Jornalista carioca dá aula de economia e superação

Flávia Oliveira apresentou os números do crescimento ecônomico do Brasil e nossos desafios sociais.

 

Dentro da programação dos seus 20 anos de atuação, o Instituto Cultural Steve Biko trouxe a Salvador neste sábado, 14, a jornalista Flávia Oliveira, que atua em veículos da Rede Globo (jornal O Globo, Globo News e TV Globo Rio). A jornalista, uma das mais especializadas na economia brasileira, falou sobre o tema para os estudantes do curso pré-vestibular do Instituto, além de parceiros e interessados.  Entre conceitos mais pesados (e fundamentais) da economia, como inflação, salário mínimo, PIB e outros, Flávia Oliveira dividiu com os presentes alguns momentos da sua trajetória de 20 anos no jornalismo.

A carioca de Irajá, filha de mãe baiana (da cidade de Cachoeira), formada pela Universidade Federal Fluminense, contou que a sua ascensão no jornalismo televisivo (raro a mulheres negras) é fruto da associação de três fatores: inteligência, muita determinação e certa dose de sorte. “Isso não me deixa cega à minha realidade e às dificuldades de oportunidades e igualdade aos negros do Brasil”. Essa consciência despertou sua percepção das inúmeras tentativas de preconceito que sofreu no exercício da sua profissão. “É constante a associação da mulher negra à sexualidade e a disponibilidade para o sexo”, afirmou.

Entre as histórias narradas, a de um vizinho branco, Moisés, que tentou fazê-la desistir da escolha por jornalismo, pois, segundo ele, era uma profissão para meninas ricas e bonitas. “Você deve fazer ciências contábeis ou administração. Vai se mais fácil arrumar emprego em um escritório”, recomendou ele. “Eu entendi que o termo bonita dito por ele, na verdade, era não negra, como eu. Mas eu não seguir o conselho de Moisés”.  

Superação - A capacidade em lidar e interpretar os números, desenvolvido em um curso técnico em Estatística ainda na adolescência, possibilitou o direcionamento da sua carreira jornalística e garantiu o respeito na emissora em que trabalha desde 1994, onde, garante, nunca sofreu nenhum tipo de discriminação. Nem mesmo por parte de chefes com posicionamentos opostos às políticas de ação afirmativa no país, como é o caso de Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo e autor do livro “Não somos racista - uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor” (Nova Fronteira, 2006). “Existe o conhecimento de que temos opiniões muito diferentes sobre este tema, mas sempre existiu o respeito e até o apoio ao meu trabalho”, destacou a jornalista responsável pelo premiado caderno especial do jornal Globo, A Cor do Brasil, e a série Retratos do Rio. “Cada um tem uma percepção do mundo de acordo com o nível de desafios aos quais foi submetido, o que gera olhares e valores distintos sobre a vida”, disse.

Flávia Oliveira e Tarry Cristina Pereira, diretora pedagógica do Instituto Steve Biko

 

Otimista com a atual situação de desenvolvimento econômico do Brasil, Flávia apresentou os grandes desafios que estão colocados ao país que quer ser a 5º economia do mundo, como a nossa péssima distribuição de renda. “Atualmente o Brasil desperdiça 15 a 20% da sua população ativa, com potencial de trabalho e geração de riqueza, que está no desemprego e ainda sem acesso à universidade”. Por isso, foi enfática ao defender a política de cotas: “Com as cotas começamos a causar o constrangimento no mercado de trabalho, pois antes o empregador nem precisava discriminar, bastava dizer que não tinham negros qualificados. Com o acesso a universidade, esse argumento não pode mais ser utilizado”. E se emocionou ao falar da sua crença de que ainda construiremos um país mais igual e justo. “São esses 5% de negros que estão tendo oportunidade de acessar o ensino superior que serão responsáveis por motivar outros, para que esse número aumente. Eu acredito”.

Esperança - Antes da palestra na sede do Instituto Steve Biko (Largo do Carmo), Flávia Oliveira participou de um almoço promovido pelo Instituto Mídia Étnica que reuniu comunicadores sociais como Enderson Araújo, do Mídia Periférica, e Carén Cruz, do Blog Pittaco da Moda. Ela foi apresentada a projetos de comunicação geridos pela comunidade negra, como o jornal Mídia Periférica e o portal Correio Nagô. Entre os dados de esperança nos novos caminhos traçados pela juventude para a transformação da realidade brasileira, a jornalista destacou o fluxo de informação possibilitado pela internet, e citou um exemplo concreto. “Esse jovem, Enderson, se comunica pelas redes sociais diretamente com jovens de outras periferias brasileiras, como o René, do Complexo do Alemão. Isso é fantástico”. 

