Estudantes de escolas particulares de Sergipe fazem protesto contra Cotas

Por Pedro de Oliveira-correspondente do Correio Nagô de Sergipe.

Aconteceu na tarde deste último sábado, 22 de setembro, na capital sergipana - entre as avenidas nobres que ligam os Shoppings “Rio Mar” ao “Jardins”-, um protesto formado por estudantes, que teve como como objetivo reivindicar o cancelamento da lei que reserva 50% das vagas das Universidades Públicas para estudantes negros, índios ou pessoas oriundas do ensino secundário público.

Foto: Portal Infonet

A ação envolveu mais de 500 alunos das escolas particulares mais tradicionais do município, sendo que a ideia da mobilização foi organizada pelo estudante Daniel Franco. Em entrevista dada para o site Ifonet, “há dois meses começamos a mobilização contra esta forma que o Governo está tratando a educação”,  destaca. 

Para além do ambiente comum de estudo entre estes jovens, outros pontos ligavam os estudantes que deram corpo ao ato: a maioria da juventude era branca, e, grande parte dela desfruta do privilégio de morar nos bairros mais elitistas da capital sergipana.

Protesto como o que ocorreu em Aracaju neste último final de semana tornou-se corriqueiro no país cujo 51 % de sua população é negra, segundo os dados de 2012 ofertado pelo site da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Apesar de quantitativamente os negros serem a maioria no Brasil, essa superioridade numérica, infelizmente, não dá respostas positivas no que diz respeito ao acesso democrático à informação, habitação, saúde, educação dentre outras políticas públicas.

Para ter ideia da disparidade no que diz respeito às condições paritárias ao alcance a certos bens materiais e simbólicos entre a população negra e branca no Brasil, em pleno século XXI, apenas 20% dos afro-brasileiros ganha mais de 10 salários mínimos, ou seja, dentro da lógica de privatização do ensino base, uma pequena parcela da população negra goza do privilégio de ter seus filhos em escolas particulares.

A equação da falsa democracia racial, não limita-se apenas no quesito mercado de trabalho. No campo da Educação, tema central do protesto realizados por jovens aracajuanos, 13% da população negra com idade a partir de 15 anos ainda são analfabetos, dados estes alcançados por pesquisas realizadas pela Universidade Zumbi dos Palmares.

Em Sergipe, o sistema público básico de educação não foge da realidade precária enfrentada pelos demais estados do Brasil. E é claro, que a referida realidade influi no momento em que estudantes procedentes dessas escolas tentam concorrer a uma vaga nos cursos de graduação da Universidade Federal de Sergipe.

                               Foto:  Portal Infonet  

Ao se deparar com a ação que ocorrera contra as cotas, Henrique Maynart, freelancer na área de jornalismo “o sistema de cotas demanda uma dívida histórica para com a população negra e pobre deste país, e ainda não é suficiente”. Continua o mesmo, “atualmente o ensino superiro passou por um processo de greve no qual estudantes se mobilizaram não para se colocar contra a democratização do acesso às universidades, e sim, em prol do modelo de educação público, gratuito e de qualidade", destaca.

A partir da mobilização realizada neste último sábado contra o sistema de cotas adotado na UFS desde 2010, a população sergipana pôde presenciar de forma escancarada o quanto a elite burguesa da região é contra a inserção da população negra, indígena e pobre dentro destes espaços que historicamente foram configurados como privilégios para os brancos descendentes de europeus. Pois, ações como estas fazem com que a sociedade regresse ao ano de 1838, quando o então governador da província proibiu por lei que portadores de doenças contagiosas e africanos, escravos ou não frequentassem escolas públicas.

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