Encontro reúne empreendedores negros baianos para discutir políticas para o setor

 

Buscar maneiras de inserir a população negra no mundo empresarial. Esse foi o tema de um encontro que aconteceu hoje, 23, no Hotel Catussaba, na cidade de Salvador. O workshop Empreendedorismo Negro: desenvolvimento e políticas públicas foi organizado por seis secretarias do Governo da Bahia que formam um Grupo de Trabalho, sob a coordenação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), para discutir o tema. A reunião reuniu ainda representantes da sociedade civil, autoridades políticas, bancos públicos, como o BNDES e Banco do Nordeste, e órgãos empresariais como o Sebrae e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

Segundo os organizadores, que inclui órgãos como a secretaria da Fazenda e a do Trabalho, esse será o primeiro passo para a construção de uma política estadual que visa institucionalizar o tema dentro da estrutura do Governo da Bahia. O encontro contou também com a participação do deputado federal Luiz Alberto (PT/BA), e do secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira.

Segundo o secretário Elias Sampaio da SEPROMI, o encontro marcou um novo momento para esse pauta na Bahia, pois pela primeira vez este tema está sendo institucionalizado dentro da estrutura de governo “não há hoje sequer uma base teórica na Academia para se discutir esse tema ainda”, lembra o gestor, que é doutor em economia e já foi dirigente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE).

Sampaio ressalta que são necessárias ações urgentes para inclusão dos negros no mundo empresarial, sobretudo tendo em vista os megaeventos que o país irá sediar. Mas faz uma ressalva para lembrar que esta política deve ser contínua e não apenas pontual “Os grandes eventos passam, mas a inclusão dos empresários negros precisa ser feita no dia a dia”. Sampaio afirmou no encontro que o Estatuto Estadual da Igualdade deve ser aprovado e sancionado ainda esse ano. O documento, criado em 2005, prevê ações em diversos campos e pode dar ainda mais legitmidade a essa política.

Também presente ao encontro, o secretário estadual do Planejamento, e ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, ressaltou que a questão da inclusão dos afrodescendentes não deve acontecer apenas no campo social “Nós estamos discutido um outro aspecto do problema, o acesso do capital”. O gestor lembrou que o capital físico está cada vez tendo menos importância e que é necessário investir na economia criativa e novas tecnologias, citando como exemplo o portal Correio Nagô, uma iniciativa do Instituto Mídia Étnica.


Dificuldades para empreender

Para Mário Nelson Carvalho, da Associação de Empreendedores Negros (ANCEABRA), empreender no Brasil é difícil, mas no caso dos empresários negros é ainda mais complicado pela histórica falta de patrimônio desse segmento. “Nós sempre andamos por nossa própria conta e risco”, diz. Carvalho acredita que é preciso criar políticas para reverter essa quadro. “Esse modelo não foi feito para nos atender” afirma, ao se referir a política de crédito criada pelos bancos. E conclui “Fala-se dos subsídios para o agronegócio e não para o jovem negro. O Brasil tem de dar subsídio para apoiar o empreendedorismo negro”, lembrando que outros segmentos da sociedade foram beneficiados para construirem seus patrimônios.

Também presente na mesa de abertura, o professor e advogado Samuel Vida lembrou que a imigração européia impediu que a população negra se integrasse mesmo no trabalho considerado
subalterno.

Em artigo divulgado no encontro, o professor e um dos fundadores do recém criado Centro de Empreendedorismo Negro André Rebouças (CENAR), afirma que apesar do considerável aumento consumo na comunidade negra, é necessário um maior apoio para a real inserção desse segmento “É preciso ousar na direção da montagem de um projeto de desenvolvimento econômico e social que inclua o povo negro”.

Confira abaixo alguns outros depoimentos dados com exclusividade ao
CORREIO NAGÔ.

Edival Pasos - Superintendente do Sebrae

Elias Sampaio - Secretário da SEPROMI

 

Hélio Santos - Instituto Brasileiro da Diversidade

Por Paulo Rogério Nunes

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Comentário de Luis de la Orden Morais em 24 outubro 2012 às 19:34

Angélica e leitores,

Além da linha de crédito direta dos Bancos, os bancos brasileiros precisam se antenar e facilitar iniciativas como o Kiva para funcionarem no Brasil.

Kiva intermedia micro-investimentos de pessoas e instituições no mundo desenvolvido para micro-empresários no mundo em desenvolvimento. Mas para que o esquema seja mantido, se necessita de duas coisas:

1) Parceiros no País do microempresário que vão fazer a avaliação do negócio e riscos (isto não faltaria com a quantidade de organizações negras que temos hoje, mas precisa traduzir tudo, o que eu faria com o maior prazer).

2) Um sistema bancário que permita este investimento vir e os pagamentos voltarem para as pessoas que emprestaram o dinheiro (hummm, até agora eu não ví nada ocorrendo no Brasil e a minha desconfiança é que o problema pode estar ai).

