Lá vem ele com esse papo sobre racismo! por: George Oliveira

O racismo velado é a ordem do dia. Ele está bastante presente em nosso cotidiano. Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre um tipo de racismo bastante sutil e estas breves palavras pretendem incentivar a reflexão sobre o assunto. Pode passar despercebido a “olho nu”, mas um olhar um pouco mais apurado consegue identificá-lo nas entrelinhas e perceber a forma como é utilizado como estratégia de dominação.

Um exemplo de como o racismo velado pode se materializar em nosso cotidiano pode ser apresentado através da imagem da população negra na mídia. Saímos de uma ausência para uma “quase presença” e isso ainda é muito pouco. Não basta estar presente nas peças publicitárias, queremos nos ver de forma positiva e construtiva.

Um cartaz de uma universidade que se diz “plural” foi postado numa rede social e gerou uma série de comentário. Nela, seis estudantes são utilizados para representar a pluralidade tida como marca da instituição de ensino paranaense. Para o psicólogo Altair Paim: “O racismo opera assim. Automático. Sutil: O preto na foto, como sempre o único, estereotipado .... não tem mochilas e distante dos estudantes...”

Estereótipo são idéias concebidas sobre determinadas pessoas ou grupos, que levam em consideração a aparência, condições financeiras, sexualidade e outros. Trata-se de um conceito que geralmente surge de forma infundado e de caráter depreciativo, onde as opiniões alheias passam como verdadeiras. O Estereótipo também faz parte do racismo, xenofobia e intolerância religiosa.

A antropóloga Taynar Pereira declarou que: na esteira do que acima escreve Altair Paim, sigo acrescentado que creio, sobretudo, na existência de sujeitos conscientes, atuantes, operando, manipulando o racismo 24 horas por dia....São os elementos midiáticos e suas práticas discriminatória trabalhando em todo tempo e espaço....”

A professora Yara Santiago fez alguns questionamentos sobre o cartaz: Pq o negro é o único q está de óculos escuros, escondendo os olhos, pq é único de boné, ocultando a outra parte do rosto, pq é o único que não carrega nada que o associe ao estudo, todos os outros estão numa pose que nos remete a uma atitude de confiança, esperança, vitória, pq o negro está numa posição no mínimo de deboche ou de rejeição, no caso, ao estudo? Pq? Pq? Pq?”

Confira, na íntegra, a resposta da universidade em defesa da campanha #sejaplural:

“Pessoal, boa noite.
Pedimos licença para poder conversar com vocês e explicar dois pontos que são fundamentais que fiquem claros a todos. Em nenhum momento o objetivo das ilustrações foi estereotipar os personagens – todos são alunos e sentimos muito por qualquer tipo de taxação. Também falaremos sobre o que acreditamos. Acreditamos que a pluralidade de estilos, gostos, experiências e ideias é algo incrível para o crescimento pessoal e profissional. Quando dizemos “plural” dizemos justamente o contrário de “apenas mais um”. A singularidade de cada pessoa a torna completamente especial, mas cremos, que quando fazemos juntos podemos ir além. Acreditamos que um talento pode ser potencializado quando acompanhado por pessoas preparadas. Acreditamos que juntos podemos enriquecer ideias que poderão ajudar ao próximo. Acreditamos na evolução das pessoas quando compartilham conhecimentos, experiências e ideias. Acreditamos que cada um de vocês tem todo o potencial para serem a mudança que desejam no mundo. Para saber mais sobre a pluralidade da PUCPR, acesse: www.pucpr.br/vestibular. Já diria Guimarães Rosa “viver é plural”, convidamos todos a serem também.”

Existem inúmeros exemplos a serem observados. Sabemos que racismo é crime e a estratégia de utilizá-lo de forma ofuscada tem conquistado uma eficácia ao dificultar sua identificação e denúncia. E você o que acha sobre polêmica? A imagem da campanha publicitária da universidade pode ilustrar uma “clara” relação entre o racismo velado e a estereotipação da população negra?

Seguimos vigilantes!

 

 Entre no debate: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=609805979064345&set=a.1...

