Coletânea da Selo Negro conta a história de personalidades, instituições e movimentos negros


( São Paulo, São Paulo, Brasil - Comunique-se - ) Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, a historiografia brasileira ainda aborda o tema do negro partindo quase exclusivamente de duas vertentes: a da escravidão e a das relações raciais no país. O resultado é que a população e os estudiosos deixam de conhecer personagens, instituições e movimentos negros que se destacaram depois da abolição, ocorrida em 1888. Com o objetivo de preencher essa lacuna, Flávio Gomes e Petrônio Domingues organizaram a coletânea Experiências da emancipação (Selo Negro Edições, 312 p., R$ 74,90). São 11 artigos escritos por pesquisadores das principais universidades do país e dois produzidos por historiadores norte-americanos. Longe de adotar uma linguagem acadêmica, os textos tornam acessíveis informações imprescindíveis para compreender as lutas pela igualdade no país.

O período estudado – 1890 a 1980 – mostra um Brasil marcado por fortes contrastes e pouco ou nenhum acesso da população afrodescendente a direitos básicos como saúde, moradia e educação. Da consolidação da República ao êxodo rural, das disputas por poder às ditaduras instituídas em 1930 e em 1964, foram muitos os negros que, de forma pública ou anônima, procuraram combater o preconceito e a desigualdade. 

No primeiro capítulo, Flávio Gomes aborda a Guarda Negra, espécie de milícia que participou do debate abolicionista e assustou muitos poderosos no final do século XIX. Em seguida, Wlamyra Albuquerque escreve sobre os ecos do abolicionismo no discurso e nos atos de Ruy Barbosa, um dos nossos maiores representantes políticos.

Maria das Graças Leal apresenta a trajetória de Manuel Querino, intelectual envolvido nos círculos literários, nas lides políticas e operárias e também no ambiente das invenções africanas populares. O quarto texto da coletânea, assinado por Paulo Staudt Moreira, reconstrói as vivências e as memórias do também intelectual Aurélio Viríssimo de Bittencourt, destacado abolicionista do Rio Grande do Sul.

Logo a seguir, Beatriz Loner resgata a história peculiar de Antônio Baobad, importante personagem da imprensa negra e militante da defesa dos direitos dos afro-brasileiros. Depois é a vez de Kim Butler analisar as organizações negras nos centros urbanos de Salvador e São Paulo da década de 1930.

O sétimo capítulo, assinado por Petrônio Domingues, retrata a atuação da Federação dos Negros do Brasil, importante organização associativa também surgida nos anos 1930 que lançou bases para outros grupos semelhantes. Na mesma linha, o estudo panorâmico de Michael Mitchell apresenta um painel referente a essas organizações negras no período compreendido entre 1915 e 1964, destacando a Associação de Negros Brasileiros (ANB) e seus manifestos.

O estudo biográfico reaparece no capítulo escrito por Karla Nunes, que examina a vida de Antonieta de Barros – professora precursora da luta de políticos afrodescendentes no parlamento e primeira mulher a participar da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. 

O décimo capítulo da coletânea, escrito por Joselina da Silva, analisa a criação e as ações da União dos Homens de Cor, que estendeu sua influência por diversas cidades brasileiras e teve papel significativo nos debates com outras organizações negras contemporâneas.

A seguir, Maria do Carmo Gregório apresenta aos leitores as diversas facetas de Solano Trindade, poeta, ator e pintor comunista responsável pela fundação do notório Teatro Popular Brasileiro, com forte atuação no movimento folclórico.

Elizabeth Viana analisa a trajetória de Lélia Gonzalez, que se envolveu em candentes debates teóricos, políticos e parlamentares, e é hoje uma das maiores representantes do movimento de mulheres negras.
A coletânea se encerra com um artigo de Karin Sant’Anna Kössling a respeito dos movimentos sociais negros em plena ditadura militar de 1964, especialmente o Movimento Negro Unificado (MNU) – pioneiro na luta pelos direitos humanos.

“O painel esboçado nesta coletânea abrange personagens, instituições e movimentos que leram o mundo de acordo com diferentes experiências históricas e, a partir daí, cumpriram um papel ativo na construção da cidadania dos negros brasileiros”, afirmam os organizadores. Já estava na hora de alguém contar essas histórias.

Os organizadores

Flávio Gomes é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atuando nos programas de pós-graduação em História Comparada e em Arqueologia. Licenciado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em História Social do Trabalho e doutor em História Social pela Universidade Estadual de Campinas. Publicou livros, coletâneas e artigos em periódicos nacionais e estrangeiros. Atualmente desenvolve pesquisas na área de história comparada.

Petrônio Domingues é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Publicou, entre outros trabalhos, o livro A nova abolição (Selo Negro, 2008). Atualmente, desenvolve pesquisas sobre populações da diáspora africana no Brasil e nas Américas, pós-emancipação, movimentos sociais, identidades, biografias, multiculturalismo e diversidade etnorracial.

Título: Experiências da emancipação
Subtítulo: Biografias, instituições e movimentos sociais no pós abolição (1890-1980)
Organizadores: Flávio Gomes e Petrônio Domingues
Editora: Selo Negro Edições
Páginas: 312 (17 x 24)
ISBN: 978-85-87478-50-4
Site: www.summus.com.br

Mais informações com Ana Paula Alencar
11-4787-1322
11-9771-7336 
Email: imprensa@gruposummus.com.br
MSN: anapaulaalencar_1@hotmail.com
Skype: anapealencar
Twitter: @anapaula_press

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Comentário de Eu em 16 fevereiro 2012 às 11:13

Recuperar essas histórias positivas, preservar o bom legado e passar adiante é uma maneira de passar bem o bastão. É importante também pensar em deixar bons legados financeiros como por exemplo negócios, dinheiro, ações, comodites, terras, bens valiosos ouro para as próximas gerações. Deixar um bom legado nos campos intelectual, material, moral e espiritual, é promover bons exemplos e fazer a coisa certa, para as próximas gerações. Assim como os outros grupos também o fizeram; é importante deixar um bom legado e construir um bom caminho sólido para filhos, familiares e comunidade. Quando vc subir na escada do sucesso, não esqueça de olhar pra baixo e puxar o seu semelhante. Assim cria se um bom legado e constrói se um bom caminho sólido de sucesso.

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