“Havia um Stone no meio da arquibancada”

Por Jairo Pinto (Cientista Social e Poeta)

Enfim, estamos a uma semana da final em Joahnnesburgo, mas a copa na África do Sul is
over para um montão de gente. Aqui no Brasil, ligar a TV, o rádio ou conectar‐se a internet,
bem como, abrir o jornal, a janela ou os olhos pela manhã, nos últimos dias, significou ter aces-
so irrestrito à Copa do Mundo de Futebol... Entretanto, quando me perguntavam sobre a sele-
ção brasileira, sobre o campeonato mundial e coisas correlatas, não perdia tempo, mergulhava
logo num esforço, para muitos enfadonho (com profundo arrependimento por ter perguntado),
em analisar criticamente o que estava “por trás daquilo tudo”. E para tanto, valia de tudo mes-
mo: Por que o símbolo de nossa identidade nacional neste certame é um ‘ente absolutamente
privado’?; Por que o nosso nacionalismo não tem preparo físico para ter fôlego até a prorrogação
nas eleições de outubro?; Por que determinados comentaristas insistem em infantilizar jogadores
africanos chamando‐os de inocentes o tempo inteiro? E não parava...

Apesar de não concordar com o chavão que diz que o futebol é o ópio do povo, estranho a super
exposição do mesmo por aqui (dia de jogo do Brasil pareceu ter virado feriado), e isto tornava
coadjuvante qualquer coisa que acontecia longe dos gramados do Soccer City Stadium na impren-
sa brasileira, como a aprovação esfacelada do Estatuto da Igualdade Racial, pelo senado brasileiro,
enquanto os holofotes estavam na primeira Copa em solo africano, por exemplo.

Todavia, tentando não ser um tanto “novo rabugento”, resolvi ver o futebol por um ângulo não me-
ramente funcionalista. Pus‐me a ler um livro amarelinho, que morava há muito em minha estante, do pesquisador Aloildo Gomes Pires, sobre a trajetória de Apolinário Santana, o Popó, um craque negro
que jogou no Ypiranga nos anos vinte do século passado. Enquanto descobria outro universo do mun-
do da bola, ouvi na tv uma entrevista do excelentíssimo senhor presidente, e comentarista esportivo,
Luis Inácio Lula (corintiano) da Silva. Ele disse que não há culpados pela desclassificação da seleção brasileira... Neste momento, tive que deixar o craque do povo de lado (o Popó) para discordar do presidente (o Lula). Mesmo não sendo tão religioso, para mim, e para mais de quarenta mil pessoas no Orkut,
há sim um culpado!!! A última vez que ele passou por aqui, em fevereiro de 2006, com um custo aproxima-
do de dez milhões de reais, hospedou‐se no COPAcabana Palace Hotel para fazer um mega show da
turnê Bigger Bang World Tour.

Hoje, rememorando aquele momento que vi pela TV, enquanto cerca de um milhão e
trezentas mil pessoas viram nas areias de COPAcabana, percebo que o vilão já previa algo. A
última canção do set list do show era o prelúdio da Copa de 2010, no outro lado do Atlântico. (I
Can't Get No) Satisfaction, esbravejava o Mick. E de fato, quatro anos depois, ele incorporou
sua composição (e de Richards), lançada há mais de quarenta anos... Ele tentou no jogo dos
Estados Unidos, ele tentou no jogo da Inglaterra , ele tentou no jogo do Brasil, ele tentou no
jogo da Argentina e, até agora, em todos, ele não conseguiu... Deste modo, creio que vai ser
difícil não se lembrar da primeira copa no continente africano quando se ouvir o som zulu das
vuvuzelas e o som de certo clássico do rock inglês:

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no, I can't get no

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