Confira o talento da jornalista: além de titular da coluna Negócios&Cia, do jornal O Globo, Flávia Oliveira é comentarista de economia do Bom Dia Rio (jornal matutino da Globo Rio) e do Estúdio i, de segunda a sexta, às 14h, na Globo News (canal 40).

 

A jornalista Flávia Oliveira entre a Profa. Dra. Geri Augusto, da African Studies Brown University e Dona Zildete dos Santos Pereira, do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas.

Texto: André Santana, editor do portal Correio Nagô

Fotos: Instituto Cultural Steve Biko (divulgação)

Exibições: 1596

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Comentário de Maria Isabel (Isa) Soares em 27 julho 2012 às 3:47

Parabéns Flavia. Sabemos do que você está falando. E em carne própia. Sigamos na tarefa.

Comentário de Dilnei Severo em 23 julho 2012 às 12:17

Flávia Oliveira

Quando vejo você na Globo News diariamante fico feliz demais ao sentir que a verdadeira beleza é a do conhecimento.

Mas tem um outro detalhe além de você ser uma mulher intelectual é também um belíssima mulher. Portanto uma mulher de encher os olhos.

Não é declaração de amor mas sim a constatação de que nós negros somos lindos na medida em que nos colocamos em lugares em que não deveríamos estar. 

Flávia você é nota 10. Meu sonho seria te ver candidata negra e  mulher  para substituir a Dilma.

Mas teria que arrumar um jeito de baixar a gasolina (igual ao Hugo Chavez) , pois combustivel a R$ 3,00 hoje e provavelmente a  R$ 4,00 no final de ano é dose,  num pais produtor,  que Presidente nenhum consegue explicar.

Comentário de Jorge José do nascimento em 21 julho 2012 às 17:00

Como jornalista não posso deixar de parabenizar a  jornalista Flávia Oliveira,  a Profa. Dra. Geri Augusto, da African Studies Brown University e Dona Zildete dos Santos Pereira, do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas.Mulheres pelos  quais  dão uma verdadeira aula de economia e superação, isso poderia ser trazido para minha cidade.SHALOM

Comentário de Antonia Conceição Abbamonte em 17 julho 2012 às 1:22

Prezada jornalista Flávia.

Boa noite.

Meu pai era jornalista e eu desde tenra idade vivia cercada de todos os jornais que recebíamos todos os dias na agência de publicidade de minha família, embora tenha me dedicado ao estudo de piano, ao terminar esse magistério musical, fui obrigada a estudar Medicina Natural, para sobreviver sem sentir dores, como já deixei um comentário a respeito (e somente deixei endereço para os que poderiam estar na mesma situação que eu estive, a 25 anos atrás, não encontrava tratamento na área da alopatia que resolvesse minha nevralgia do nervo trigêmeo, não tive saída ou estudava ou...sei lá o desfecho que seria. Até hoje cuido de minha saúde, faço N experiências só não implodi (sirvo de cobaia nessas experiências, ultrapasso meus limites e fico tentando descobrir o caminho de volta “ao controle das N trilhões de células” que deixo bem “reviradas”...) ainda por estar me dedicando muito aos estudos da (s) “Fofura (s) da Natureza” que são os Orixás, nos meus 65 anos, N vezes o “Universo da Economia”já quase fundiu minha “massa cinzenta (do meu cérebro)” diversos caminhos: indiano, chinês, japonês, ultimamente o africano tem me cativado mais pelos paradoxos (que só os estudos vão esclarecendo, passo a passo), as pessoas na grande maioria com suas doenças bipolares,  as economias, teriam como que “polaridades múltiplas” (???).... um sem fim de assuntos.. Assisti um vídeo de mais de uma hora com muitos estudos, teorias, etc..Muito afinco nos estudos do economista Hugo Penteado, mas são assuntos apesar de fascinantes ...”são ossos duros de roerem...”, fico só pelas “beiradas”...Parabéns jornalista Flávia e demais estudiosas as senhoras irradiam muito Axé, e que os Orixás as continuem protegendo e a nós também, Mojubá                                                                                                                                                                             

Comentário de Claudinha Feliz! em 16 julho 2012 às 23:18

Conheço Dona Zildete e Tarry  sua filha moradoras do Alto das Pombas 

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço