Por Cidinha da Silva

Ela considerava aquele o dia dela. Eu movia rios e montanhas para estar com ela, porque era algo muito importante para sua localização no mundo.
Um dia ela se foi e, deliberadamente, esqueci que o dia das mães existia. Permiti a mim mesma a liberdade de não felicitar ninguém pelo marco ocidental do comércio de afetos, nem mesmo as mulheres caras a mim, para as quais a maternidade era algo fundamental.  Livre, libertada, liberta da opressão sentimentalista do dia das mães, me tornei.
Veio um dia novo e voltei a me lembrar que havia um domingo em maio dedicado a elas. Conheci uma mulher que perdera o filho ao nascer, cuja mãe telefonava no dia das mães para lembrá-la de que tinha sido mãe um dia e aquele era o dia dela também.
Veio o mais novo dos dias, aquele em que conheci a mulher que me ensinaria a ser mãe, a que mais admirei, venerei pelo amor e pela tenacidade, pela certeza da escolha, pelos filhos íntegros e belos que educou. O princípio e o fim dentro de casa, na própria prole, Exu e Oxalá, como ela dizia.
Mas ela desistiu de tudo e só restou no ar, no lugar dos “parabéns pelo dia das mães”, do meu tempo, o “feliz dia das mães”, de hoje.

Exibições: 37

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço