Governo de SP altera currículo do ensino fundamental e cancela o ensino de Geografia, História e Ciências

Com nova diretriz, aulas de História, Geografia e Ciências foram retiradas dos três primeiros anos

 

Governo estadual cancelou o ensino de Geografia, História e Ciências nos três primeiros anos do ensino fundamental (Foto: www.educacao.sp.gov.br)

Os alunos dos três primeiros anos das escolas de ensino integral do ensino fundamental da rede pública do Estado de São Paulo não terão mais aulas de História, Geografia e Ciências. A nova diretriz da Secretaria Estadual de Educação é válida para as 297 unidades que migraram para o ensino integral.

Desta forma, mesmo ficando 8 horas por dia na escola, os alunos não terão aulas de ciências físicas e biológicas, história e geografia. Por outro lado, terão 15 aulas de língua portuguesa por semana no 1º e 2º anos, o que equivale a 60% da carga horária semanal. O restante será ocupado por matemática, com 6 aulas, 25% da carga horária semanal, e educação física e arte, com 4 aulas. No 3º ano, a carga horária de matemática sobe para 40% e a de língua portuguesa cai para 35%.

A Secretaria Estadual de Educação defende que o objetivo da reformulação é tornar o currículo escolar “mais atraente”. De acordo com a pasta, o processo que culminou na reformulação começou em 2011 e teve a colaboração de dirigentes e supervisores.

Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, criticou as mudanças na grade de disciplinas. “Tem de haver um fortalecimento em português e matemática, mas não retirar totalmente outras disciplinas. As crianças precisam ter acesso ao conhecimento geral, senão a escola fica só para habilitar”, disse. “Até questões de higiene vêm com essas disciplinas”, completou Noronha.

A consultora em educação Ilona Becskehazy também não concordou com as mudanças. “Não faz sentido. A tendência mundial tem sido trazer a reflexão científica para o 1º ano”, disse.

Com informações do jornal O Estado de S.Paulo

Fonte - Revista Fórum

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Comentário de Claudia Martins em 5 abril 2013 às 11:46

Maria Lígia, 

Parabéns !  Brilhante reflexão a sua. Obrigada.   Faço questão de destacar, rogando a  sua permissão, o último trecho da sua fala, que expressa a mais pura e genuína realidade, quando você diz: 

As escolas não sabem trabalhar com projetos. O que tenho encontrado são projetos temáticos amarrados ao calendário... mais perdas! 

Ratifico com todas as letras. Trabalho na rede pública estadual da Bahia, e, por conta da greve de 115 dias, ano passado,  retomamos as atividade no último  1º. de abril. Fiquei estarrecida com a decisão do turno que trabalho (noturno) de  aprovar um  projeto para todas as disciplinas, em que iremos trabalhar  em duas unidades (1a. e 2a.) apenas  a Região Nordeste. Já pensou ? Metade do ano letivo trabalhando um tema com toda a escola, da 8ª série ao 3º ano do Ensino Médio, sob o argumento de culminar com o Dia do Folclore, 25 de agosto. Meu Deus ! Triste Bahia ! Pobre juventude !

Visite meu blog:  http://serravallenaafricadosul.blogspot.com.br/

Abraços  fraternos e bem emocionado com a sua  lúcida e importante reflexão! Amei ! 

Comentário de Maria Ligia Carrijo em 5 abril 2013 às 8:57

Ola!

Quem conhece o material do projeto "Ler e Escreve" sabe perfeitamente que não há nenhuma alusão aos conteúdos de História, Geografia, Ciências e Matemática. As escolas não sabem trabalhar com projetos. O que tenho encontrado são projetos temáticos amarrados ao calendário... mais perdas! 

Comentário de Claudia Martins em 18 março 2013 às 21:10

Cara Maria das Graças,

Não  é o governo estadual que está fazendo a tal mudança no currículo, até porque o ensino fundamental I é atribuição das Prefeituras Municipais. Quem está fazendo as mudanças é o Sr. Fernando Hadad. O Senador Cristovam Buarque fez um veemente discurso  na tribuna do Senado Federal contra a medida do prefeito.

Aproveite e conheça  meus blogs. Veja  através dos post,  como o ensino da história é importante em qualquer nível de escolaridade. Agradeço sua visita.  Recomende-nos a seus contatos.

http://serravallenaafricadosul.blogspot.com.br/

http://loucosportecnologias.blogspot.com.br/

http://claudiamartinsemconexao.blogspot.com.br/

Forte abraço, Claudia Martins/Salvador, Ba. 

Comentário de Maria das Graças Zanardi Hogeman em 13 março 2013 às 11:39

O Governo de São Paulo é que esta'fazendo a mudança, Não entendi a culpa em Mercadante! Geraldo Alckmin faz o que quer com o povo de São Paulo. E o povo... Sou contra esta medida por todos os motivos do mundo, a criança precisa ter as suas perguntas e suas respostas e língua portuguesa e matemática apenas não dão conta disso.

