Hip Hop da Estação São Bento é homenageado em SP


Berço do Hip Hop e grupos surgidos a partir do centro de SP recebem reverências com música e dança durante IIII Encontro Paulista de Hip Hop


Por Diana Clara Condá

DJs, MCs, B-Boys e B-Girls se reuniram para prestar homenagem aos grupos de Hip Hop que surgiram na década de 80 e 90 e reverenciar a estação São Bento como palco da resistência da cultura hip hop.
Embalados ao som do RAP (sigla em inglês que significa ritmo e poesia), ressaltaram a importância histórica do local para o Hip Hop, e incentivaram a participação e realização de mais atividades na Estação São Bento.

A homenagem fez parte das comemorações do mês da Consciência Negra em SP e aconteceu durante o III Encontro Paulista de Hip Hop, no Memorial da América Latina, capital paulista.

O Encontro reuniu muitos adeptos, simpatizantes e curiosos. Debates com a participação do público e de anfitrões como os rappers Negga Gizza e Eli Efi, exposição de graffiti, oficinas, racha de DJs, shows musicais de RAP com Max BO e Emicida, Rota de Colisão, além da participação dos repentistas nordestinos Peneira e Sonhador fizeram parte da programação deste ano.

Para as próximas edições o assessor de Hip Hop da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e coordenador do Encontro, Márcio Santos pensa em desenvolver atividades simultâneas na capital paulista e em diversas cidades do interior de SP.

PARTICIPANTES - Atenta ao debate “Direito a ter Direitos” estava Fab Girl. Ela que é B-Girl em Brasília, ressaltou a importância da realização de eventos como o Encontro de Hip Hop como espaço para intercâmbio de informações.
Fab falou a respeito da discriminação de mulheres no hip hop, incentivou o empoderamento feminino por meio do conhecimento e citou experiência própria.

“Se hoje sou ícone é porque investi em conhecimento”, afirma Faby, explicando que estudou, pesquisou e participou de oficinas relacionadas ao tema até ser reconhecida.

Quem também defende a tomada do poder feminino pelo conhecimento é a B-Girl Lu, de Campinas. “O que falta é as mulheres se conscientizarem que estudar é o melhor caminho e se impor nos espaços conquistados”, sugere.

DROGAS - Por ser um espaço bastante visitado pela juventude, outra questão abordada nas rodas de discussões foi o uso de drogas. O rapper e produtor musical Blood (Santos/SP) opinou que o verdadeiro adepto da cultura Hip Hop trabalha e milita da forma mais simples à mais bem elaborada, mas sem usar drogas, para não reforçar estereótipos criados pela sociedade.

RAP BRASIL x EUA - Quem passou pelo encontro foi o também rapper Eli Efi. Conhecido por seu jeito carismático e político por utilizar o hip hop como ferramenta de luta, Eli Efi, que atualmente mora em Nova Iorque (EUA) criticou a fase que o rap norte americano passa atualmente.

“A indústria fonográfica dá muito dinheiro para que os rappers que antes faziam papel de ‘conscientizador político’ mudem as frases dos versos e cantem ‘refrões facinhos’, desvalorizando inclusive, a mulher – isso enfraquece todo o discurso político contido na nossa essência. Fico feliz pelo Hip Hop no Brasil não estar perdendo a essência e podermos continuar a luta”, afirma.

Eli Efi reforça que “a juventude é a máquina que impulsiona o mundo”, por isso, deve estar envolvida na luta por dias melhores, fazendo e ouvindo RAP sem perder o foco na diversão com teor político.

SÃO BENTO NO TEMPO A importância da estação São Bento para o movimento Hip Hop se destaca através dos tempos. De lá muitos DJs, MCs, grafiteiros (as), B-Boys, B-Girls e grupos de break de São Paulo e interior trocaram experiências, aprenderam e apareceram para o Brasil e para o mundo.

Os Cobras e as Buffalo Girls, Os Dragon’s Breaker’s, Gang de Rua, Back Spin, Jabaquaras Breakers, Red Crazy Crew, Street Warrior’s e Nação Zulu, Tijolo, Jorge Paixão e Daniel Paixão, Fábio Macari, DJ Cuca, Thaíde e o Humberto, (Dj Hum). Também passaram pela São Bento o MC/DJ Jack, Pepeu, Racionais Mc's, além de General G e MC Mattar, Back Spin, Gueto Freak, Street Break.

Fontes orais e documentais relatam que a reunião de todo esse pessoal acontecia na dstoRua 24 de Maio, centro de São Paulo. O movimento foi crescendo a ponto de as reuniões serem repudiadas pelos lojistas locais, por isso o ponto de encontro dos adeptos do Hip Hop mudou para a Praça Roosevelt e para a Estação São Bento.

As reuniões continuaram e discussões geradas fizeram surgir o MH2O, sigla do Movimento Hip Hop Organizado, criado por Milton Sales (ex -produtor dos Racionais MC’S). Com a criação do MH2O foi pensada a lógica de divulgação do hip hop através da realização de oficinas e shows nas periferias.


O HIP HOP E O ESTADO O Hip Hop é um movimento que vem crescendo no mundo e no Brasil também tem uma força muito grande. De acordo com estimativas da Secretaria de Cultura de SP, hoje o Hip Hop conta com mais de 100 mil integrantes, todos muito bem articulados.

Essa força fez com que integrantes do movimento se reunissem com representantes do Estado para apresentar a necessidade de se criar uma assessoria de governo específica para tratar do tema. E eles foram atendidos. Dentro da Assessoria de Cultura para Gênero e Etnia está lotada a Assessoria para o Hip Hop.

Exibições: 344

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço