Entre os Rolezinhos e o Sonho de Mandela

Mal secaram as lagrimas por razão da morte de Nelson Mandela no fim de 2013 e temos que nos deparar com a segregação racial à brasileira em 2014, agora mascarada pela proibição dos chamados Relezinhos dentro dos shoppings paulistas.

(Jovens fazem rolezinho no shopping Itaquera Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São Paulo)

 

Será que é um ato de extrema ousadia ir passear e um shopping de São Paulo? Bem, isso vai depender de qual sua origem social, sua renda, e da cor da sua pele. Por quê?

Por que dentre outros fatos, somos um país preconceituoso, racista, e repleto de exclusão social.

A juventude preta, pobre e periférica brasileira como se não bastasse a marginalização e a alta exposição a violência agora recebe o recado da elite paulistana: “Não queremos vocês aqui.” Essa mensagem, embora não declarada abertamente, sempre esteve presente nos espaços elitizados da cidade. São os muros invisíveis da exclusão. Muros erguidos e sustentados por aqueles que insistem em segregar o diferente, nesse caso, a juventude pobre, negra, funkeira e periférica.

Mas o que nos legou Mandela? O que será que aprendemos, por exemplo, com Carta da Liberdade do Congresso Nacional Africano  de 1955, tão defendida por ele, em que no seu 3° paragrafo temos os dizeres:

 

* (...)Todas as pessoas têm igual direito de utilizar suas próprias línguas, e desenvolver a sua própria cultura popular e costumes; Todos os grupos nacionais devem ser protegidos por lei contra insultos à sua raça e orgulho nacional; A pregação e a prática da nacionalidade, raça ou discriminação de cor e desprezo deve ser um crime punível; Todas as leis e práticas do apartheid deve ser anuladas.

Infelizmente o sonho de Mandela parece estar longe de se tornar realidade. E mais do que sermos ousados para "invadir o santuário de consumismo da elite paulista” (shoppings), que também sejamos ousados todos os dias de 2014, que façamos da luta contra discriminação o racismo e a exclusão a nossa luta cotidiana. Pois o racismo não está somente dentro dos shoppings, está na escolas, instituições do estado e nas empresas, ou seja, está em nossa sociedade. 

Danilo Lima

Coletivo Nacional de Juventude pela igualdade Racial

Juventude Educafro - SP

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Comentário de Dane Souza em 16 janeiro 2014 às 19:30

Que continuem os rolezinhos, e principalmente, q a prefeitura finalmente perceba que pobre, tbm deve ter lazer!! Quais opções gratuitas temos de lazer aqui na Zona leste, por exemplo?? pq tenho que atravessar a cidade pra ir ao teatro?? 

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