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George Oliveira

Economista

Militante do Movimento Negro

Mestrando do CIAGS/UFBA

grbo2003@yahoo.com.br

#21

 

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Comentário de Rosivalda Barreto em 25 setembro 2013 às 11:14

Abusos da mídia: Novelas, as cenas sensuais envolvendo homem negro e mulher branca é menos caliente, contrário de quando é um homem branco e uma mulher negra.

Filme: Feeding. o rapaz negro é afim de duas garotas brancas e as o rejeitam. Ele fica chupando dedo enquanto todos namoram. Em Drácula 3000 os elpersonagens negros são descritos como pessoas que não racioncinam e só têm músculos. No final o negro é convidado pela loira que é um robô para transarem.

Cartazes de divulgação. Taís Araujo engravidou, pariu, mas quem fez a propaganda de aleitamento materno foi Cláudia Leite, por isso eu enviei um comunicado para o ministérios da saúde. O negro está nas publicidades que tratam sobre AIDS e tuberculose.

No campo financeiro, sempre está negociando para pedir dinheiro emprestado das financeiras. Na publicidade da Hpavida, existem 4 abelhinhas, a negra fica abaixo no canto direito do papel, sobre uma cor marrom avermelhada. Que vê essa abelhinha?

Numa escola em Fortaleza existe uma imagem: Um ambiente onde existem: um menino branco concentrado, sentado lendo; uma menina loira deitada escrevendo em um caderninho tipo diário, e o menino negro sorridente está brincando jogando futebol! Será que isso é racismo ou eu estou ficando louca? Sempre me dizem que sim, vejo racismo onde não existe! Mas, não sou louca, sou crítica e vejo racismo onde ele existe, nas entrelinhas do racismo doméstico brasileiro.

Ah! Um tema polêmico, indigesto para alguns. Os homens negros muitos deles escolhem as mulheres de pele mais clara e/ou brancas ou com um estereóripo próximo ao do branco para casarem, para um relacinamento sério. Excessão: Igor Rickli, branco escolheu uma negra para casar Aline Winkler, Hans Doner também! engraçado que vivemos dizendo que a mulher negra é bonita, que o negro e negra são lindos(as), mas lendo o artigo de Claudinha a realidade e bem diferente para as mulheres negras. Pesquisas: A solidão da mulher negra: sua subjetividade e seu preterimento pelo homem negro na cidade de São Paulo, Claudete Alves e a tese da baiana Cláudia Lemos que trata do mesmo tema. O racismo é complexo, escorregadio e uma armadilha até para que etá no combate antirracista.

Adoção: pessoas que estão ferrenhamente envolvidas na luta antirracista, adota criança branca. Não é ue a branca não deva ser adotada, mas por que não oportunizamos a negra para dar uma oportunidade de vida melhor? Enfim, nossas pesquisas apontam uma maioria negra no nosso páis e sabemos muito bem que as crinaças negras ficam na fila da adoção por anos e que o perfil solicitado pelas pessoas que querem adotar é aponta para crianças brancas ou da pele mais clara.

Comentário de Rosimeire Ferreira em 25 setembro 2013 às 7:51

Bom dia George,

Li seu artigo e ele só veio reforçar minha opinião sobre o preconceito velado e a discriminação gritante em nossa mídia. Nas campanhas publicitárias quando um negro aparece ou ele esta lá no fundo ou aparece seu cabelo e em quanto são dezenas de brancos o negro é apenas um. E nos Reality sempre temos um negro que sempre é um dos primeiros a serem eliminados (e ainda colocam a culpa no "público", pois dizem que são eles que votam). 

Quero lhe dizer também que estou contigo nesta vigilância contra os abusos da mídia!!!

Abraços

Comentário de Rosivalda Barreto em 25 setembro 2013 às 0:22

A universidade não respondeu!