Comentário de Adelson Silva de Brito em 12 março 2013 às 19:20

Morei no Japão por 15 anos.Lá atuei como professor em escolas públicas durante uma boa parte desse período Fui professor em uma "área educação complementar", ou seja, de uma área da educação na qual, a julgar pela evolução da educação pública no Brasil nunca tetemunharemos experiencia similar. Destaco a experiencia de ter atuado como professor de Inglês em uma Escola Técnica na cidade de Hamamatsu, província de Shizuoka. No Japão, os professores estrangeiros são comumente recutados para ensinar Inglês, ao tempo em que introduzem no alunado a experiencia da vivencia internacional.Assim, percebi que em uma escola técnica japonesa, a administração pedagógica se evidencia pela implememtação de projetos que transformem o futuro aluno em um cidadão mais aberto as tramitações da evolução científica e tecnologica que marca a marcha do mundo mais avançado. Isso significa formar mais que um simples contingente "homo faber"  incapaz de participar efetivamente do processo decisório do seu destino. Seguindo adiante nessa comparação de experiencias, concluo que no Brasil, não há, definitivamente, nem essa tendencia nem qualquer interesse que isso venha a se desenvolver. O que me preocupa é prerceber que, ao lado disso, enquanto na época da ditadura militar assisitiamos ao encastelamento de militares em todos os setores da alta adminidtração pública, inlcusive a educação, (basta lembrar que o Coronel Jarbas Passarinho, cujo currículo  não apresenta qulquer item que o identifique com a causa ou com o trato da Educação, foi  Ministro da Educaçãodo governo do general Emílio Garrastazu Médici, de 1969 a 1974), assisimos hoje ao mesmo processo sendo tocado pelos governos ditos, tidos e havidos como "revoluciaonários e socialistas de esquerda". Com todo o respeito a figura do atual ministro da educação, o Sr. Aloísio Mercadante, cujo currículo  não apresenta qulquer item que o identifique com a causa ou com o trato da Educação. O que o Brasil precisa é de uma sociedade mais participante do processo administrativo do seu destino, entendendo que a Democracia não se esgota nas urnas, como prática esporádica e sasonal, É fundamental que a sociedade entenda, que o processo democrático é dinâmicao e, ao contrário do conceito de fato consumado atribuido ao ato de eleger, é necessário mais e mais que se entenda e se dê entendimento, que alí começa o exercício do direito civil.O que assistimos hoje é a repetição sob uma outra coloração ideólogica de processos politicos unilaterais tocados por insituições viciadas e altamente corporativas, envolvidas em trams e enrredos fundamentados nos seus projetos particulares de enriquecimento pessoal e de perpetuação de poder, através da criação de oigarquisa espúrias e pervesas. Não sabemos nem estudamos História, Geografia, Física, Qúimica ou Matemática. E, para piorar esse quadro,  marcha do investimento público segue firme e riste rumo ao objetivo do recrudescimento formidável da nossa ignorância ...É LAMENTÁVEL!!!

Comentário de Jacqueline Socorro Deveke em 12 março 2013 às 14:05

ESSE COMENTÁRIO É DE UM AMIGO HISTORIADOR QUE PEDIU PRA QUE EU O PUBLICASSE:

Eu queria comentar essa notícia, mas não consegui ter acesso; caso você possa, por favor, poste esse meu comentário.
 

Sou historiador e professor na rede pública do estado de Mato Grosso e, ao que sei, ao menos na história da educação brasileira, a única vez em que um governo retirou as disciplinas de geografia e história do currículo foi quando o regime militar, não conseguindo calar o povo com o uso da força, resolveu tirar-lhe então as ciências humanas e sociais do currículo escolar, o que é uma excelente estratégia quando se quer formar pessoas que não são capazes de refletir sobre sua própria condição de cidadão, membro de uma coletividade maior. Mas, sinceramente, esse tipo de atitude governamental, no Brasil, não me assusta; afinal são 500 anos de sabotagem da educação pública.

Júnio Cézar Arcanjo
Comentário de Raony Chaves em 12 março 2013 às 13:25

Para todos: Um aluno chegar no 6° ano do fundamental sabendo ler, escrever e fazer conta... é uma limitação gigantesca... é uma aluno com uma formação tecnica, que não conhece a sua história, e as interações sociais e espaciais... ou seja, é o ensino tecnico, instrumental no ensino fundamental, quando na verdade esse processo de especialização deve se dar no final da vida escolar do individuo e não no inicio.

