O mundo clama pela sustentabilidade! Será um jargão da moda?  Todo modismo parece fugaz, do jeito e da forma com que estão falando de sustentabilidade parece  também ser  mais um “jargão” sem veracidade e sem importância. Na verdade, não é, o que demonstra é um forte desconhecimentos sobre o assunto e também uma limitação do entendimento e da forma como praticar.

Fiquei espantada ontem, 04.10, ao ler a matéria “Copa sem acarajé” e logo refleti como uma atitude impensada e sem critério. Parti para fazer uma reflexão alinhada ao tema da sustentabilidade, e cheguei à conclusão que a temática da sustentabilidade foi passada ao largo desta decisão. Embora a reforma e construção das arenas de futebol estejam sendo pensadas de alguma forma sob esta ótica. Mas, ao mesmo tempo, vejo que a sustentabilidade  tem sido tratada como algo relacionado única e exclusivamente às questões de cunho ambiental como preservação das matas, florestas,  rios e etc. o que é  muito limitado. Uma vez que o próprio conceito da sustentabilidade já evoluiu e a sua prática tem demostrado que cuidar do meio ambiente sem cuidar do homem que faz parte dele, é ignorar o homem como parte deste ambiente  e uma parte extremamente importante na medida em que ele é o ator que pode preservar e/ou destruir a depender do entendimento dele em relação ao espaço onde ele vive, ao mundo e à própria existência humana.

O princípio da sustentabilidade explora o desenvolvimento nas três dimensões: econômica, social e ambiental. Uma atitude como esta da FIFA em retirar a as baianas de acarajé da Fonte Nova, elimina a possibilidade de um determinado segmento da população de Salvador aumentar sua renda, gerar mais empregos e contribuir com o desenvolvimento econômico, social e ambiental deste grupo de profissionais. Econômico pelas razões obvias, um evento de grande, que atrairá um grande fluxo de pessoas e gerará muitos consumidores. Social por razões fortíssimas, as baianas de acarajé representam e vendem um produto que é um elemento muito forte da cultura local e ambiental por vários entendimentos também, estas profissionais são na maioria provenientes de uma religião de matriz africana, o candomblé, cujo um dos princípios é o da preservação ambiental para a própria prática do seu culto.

 

Portanto, dificultar a venda dos acarajés nos espaços privilegiados da Copa do Mundo é mais uma vez dificultar a ascensão social, econômica e ambiental de um segmento da população historicamente oprimido por razões diversas que já conhecemos.

Isabel Portela é coordenadora do Instituto Iris de Responsabilidade Social

www.institutoiris.org.br

 

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Comentário de Maria Isabel (Isa) Soares em 9 outubro 2012 às 15:02

Seria bom juntar as distintas instituiçöes negras e qualquer interessada e fazer uma passeata aonde corresponda. Estou longe mais o fato me corresponde desde quando necessito expressar. Sinto a mesma indignaçäo.

Comentário de vera lucia brito dos santos em 7 outubro 2012 às 7:46

As baianas têm uma associação aqui em salvador. Será o caso de   chegar  perto dessa Associação e contribuir com   projetos  para  estratégias de enfrentamento a essa questão? Vamos criar ações  imediatas e impactantes que gerem respostas  precisas e eficazes. somente divulgar o fato  já não basta !

Comentário de Adelson Silva de Brito em 6 outubro 2012 às 8:43

Eu já avisava quanto a consolidação de um Estado de Excessão e Exclusão do Negro na Bahia durnante os jogos da copa em artigo por mim postado nessa Emérita Tribuna Popular entitulado " A copa do mundo no Brasil e a derrota antecipada do negro na Bahia". Isso é só uma faceta da realidade que pretendí denunciar. Infelizmente, cultivamos por hábito a incapacidade de indignação traduzida por um comodismo bovino e uma atitute paternalisticmente servil. Nao me espantaria se fossem mais adiante e assumissem atitutes de apartheid explícito e "probissem a entrada de pessoas de côr" em certos recintos. Acho que, mesmo se assim procedessem, as nossas "autoridades" encotrariam "jeitinhos" para acomodar as coisas e contariam com o respaldo tácito do nosso silêncio aprovador......ACORDA NEGÃO!!!!

Comentário de Maria Helena Ramos de Oliveira em 5 outubro 2012 às 23:17

Há séculos pisam em nossa cabeça, querem a todo custo nos eliminar, mas não conseguem matar a raiz, com mais força brotamos com fibras novas, desafiantes, essa proibição não terá continuidade. Vamos a luta

Comentário de Instituto Mídia Étnica em 5 outubro 2012 às 19:36

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