A bomba da semana, sobre racismo, é a resposta dada pelo parlamentar Jair Bolsonaro, a uma pergunta feita pela Preta Gil no CQC. O assunto tá nos blogs, no twitter, em todo canto, dos links que recebi seguem dois:

http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2011/03/29/jair-bolsonaro-da-...

http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/brasil/jair-bolsona...

 

Até onde pude ler e perceber a declaração de Jair Bolsonaro foi, no mínimo, infeliz, imprudente, mas parece-me que verdadeira no sentido de que exprime o que de fato ele pensa, pratica  e tem como valores. No mundo atual, onde impera o "politicamente correto", as pessoas tomam o cuidado de censurar previamente suas falas e discursos para não dizerem aquilo que pensam, mas que não se deve dizer, pelo menos, em público. E aí, quando aparece um incauto (como Bolsonaro, como Mayara Petruso, Boris Casoy, Danilo Gentile, Marcelo Tas) que abre a boca e diz um absurdo, toda a sociedade, isto é, nós, os outros, os politicamente corretos, os dissimulados, os cinicos, os isso e os aquilo, caem de pau no cara. Claro que a atitude é deplorável, deve ser condenada, combatida, criticada, sem dúvida. 

 

O que eu fico pensando é se, de fato, são bem poucos os Jair Bolsonaro da vida, ou se há vários Jair enrustidos, adotando ações discriminatórias, na prática e posando de politicamente corretos. Se houvesse mais Jair Bolsonaro, não no sentido de ter o preconceito, mas de declará-lo, a gente teria uma visão real do problema porque quem vê cara não vê coração. E é mais fácil combater o inimigo ou o mal explícito do que o oculto. Lembram da declaração de Boris Casoy sobre os lixeiros? Pois é... e enquanto se praticava e se pratica racismo e outros ismos por aí, o bode expiatório do mundo, era a África do Sul porque tinha uma política oficial  e escancarada de apartheid.  E vamos jogar pedra na Geni, cospe na Geni até que  o apartheid teve que ser removido, pelo menos, no direito, de fato não sabemos em que profundidade, mas alguma ou muita coisa parece ter mudado na South Africa.

 

Enquanto isso, aqui onde nao teve apartheid nos anos 80 e 90, teve "apenas" escravidão nos séculos XVI a XVIII, oficialmente abolida em 13/05/1888,  a gente volta e meia vê uma noticia que um Jair disse isso, um fulano fez aquilo e um beltrano praticou aquilo outro. Na República onde se diz que há uma democracia racial, onde Ali Kamel e Demetrio Magnolli afirmam que não existe racismo. Não me espantarei se eles disserem também que não existe homofobia e que a Lei Maria da Penha não precisa existir porque aqui no Brasil os homens seguem um ditado que diz que "em mulher não se bate nem com uma flor" (só alguns poucos é que descem a madeira da roseira inteira na esposa, né?).



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