Eu acabei de escrever e também deixei uma mensagem na caixa de mensagens do Kiva para saber deles a razão de não haver nada ocorrendo no Brasil e repasso para vocês, traduzido para o Português. 

Em inglês:

http://www.kiva.org/about/how

Comentário de Luis de la Orden Morais em 24 outubro 2012 às 18:48

O gestor lembrou que o capital físico está cada vez tendo menos importância e que é necessário investir na economia criativa e novas tecnologias, citando como exemplo o portal Correio Nagô, uma iniciativa do Instituto Mídia Étnica.

 

Exato! Eu também sugiro que se dê uma olhada nas iniciativas de treinamento em programação que empresas como Google e Microsoft têm feito em Países Africanos com uma especial consideração ao que se tem passado no Quênia, para onde eu tive a oportunidade de terceirizar trabalho de programação para jovens quenianos competentíssimos. 

Muito embora eu recomende a via universitária como uma forma de inclusão ao aprendizado de novas tecnologias, vamos com calma com essa coisa de academizar o aprendizado de tecnologia. Precisamos começar a pensar em ensinar programação para crianças em clubinhos de atividades enquanto para adolescentes, jovens e adultos através de auto-estudo assistido pela Internet. Esperar chegar na idade de educação universitária para então aprender uma linguagem de programação é um desperdício de potencial. 

 

o professor e advogado Samuel Vida lembrou que a imigração européia impediu que a população negra se integrasse mesmo no trabalho considerado subalterno.

 

Eu pessoalmente acho que a imigração européia completou o processo de exclusão iniciado e mantido por quase 400 anos. Mas eu gostaria de ver como a população negra estava se integrando, porque pelo pouco que eu sei o que se seguiu depois da abolição da escravatura foi ressentimento pesado contra a população negra, que em massa imigrava para as cidades maiores buscando deixar de lado o passado miserável e humilhante da fazenda. 

Pra ser sincero, eu não acho que em nenhum momento da história passada do Brasil o negro teve uma geração, nem sequer meia onde ele tivesse a oportunidade de se assentar, educar seus filhos e começar de novo. Não houve uma pausa mas uma troca de misérias, da primeira à base da violência senzaleira, à seguinte, sozinho a batalhar por sua sobrevivência até hoje.

A imigração européia adicionou mais gente no caldo, ou melhor mais água no óleo, gente que chegou no fim do filme quando o mocinho foi batido, estuprado, deixado para passar fome e chamado de vilão pelo xerife corrupto. Zorra, deixa a gente fazer um trabalho de inclusão completo por duas gerações apenas e vocês vão ver o quanto a população negra se vira e ocupa seu devido lugar na sociedade com maestria e não vai nem precisar cortar 1 cm dos dreadlocks de ninguém.

Vou assistir o Programa do Michael Palin na BBC que abre com Salvador e os deixo agora, mas lembrem, como um brasileiro no exterior, a imagem que brilha aqui fora é a imagem que vocês criaram, a cultura musical que vocês criaram, a comida que as mães-pretas e as índias socaram no mesmo pilão, a alegria que vocês extrairam da miséria histórica deste País.

Chegou a hora de vocês cobrarem royalties e serem reconhecidos como autores dete País também. Se precisar façam greve cultural.
 

 

http://www.telegraph.co.uk/culture/tvandradio/9631789/Brazil-with-M...

Comentário de Arygil Cerqueira em 24 outubro 2012 às 17:56

NÃO SEI SE ESTOU EM DELÍRIO ,MAS OS DITOS EMPRESÁRIOS NEGR@S DEVEM COMEÇAR A OLHAR PRÁ DENTRO DO SEU PRÓPRIO UMBIGO PRIMEIRO,PARA DEPOIS CORRER NA FRENTE ORA QUE  NÃO ESTAMOS OLHANDO OS NOSSOS QUE ESTÃO LOGO ALI AO LADO ,PORTANTO TEMOS  QUE TRANSFORMAR AS PALAVRAS EM ATOS .

LARGUEMOS O PALETÓ #VESTIMENTA DE EUROPEU# DE LADO  E OLHEMOS OS NOSS@S .

E NÃO VENHAM COM CONVERSA FIADA PODEREI CITAR VÁRIOS EXEMPLOS AOS NOSSOS OLHOS PONTO...

Comentário de angélica moreira em 24 outubro 2012 às 17:15

Eu, não fui ao encontro, mas quero aqui externar a minha dificuldade em abrir uma loja de preferência no Pelourinho, onde circula o público que compra as minhas Jóias Afro-brasileira, conhecidas da maioria da população de Salvador,tendo clientes espalhados pela Diáspora Negra, pois o trabalho dialoga com a alteridade civilizatória a qual nós pertencemos.  Apesar de ter vários imóveis fechados no Pelourinho não consigo ter acesso a eles.  Com certeza a minha loja faria á diferença nesse espaço.  Angélica da Prata.

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