Comentário de Raony Chaves em 12 março 2013 às 13:22

Elton!! a diferença do tempo que vc estudou Geografia para agora é gritante... percebo que vc não é da área da Geografia e não conhece o processo da Geografia Nova, Nova Geografia, Por uma Nova Geografia etc, que são evoluções do pensamento geográfico que nitidamente se aplicam nas escolas, nos materiais didaticos. Seu comentário demonstrou o seu desconhecimento sobre a ciência geográfica, e além do mais, vc esta atribuindo a suas experiencias negativas a inutilidade da geografia... dizer que uma criança so vai ter noção de direção aos 10 anos é,loucura, se isso for verdade rasga o PCN. Estudar as Matemática, Português é muito importante, assim como estudar a disciplina da área de HUMANAS é de extrema importancia para o desenvolvimento cognitivo orgânico, crítico... e as crianças são críticas viu, tenha filhos e percebe o quanto são críticos, as vezes até de mais... rs  

Comentário de Rafaela Vipper em 12 março 2013 às 11:31

Concordo com a Maria Izabel Noronha. Acho desnecessário excluir as refridas disciplinas, mas seria interessante que houvesse um enfoque maior nas disciplinas de português e matemática, principalmente no enfoque alfabetização e letramento. Esta falha está se refletindo do decorrer da vida escolar do aluno, que passa  do ensino fundamental para o ensino médio apresentando graves problemas de escrita, leitura e dificuldades para realizar as operações básicas. Acredito que antes que a aluno possa entender o objeto de estudo da História, das Ciências e da Geografia é necessário que ele tenha habilidades de interpretação e compreensão de texto!

Comentário de Rosivalda Barreto em 12 março 2013 às 7:26

No livro história das Ideias pedagógicas no Brasil, mostra todas as formas de melhorar a educação no Brasil e como todas elas foram rechaçadas pelo governo brasileiro, a única coisa que ficou até hoje foi a bolsa CAPES, criada por Anísio Teixeira, isso por que quem permanece mais tempo na universidade não são os pobres e pretos. Sou bolsista capes e um dia desses no Banco do Brasil ouvi uma senhora dizer que sua filha junta o dinheiro da bolsa na caderneta de poupança. isso dá uma poupança de em torno de 15 a 20 mil, as bolsas são de R$ 1.200 mestrado e R$ 2.000,00 doutorado por ano para quem não precisa gastar com material como eu que o governo da Bahia não me liberou para estudar de jeito nenhum, nem com mandado de segurança.  Uma pessoa que não trabalha e tem pais para para sustentar depois do mestrado ou doutorado tem uma boa grana junta. O que o governo brasileiro fez contra o povo pobre e negro é criminoso e desumano. Todos nós aqui sabemos e vivemos sob a crueldade desse crime, lembremos do extermínio da população negra como cresceu atualmente. Pobreza+desmeprego+educação de baixa qualidade+tráfico de drogas+incentivo ao consumo+prisão+apoio da população=morte e descompromisso do governo. A população apoia por que o assassinato dessas pessoas parece resolver o problema da violência no país. Na minha dissertação elaborei esse quadro referente à educação no Brasil da leitura feita do livro supracitado. É visível o disparate na carga horária para Portugal e Ultramar. 

 

PÁISES/COLÔNIA

PORTUGAL

ULTRAMAR: Brasil, Cabo Verde, Ilha do Príncipe, Angola, Goa (Índia), Macau (China)

ILHAS TERCEIRAS, MADEIRA E

SÃO MIGUEL

Ler, escrever e contar

440

24

14

Latim

205

21

10

Grego

31

04

03

Retórica

39

07

03

Filosofia Racional e Moral

28

04

03

Total de aulas

743

60

33


 

Os números para dentro do Brasil dada a importância do local para a economia.

Estados/províncias

Ler, escrever e contar

Latim

Grego

Retórica

Filosofia

Rio de Janeiro

2

2

1

1

1

Bahia

4

3

1

1

1

Pernambuco

4

4

1

1

1

Mariana

1

1

-

1

-

São Paulo

1

1

-

1

-

Vila Rica

1

1

-

-

-

S. J. del Rei

1

1

-

-

-

Pará

1

1

-

1

-

Maranhão

1

1

-

-

-

Total

16

15

3

6

3

Isso data de 1772. É visível o descompromisso com a educação. Isso vem desdobrando nas leis consecutivas de ataque à educação no nosso país. Reitero que não é a quantidade de horas aula que vai determinar a qualidade dela e sim o contexto em que vivem os educadores e educandos. Desemprego dos pais+falta de lazer+falta de dinheiro de transporte+incentivo da mídia informando que a fórmula para ganhar dinheiro é roubando (como os políticos)+ser jogador de futebol+ator+modelo+atriz+participante do B. B. Brasil+salário aviltante dos professores+auxílio reclusão de 950 reais= desinteresse. É muito difícil no Brasil se visibilizar alguém que se superou na vida estudando mas, Ronaldonho, Neymar entre outro estão na mídia direto. Quem vai se interessar em estudar se o próprio professor é um profissional que está diante do alunado sendo desrespeitado cotidianamente. Quem vai querer estudar sem sonhar com o imediatismo? Reitero, educação não se resolve apenas com aumento da carga horária de determinadas disciplinas  é necessário se perceber que desse investimento haverá recompensa e os estudo não mostra isso imediatamente, é um caminho a ser percorrido, coisa que os governantes brasileiros detestam, a qualidade. A UPP e o extermínio que a nossa população vem sofrendo desde o tráfico transatlântico é mais rápido, mas ainda não satisfaz é necessário maior crueldade contra a nossa humanidade.

Translation:

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