Entrevista com o candidato a Deputado Estadual Elias Sampaio

Ele é o filho mais novo de uma família com nove irmãos, tem 47 anos, é economista, casado, tem mestrado em economia e doutorado em administração pela UFBA. Estamos falando de Elias Sampaio, ex-secretário de Promoção da Igualdade Racial, atual candidato a deputado estadual e que conversou sobre suas expectativas com as eleições, seu aprendizado com o processo eleitoral, suas experiências na gestão pública e seus planos para o mandato.


Como está sendo a campanha?

Elias: Dura, mas intensa. Tentando levar as propostas e o debate para diferentes espaços e aprendendo com tudo isto. É uma experiência nova, pois nunca me candidatei a nada, embora sempre estivesse envolvido em campanha política no período eleitoral, uma coisa é você estar dentro do processo e outra, é você ser protagonista da situação. O desafio é justamente esse.

Por que começar como deputado estadual, e não vereador, por exemplo?
Elias: Foi uma questão de oportunidade. Após a minha passagem pelo Governo do Estado, fizemos uma avalição mais geral, positiva e houve uma confluência que demonstrou ser possível, uma candidatura a deputado estadual. Durante todos estes oito anos de governo Wagner, ampliamos bastante os debates sobre as questões raciais. E o intuito é exatamente esse, transformar minha experiência enquanto ex-secretário, acadêmico, gestor público, agente político e militante, num mandato que leve para o Estado, mais igualdade com desenvolvimento, porém sem nunca perder de vista o recorte racial.

Falando em militância, sua plataforma de trabalho dialoga diretamente com o movimento negro e a cultura negra. Como foi construída tal relação?

Elias: A militância de atuar organicamente dentro do movimento, nunca tive. Meu contato com os grupos, coletivos, associações, terreiros, blocos ou organizações se deu de outra forma. Por estar em cargos de gestão pública que sempre dialogaram com as questões do movimento negro, sempre acompanhei de perto os debates e as propostas destas Organizações. É aí que surge a minha aproximação destas entidades que dialogam sobre as políticas de promoção da igualdade.

Qual debate você traz da academia para contribuir na construção do mandato?

Elias: Desde os 18 anos que tenho experiência como professor, até chegar a Universidade foi uma longa trajetória. Essa troca que acontece em sala de aula ajuda a gente ampliar o nosso olhar e alinhar a teoria com a prática. Hoje, integro um conjunto de pessoas que conseguiu nos últimos vinte anos, associar as perspectivas de promoção da igualdade racial nos debates sobre políticas públicas. Os estudos referentes as políticas públicas forneceram um ganho da possibilidade de discuti-las a partir do ponto de vista da comunidade negra, então, nosso mandato será pautado nesse ponto de vista, de tornar efetivo aquilo que as pessoas menos favorecidas precisam.

Como suas experiências de gestão pública, inclusive na Prodeb e na Sepromi contribuíram para construção do candidato a parlamentar Elias Sampaio?
Elias: Ambas as experiências me fortaleceram, mas não foram só estas. Eu sou funcionário do governo federal há 20 anos e também trabalhei na Semur (Secretaria Municipal da Reparação). A Prodeb fortaleceu minhas expectativas de gestão pública e a Sepromi na articulação com o movimento negro.

Em sua opinião atual, qual o maior desafio que um deputado negro e militante pode ter na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)?

Elias: Na minha opinião, o ciclo de proposições de políticas da promoção da igualdade racial se encerra com a sansão do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, no sentido de que temos hoje, um arranjo institucional que impulsionou um desafio de termos efetividade, nas reais necessidades e demandas do povo negro. Para tanto, precisamos estar nas estruturas reais do poder, para garantir que tudo que foi proposto no Estatuto, se torne realidade de fato.

Como ter um mandato que dialogue com o Estatuto?
Elias: Minha proposta de mandato é necessariamente fiscalizar e monitorar tudo que esta no proposto no Estatuto da Igualdade, já que nossas maiores demandas já estão lá. Meu diálogo não será de proposição apenas. Terei diálogos com o poder executivo, para verificar o que está sendo feito e como está sendo feito, monitorando diretamente. Principalmente, por ter participado intensamente do debate de sansão do Estatuto, quando estava à frente da Sepromi. Creio que com um mandato autônomo, posso fazer as cobranças como devem ser feitas.

Ser gestor da Sepromi no auge das discussões, sobre a implementação do estatuto, te deu bagagem?
Elias: Eu fiquei na Sepromi até o envio da proposta e não sei se poderia dizer de bagagem, pois a complexidade da implementação do Estatuto da Promoção da Igualdade Racial de Combate à Intolerância Religiosa é algo que não existe nenhuma experiência semelhante no Brasil. E para efetividade, é necessária a movimentação de um conjunto de outras articulações que não necessariamente saiam da Sepromi. O estatuto cria o principio da igualdade racial como elemento de todas as políticas publicas no Estado da Bahia.

Como o estatuto pode ser um aliado no seu mandato?
Elias: A aprovação do Estatuto deu um nível de complexidade para as politicas de promoção da igualdade racial, que exige um conjunto para articular a execução das mesmas. E a função do parlamentar é esta. Acompanhar, monitorar e orientar o executivo na proposição destas ações.

Estamos falando aqui, do combate ao Racismo institucional?
Elias: Sim. E na Bahia existe um preambulo no Estatuto de Igualdade que não existe em outro dispositivo legal. Lá diz de forma bem clara, o que é Racismo Institucional.

Sobre a Campanha, como andam as expectativas e o que falta para eleição?
Elias: Ansioso, para saber se o resultado vai refletir o que vimos nas ruas. Fazer campanha é difícil. Aprendi que política é uma coisa e a disputa eleitoral é totalmente diferente. Mas estamos na luta para quebrar paradigmas, alcançar a vitória e conquistar um mandato que trabalhará para fomentar a igualdade de oportunidade e garantir que todos e todas tenham um desenvolvimento pleno.

Qual a diferença do Elias que entrou na campanha e saí da campanha dia 06/10?
Elias: A partir de 06 de outubro, nasce uma nova pessoa mais realista, a partir do que acontece no jogo quando o ser humano está na luta pelo poder. A campanha é um aprendizado profundo, que só aprende ou entende, vivendo e sendo parte do processo integralmente.

Exibições: 124

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço