Comunicação não tem acompanhado avanços nas políticas raciais

De acordo com o jornalista e co-fundador do Instituto Mídia Étnica, André Santana, “o Brasil é referência internacional em políticas de promoção da igualdade, mas na comunicação é o oposto”. A afirmação do brasileiro reforça a impressão causada pela nossa televisão no cineasta americano Spike Lee, em sua visita ao país no início do ano. "Na primeira vez em que estive aqui, em 1987, fiquei chocado ao ver que na TV, em revistas, não havia negros. Melhorou um pouco. Mas há muito a fazer. Quem nunca veio ao Brasil e vê a TV brasileira via satélite vai pensar que todos os brasileiros são louros de olhos azuis", disse Lee em entrevista coletiva.

Mesmo com a emergência de uma classe C de maioria negra, cada vez mais consumidora de bens culturais, representantes da sociedade civil vêem na comunicação a persistência das barreiras raciais. “O negro e mestiço brasileiro são grande consumidores, telespectadores e leitores hoje em dia. Ainda assim são sub-representados na mídia”, afirma João Jorge Santos, membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e presidente do grupo Olodum.  

Para Paulo Victor Melo, membro do Coletivo Intervozes, um dos principais problemas diz respeito à propriedade e concessão de meios de comunicação no país, que se encontra quase que exclusivamente na mão da população branca. A naturalização dessa situação poderia ser combatida por meio de políticas públicas. “Outros países, como a Bolívia, têm previsto a concessão de canais para comunidades tradicionais, como os indígenas”, aponta. No Brasil, experiências como a “TV da Gente”, de propriedade do apresentador Netinho de Paula em sociedade com grupos angolanos são exemplos isolados e que têm tido bastante dificuldade para conseguir se estabilizar.

Articulações nacionais da sociedade civil, como a campanha “Para expressar a liberdade” têm se mostrado sensíveis aos direitos da população negra do país, mas ainda sim encontram seus limites. “Falta enraizamento nas comunidades tradicionais”, afirma Paulo Victor. André Santana dá o exemplo do movimento “enegrecer a Confecom”, que se organizou durante a I Conferência Nacional de Comunicação e que conseguiu pautar resoluções importantes durante o evento.

Fonte:

Bruno Marinoni - Observatório do Direito à Comunicação

21.11.2012

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