Kerry Washington: conheça a negra mais bem paga da TV, segundo a Forbes

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Grave este nome: Kerry Washington. Aos 36 anos, nascida no Bronx, a bela Kerry é a primeira atriz negra a protagonizar uma série de televisão norte-americana, Scandal, e além disso é a negra mais bem paga da TV mundial, segundo a lista anual divulgada pela Forbes. Ela aparece na 20ª posição, com um total de R$3 milhões.

Em "Scandal", Kerry dá vida a Olivia Pope, uma especialista em gestão de crise de Washington, que resolve problemas de figuras públicas influentes como embaixadores, políticos e até do presidente dos Estados Unidos, de quem já foi amante. Além disso, a atriz também atraiu os holofotes em 2012, ao viver Broomhilda, personagem protagonista do mais recente filme de Tarantino, "Django Livre".

Foram precisos 12 anos para Kerry Washington se tornar mundialmente conhecida. Desde que estreou nos cinemas, em 2000, a norte-americana tem trabalhado regularmente (e, até, ao lado de nomes grandes da sétima arte, como Angelina Jolie e Brad Pitt, em "Sr. e Sra. Smith"), mas 2012 foi, sem dúvida, o ano decisivo da sua carreira. Além de ter conseguido o papel feminino principal em "Django Livre", Kerry quebrou um dos muitos tabus da televisão americana ao tornar-se a primeira mulher negra protagonista de uma série de televisão nos Estados Unidos.

O sucesso de Scandal

A personagem de Kerry Washington em "Scandal" é baseada na figura real da advogada Judy Smith, que teve como clientes, entre outros, Monica Lewinsky, a estagiária da Casa Branca que acusou o antigo presidente norte-americano Bill Clinton de se ter envolvido sexualmente com ela.

Quando Shonda Rhimes (autora de Grey's Anatomy) iniciou os testes de elenco para escolher a atriz que daria vida a Olivia Pope, a criadora da série garantiu que "qualquer atriz de cor neste planeta ia querer o papel". Após ter sido eleita, Kerry concordou em entrevista à CNN: "Olivia é uma mulher tão emocionante, complexa e interessante. Ainda a estou desvendando suas facetas, mas é um prazer enorme ser ela".

Quando leu pela primeira vez o roteiro de "Scandal", Kerry se encantou com Olivia. "É assim que descubro se quero muito fazer uma personagem: quando leio o roteiro e já a sinto dentro de mim", comentou ao jornal digital The Grio. "Sou levada até aos meus limites. Olivia é uma personagem que requer tanto do meu treino como atriz, mas também da minha experiência pessoal e da minha educação. Exige muito do meu lado emocional, mas também psicológico".

Do Bronx para Hollywood

Kerry Washington nasceu há 36 anos em Nova Iorque e cresceu entre os bairros do Bronx e Manhattan. Filha de pais de classe média – a mãe era professora e o pai vendedor de imóveis –, a atriz frequentou a tradicional Spence School, uma escola exclusiva para meninas, onde as atrizes Gwyneth Paltrow e Emmy Rossum também estudaram. Por ser uma instituição com um programa extracurricular muito forte, Kerry começou a ter aulas de representação e balé ainda criança e, claro, desde muito cedo, descobriu que o seu caminho profissional seria ligado às artes.

Quando chegou a hora de ir para a faculdade, Kerry foi viver para a capital norte-americana onde frequentou, durante quatro anos, o curso de Teatro da George Washington University. A experiência universitária serviu para reforçar e confirmar a paixão da então aspirante a atriz pela carreira.

A estreia nos cinemas aconteceu em 2000, com o filme independente "Our Song". "A produção era ridiculamente minúscula. Não tínhamos cabeleireiro, nem maquiador. Só um cartão do metro carregado para voltar para casa. Mas era tudo mágico", contou ao The Grio. Desde então, Kerry garantiu pequenas participações em várias séries televisivas (como "Law and Order"), bem como papéis secundários em filmes menos comerciais.

O primeiro grande personagem

Em 2004, no filme "Ray", sobre a vida de Ray Charles, Kerry conquistou sua primeira protagonista ao viver Della Bea Robinson, a segunda mulher do músico, interpretado por Jamie Foxx. Oito anos depois, os dois atores voltaram a contracenar em "Django Livre", mais uma vez como marido e mulher.

O filme de Tarantino se passa no período que antecede a Guerra Civil norte-americana. Kerry desempenha o papel de uma escrava e contou à CNN que este foi um dos trabalhos mais duros que já fez. "Tínhamos dias tão difíceis que, de vez em quando, Jamie Foxx virava-se para mim e dizia: 'Como tem passado Olivia (Pope)?'. Era para me lembrar que não me podia perder na personagem [da escrava Broomhilda]. Sinto-me muito abençoada por, nesta altura da minha carreira, ter a oportunidade de interpretar estas duas mulheres tão diferentes (uma escrava e uma advogada de elite). É entusiasmante não ser catalogada apenas a um tipo de mulher por ser de cor", declarou.

Na sua vida pessoal, Kerry descreve-se não apenas como uma feminista, mas acima de tudo como 'womanist' – um termo criado pela escritora Alice Walker para definir o feminismo negro. Esta consciência do papel da mulher, especialmente o das afro-americanas, foi herdado pela mãe, uma professora que sempre valorizou a defesa dos direitos da mulher. "Quando era criança, os colegas da minha mãe jantavam com frequência lá em casa e falavam de tudo. Cresci a discutir abertamente assuntos sociais e percebi desde cedo que a política não está separada da vida do dia-a-dia", contou à CNN.

Na última campanha eleitoral, a atriz apoiou a reeleição do presidente Barack Obama e até chegou a discursar na Convenção Democrata a seu favor. Atualmente, ocupa um lugar no comitê para as Artes e Humanidades da Casa Branca, reunindo-se com regularidade com o presidente e a primeira dama. Esta proximidade já causou, inclusive, alguns rumores, como as notícias de que Michelle Obama boicotou a entrada da atriz na Casa Branca, por a considerar muito sedutora no trato com o presidente.

Questionada sobre este assunto no programa Jimmy Kimmel Live, Kerry Washington negou a informação e ironizou: "Como a minha personagem Olivia Pope tem uma relação inapropriada com o presidente acho que os jornalistas confundiram ficção e realidade".

 

 

Fonte: Revista Afro

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Comentário de giselle conceicao em 15 setembro 2013 às 11:06

Olá, gostaria de fazer uma sugestão e ao mesmo tempo esclarecer uma dúvida. As duas são uma coisa só. É que me incomodo quando veja a menção negra ao invés de mulher negra/pessoa negra, pois apesar de ser óbvio que somos negras, o racismo parte do distanciamento do negro do coneceito de pessoa, de sua objetificação. Então cabe a nós em nossos discursos e atitudes posicionamentos educativos e combativos desta condição. Por isso acredito que o uso dos termos mulher ou pessoa junto a palavra negra (o) de forma repetida pode fazer com que as pessoas internalizem este conceito e possa diluir um pouco mais o racismo.

não sei se esse incomôdo é preconceito da minha parte e por isso surge como dúvida.

Obs.: além disso recomendo o filme Hannah Arendt: a banalidade do mal, pois eu nunca tinha lido nenhum artigo ou livro dela, mas o filme, me fez conhecer um pouco dos mecanismos utilizados para a naturalização do mal, que é a desumanização das pessoas.

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