Jaques Wagner. O que será que o governador do estado onde o genocídio praticado contra negros é um dos mais elevados do Brasil tem a dizer ao Spike Lee?

O outro encontro de Spike será com ACM Neto, herdeiro de uma das piores oligarquias coronelísticas da Bahia; e por que não dizer do Brasil? E cujo partido DEM é um dos mais radicalmente contra cotas para negros, tendo inclusive participado do julgamento no Supremo Tribunal Federal na pessoa da advogada Roberta Fragoso Kauffman, que fez de tudo para que as mesmas não fossem aprovadas.

Carlinhos Brown, por sua vez, batizou a cantora Claudia Leite com a corruptela de “Negaloura”, contribuindo assim com a expropriação do legado cultural dos negros por gente que não tem nenhum respeito para com a cultura de matriz africana, e que não está nem aí para a população negra. Nas palavras de Paula Libence, este cidadão tem praticado um verdadeiro estupro cultural:  https://escrevivencia.wordpress.com/2013/01/19/a-carne-mais-barata-...

Comentário de Rosivalda Barreto em 10 fevereiro 2013 às 6:48

Spie Lee tem seus méritos o problema é como as coisas são direcionadas no Brasil quando se trata da população negra, e infelizmente, as vezes conduzidas pelos próprios líderes negros, há pouco vimos a produção de uma Negalora por Carlinhos Brown (ele não é uma liderança negra e sim um músico e compositor muito bom). Por que não Margareth, Lazzo Matumbi, Sílvio Humberto? Seria então entender o que ACM Neto, Jacques Wagner (crescimento de extermínio dos jovens negros) tem a dizer e contrastar com o que foi visto das visitas anteriores? As cantoras brancas muitas vezes se sustentam na mídia com as composições dos negros, quem lembra da Pérola Negra imortalizada na voz de Deniela Mercuty e Berimbau Metalizado não imortalizado mas interpretada por Ivete. São exemplos de músicas boas nas vozes dessas mulheres brancas que não estão nem aí para a população negra. Tomara que isso renda coisas boas para nós, por que os nossos problemas podem e devem ser repercutidos, mas nós mesmos, os brasileiros negros que devemos cuidar do racismo doméstico brasileiro.

Comentário de Juli J Silva em 9 fevereiro 2013 às 21:33

Ah! Esqueci-me, não citei o "neto".

Comentário de Adelson Silva de Brito em 9 fevereiro 2013 às 11:11

Só complementando:

Tomara que o Spike, que não caiu onde está de apara-quedas, não acredite em 99% do que lhe for mostrado e/ou dito. E conclamo os líderes negros citados ou não (a quem devoto respeito e consideração)a ter uma visão politica autenticamente progressista e assim coloquem as questões citadas pelo Edcarlos Bonfim.Afinal, somos a África na Diáspora, e precisamos deiar de colocar as nossas questões em baixo do tapete em nome do favorecimento a tímidos "progressos na questão do Afrodescendente". O momento é agora.

Comentário de Adelson Silva de Brito em 9 fevereiro 2013 às 11:04

Spike Lee é personagem de uma história de vida notavel. O que me precocupa muito é a postura que se pode de´reender da leitura do texto acima. Veja: Spike Lee antes de ser Spike Lee nunca foi, com segurança, alvo de atenção da mídia nem item obrigatório de pautas renindo politicos e personalidades seja de qualquer etnia.Então a minha preocupação se coloca sobre prováveis repercurssões em prol da manutenção do satus quo. Em outras palavras, me reocupa a manutenção da emancipação do afrodescendente sobre a mesa de diagnóstico, com já vem acontecendo desde que o governo Lula tomou a iniciativa pineira de trazer o Afro descendente paa o centro do debate político. Afinal, Oprah Winfrey esteve aqui e ninguém "buliu". São vários os afrodescendentes importantes que vem aqui, como Woyle Soinka, primeiro Premio Noberl de Literatura nascido na África, e que passou despercebido, recebido segundo uma agenda apertada e indigna da elevação daquele Homem Africano. Por isso, esse tipo de "oba-oba",na minha modestíssima opinião em nada soma a luta do Afrodescendente, visto se tratar de uma "coleção e homenagens" meramente pro-forma que só servem de acessórios cosméticos a projetos políticos.

Comentário de Rosivalda Barreto em 9 fevereiro 2013 às 6:24

Como sempre, tomara que não sejamos novamente objeto de especulação para demonstrar um Brasil racista crescente e dissimulado, que não está bom para a população negra, digo pelo presente quadro de extermínio de que somos alvo, principalmente os jovens negros em idade de 18 a 25 anos, isso em idade reprodutiva.

Comentário de Juli J Silva em 8 fevereiro 2013 às 21:24

É realmente estranho o contato (oficial) com as duas cantoras citadas. Será que a coisa é "construída" e logo, logo, desconstuída? Que pena!!

Comentário de Rosivalda Barreto em 8 fevereiro 2013 às 16:37

O que ele vai ver e onde será acompanhado será que vai ver realmente como se expressam as relações raciais no Brasil. Que músicas cantava Daniela Mercury  no inicio de sua carreira? Quem compões muitas músicas para Ivete Sangalo? Qual a preocupação desses cantores brancos com a real situação dos negros e negras brasileiras? Qual artista se manifestou contra a posição da PM de são Paulo?

Comentário de Marco Antonio Soares em 8 fevereiro 2013 às 14:20

Por que sempre a Bahia como referência da cultura afro-brasileira ?

Comentário de edcarlos bomfim em 8 fevereiro 2013 às 8:07

Será que depois de dar esse rolé pelos grandes salões da cidade ele vai ter tempo de ir fazer uma visita ao quilombo rio dos macacos?

Translation:

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