A Semana da Cultura Hip Hop foi instituída pela Lei municipal nº 13.924/2004 e consolidada no artigo 7º da Lei nº 14.485/2007, incluindo obrigatoriamente o dia 21 de março, quando se comemora o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial. A Semana do Hip Hop é um evento direcionado ao público simpatizante do movimento hip hop, utilizando seus elementos para a promoção de ações culturais e de políticas públicas destinadas ao combate contra a discriminação racial, visando diminuir a opressão ou violência contra a juventude, em especial contra os jovens negros.

 

Nove anos depois, 2013, a famosa Avenida São João dessa vez cruzando o Vale do Anhangabaú, palco motando, tenda, seguranças, gente e mais gente chegando para curtir o último dia das atividades da Semana do Hip Hop 2013: “Arte pela vida!”. Durante a semana ocorreram diversos debates, diálogos, shows, apresentações artísticas e oficinas que vão apresentar os quatro elementos do hip hop: o Graffit, o Break, os Djs e os B.Boys. A semana também prestou homenagens a algumas personalidades que marcaram a história do hip hop, como Clovis Moura, Darci Ribeiro, Florestan Fernandes, Solano Trindade, Milton Santos e Dina Dee. 

 

A programação seguiu espalhada pela cidade ocupando céus e praças pela zona norte, sul, leste e oeste, com o encerramento no Vale do Anhangabaú, num show comandado pelo rapper Dexter, sua banda e ainda convidados.

 

Eu estava a caminho do centro quando Enderson me enviou sms avisando que eu entrevistaria GOG. Tudo começou a conspirar para dar errado, inclusive meu nervosismo (insisto em dizer que não sou comunicadora, tampouco comunicativa!): desencontrei amigos, tomei chuva, celular descarregou, câmera não chegou... Diante de tantas avessas fui curtir os shows, pois isso não parecia que daria errado. E que shows! Colei na grade e só assisti artistas incríveis pisando naquele palco. Já era quase 15 horas quando passei a acompanhar as apresentações.
Destaco o grupo Extremo Leste Cartel com suas letras politizadas e socialistas, mas definitivamente chamo a atenção para as mulheres que passaram por ali: Sankofa, grupo de mulheres, da zona leste se São Paulo que em seus sons dialogam com o cotidiano das mulheres, principalmente negras, que estão encarceradas ou em situação de violência doméstica, de forma tocante e poética convocando à luta. Também esteve presente Preta Soul, única mulher do grupo Tocaias MC’s, que vieram de Parelheiros, extremo sul de São Paulo para cantar“zumbi” de autoria do próprio grupo, uma verdadeira aula de história que em 12 anos de ensino público muitas vezes não se tem  acesso. Também passou por lá a MC Lua Rodrigues, com uma pegada mais instrumental, aqueceu a galera do Vale com sua levada. E nem só de capital viverá o RAP! As meninas do Tarja Preta subiram a serra e cantaram as músicas que elas tem disseminado pela baixada Santista, falando sobre gênero, raça, a história de nosso povo e com a irreverência da estética negra! Teve ainda Sharilayne, convidada de Dexter, de volta na missão: pioneira ao ser a primeira mulher paulista a gravar oficialmente um rap em estúdio (1986) e que agora retorna aos palcos em carreira solo – mas jamais sozinha, vimos isso durante seu show!

 

Por fim, também a convite de Dexter, Ellen Oléria subiu ao palco, quase já no fim das apresentações e levou a galera ao delírio, cantando “Sarará Criolo”, “Testando” e “É o crime”. A vencedora do The Voice Brasil foi bem recebida em São Paulo e foi a última presença feminina a passar por ali.

 

Segui o que o Enderson havia me demandado, ir ate a Produtora do Dexter ou procurar o GOG que eles já estariam sabendo da minha presença e a entrevista estava ok!

 

Ellen falou conosco já a caminho do aeroporto e nos disse da importância dos processos de organização popular promovidos pela juventude, disse que somos “um mesmo radical de dínamos da origem, quando a gente se movimenta a gente causa grandes impactos no nosso meio, nosso cotidiano, entre as pessoas que a gente ama e mesmo aquelas que a gente ainda não sabe que pode alcançar, com a música, por exemplo, que também é mais rápida que eu, que é peça dinâmica na minha poesia, na minha arte, para chegar mais” e termina “ vamo que vamo meu povo,  que o som não pode parar!”

Sobre isso, GOG, sempre parceiro, também falou da importância de iniciativas como as do coletivo Mídia Periférica ao promover os Diálogos da Juventude Periférica - #DJP: “os diálogos periféricos são  essenciais para nossa caminhada, para nossa transformação, para nossa evolução, para que a gente possa nos entendermos, certo? Muitas vezes a mão que machuca é da mesma cor que é machucada; a mão que atira é da mesma cor que é machucada, do parceiro e da parceira que tromba. Isso é sério, isso é nítido, mas isso não é discutido, principalmente, entre nós, por nós.  E é essa a discussão, têm que continuar dessa forma, parabéns pela iniciativa.

Não consegui falar com o Dexter por causa do assedio dos fãs, já era meio tarde para esperar, ou eu arriscava perder o BUS ou fazer a entrevista.

 

Já no retorno para casa, rumo ao sul, trombei um rapper gente boníssima da velha guarda que segue com sua militância pelo hip hop, o Dhurrepi e voltei trocando várias idéias com ele e a rapper Preta Soul. Preta em breve vai conversar com a gente para falar do livro Perifeminas, idealizado pela Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, o livro é uma contribuição das mulheres não só para o Hip Hop, mas também para a literatura marginal.

Em breve também teremos #DJP em São Paulo, fique ligado!

E depois de um dia incrível, que teve muita coisa dando errado e que ainda assim deu certo, eu só tenho que dizer que o RAP é uma música muito boa de ouvir e está mais vivo do que nunca! É minha alma e minha alma está em festa!

Salve Mídia Periférica! Gratidão pelo espaço, máximo respeito!

 

Brenda Barbosa - Colaboradora Mídia Periférica em São Paulo.

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