Direitos humanos e inclusão racial devem ficar de fora da agenda da presidente Dilma em Washington


Desde o  último domingo, 08.04, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, cumpre um agenda diplomática nos EUA.  Esse é o  terceiro encontro da chefe de estado brasileira e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama que visitou o Brasil há aproximadamente um ano. Com o tema "Agenda do século 21 entre Brasil e Estados Unidos”, a curta visita tem como destaque assuntos comerciais e educacionais, porém os temas  de inclusão devem ficar de fora das discussões.

 

Apesar de não ter sido recebida com as pompas de “Visita de Estado” - o que ocorreu nas recentes visitas dos líderes da Índia e China –, o encontro pretende reaquecer as relações entre os dois países que andam abaladas por disputas comerciais e no campo da relações globais, como  os temas relacionados a questões como Cuba e Irã.  Entretanto, um dos pontos de destaque da visita deve ser o programa Ciência Sem Fronteiras, projeto brasileiro  que pretende enviar 100 mil estudantes das áreas de ciência  e tecnologia para realizarem cursos no exterior, sendo os Estados Unidos o principal destinatário. 

 

Apesar de inovador, o programa Ciência sem Fronteiras vem sofrendo críticas no Brasil pelo seu caráter elitista. Na semana passada a ONG brasileira Educafro fez um protesto junto ao Governo Brasileiro, em Brasília, para que esse programa incluísse um recorte para negros, já que o critério de seleção considera apenas desempenho escolar e fluência no idioma inglês, o que deve privilegiar apenas jovens oriundos de famílias abastadas.

 

Do lado dos EUA, Obama pretende dobrar o número de estudantes americanos nas universidades do Brasil. Hoje, em média, 40 mil americanos estudam no Brasil e 60 mil brasileiros nos EUA. A presidente Dilma vai aproveitar a visita e conhecer duas reitoras que administram as prestigiadas universidades de Harvard e MIT, que receberão os jovens do programa brasileiro. Em Harvard, ela discursará na Kennedy School of Government.

 

Inclusão Racial

A expectativa das organizações negras, que possivelmente não sera concretizada, é de que nas conversas entre os dois presidentes seja anunciada alguma medida efetiva sobre o Plano JAPER, assinado em 2008 e que prevê ações de combate ao racismo nos dois países. Até o momento o plano encontra-se parado e sem a efetiva participação da sociedade. O sentimento das organizações sociais é de que o Governo do  Brasil não tem dado  a devida prioridade ao Plano. Já no lado americano, o recente caso de Trayvon Martin, jovem negro, de 17 anos assassinado na Flórida, por andar de capuz, o que acendeu o debate sobre medidas efetivas para a superação do racismo,  poderia motivar a realização de ações governamentais sobre o assunto.

 

Espera-se dos dois presidentes uma postura mais firme a e efetivação dos compromissos acordados com o JAPER, mas pelo visto o assunto da igualdade continuará apenas na retórica dos dois governos.

Por Paulo Rogério Nunes, especial para o Correio Nagô

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Comentário de maria cristina batista alves em 18 abril 2012 às 10:44

Não deveria, não é mesmo companheiros,pois os dois maiores representante de países  grandes das "Américas", são negros e mundialmente sabido, acho que essa é a hora de saber explorar esse fato,pois quando é o oposto sabem usar muito bem as oportunidades...acorda negros.      

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