Comentário de marco antonio goulart lobo em 24 setembro 2013 às 19:33

Experiencias tem me dito que o alerta é a aproximação do branco quando tenta dizer que não é racista pois quando se aproximam é para fazer uma leitura de que forma eu posso derrubar este negro que enciste em ficar de pé a aproximação sutil com cheiro de covardia, hoje com os meios de comunicação tem amenizado um pouco por serem representados pela corja de políticos brancos ladrões pois com a mesma sutileza podemos  dar uma resposta lhes falando a que classe pertencem de uma coisa temos que ter a certeza devemos lutar pela igualdade constitucional e nos unirmos sem aguardar nenhum reconhecimento pois não necessitamos que gostem ou não gostem pois pouco ira interferir no que se refere a racismo falarmos do racismo é dar ibope para o inimigo o mais importante é mostrarmos a eles que ainda estamos aqui e que pertencemos a este mundo gostem ou não gostem,pois este mal tem varias vertentes como as veias de nosso corpo religiosa, cor da pele , manter o debate é extrema mente, uma certa vez em um curso onde estava se debatendo a questão educação e eu fiz uma pergunta a professora eu lhe perguntei se a formação formava cidadão ele pensou uns minutos e disse que sim eu lhe disse que caráter não tem nada haver com estudo pois se a sim foce o congresso não estaria cheio de ladrão portanto o racismo nada mais é que um limitador de oportunidades para uns e para outros as facilidades( brancos)  por não ter concorrente em todas as questões que envolvem a alta estima, esta sim é a forma mais sutil de se aplicar o racismo é preciso dar aos negros o mesmo que o governo da para os brancos terras mais negros nas repartições publicas o que tem sido feito é muito pouco o governo tem que ter coragem e fazer mudanças para que não servimos campanhas eleitoreiras nos colocando numa condição de ser menos para mim é tudo bla bla sem nenhum projeto que nos orgulhe,o que precisamos são negros nos comandos das delegacias para que possamos de fato poder fazer uma denuncia de racismo pois toda vez que chegamos a uma delegacia os atendentes falam que a denuncia não é para tanto e é por ai que as covardias aumentam  quando chegar as eleições devemos procurar embora poucos votar em negros e se não tiver anular o voto do contrario sera mais um branco a rir de nos, toda vez que chega auguem em minha casa para pedir voto eu logo lhe pergunto a algum negro no teu partido não e como  quer que vote em ti poi não tenho nenhuma referencia de que iras mudar algo para o meu povo sem jeito ele sai sem  dizer nada pois sabe que não ha o que falar, o racismo é como um penamento, ele o racismo é como o vento nos o sentimos embora não o enxergamos a lho nu, da mesma forma que o vento sutilmente  se faz presente da mesma forma o branco desde do mendigo branco a te o alto escalão para mim é tudo uma questão de oportunismo pois dez de sempre viveram disto embora hoje de uma forma sutil.           

Comentário de Humberto em 24 setembro 2013 às 13:48

Por outro lado, se o "preto" (usando a mesma expressão do articulador) também está usando mochila, arrisca-se a ter outra leitura: "O 'preto' deve agir como os brancos pois isto seria o ideal anulando assim a sua 'individualidade'".

Poxa pessoal, a personagem "presta" da campanha está numa POSE HOMOGENEIZADA pela mídia e extraída do comportamento do negro norte-americano por considerável parcela da população negra (bonezinho virado, pose de "atitude", etc). Não está perceptível isto? Somente está reproduzido o que o pessoal "consome" e "assimila"!

Comentário de Valdir Campos Estrela em 24 setembro 2013 às 12:44

E o mais tragicômico de toda essa "estória" é que os prepostos dessa "universidade" paranaense ainda "atestam" que nós negros temos potencial para alcançar o êxito na nossa vida pessoal e profissional desde que aprendamos com "eles" o caminho para isso. Que pluralidade da zorra, essa!.

Comentário de Andre Pessego em 24 setembro 2013 às 12:16

. O negro brasileiro ainda não  tem, por seu, um pensamento explicitado. Embora o Brasil deva ao negro a sua  

  universidade,   precisamente ao negro do Haiti, ela age no sentido de extrair do futuro bacharel toda identidade  com o interesse do negro. E em sendo o formando negro,  tirar dele, enquanto negro, todo e  qualquer sentimento ou identidade de negro

. Este é o começo da discriminação, porque o racismo vá lá, o crime, o mal é discriminar, empurrar para baixo, para a vala. A discriminação não começa na universidade, começa na POSSE DA TERRA. A posse da Terra que ninguém fala. Nem mesmo o intelectual negro, toca neste assunto. Acordo com as Forças Armadas. O intelectual negro, ou político negro que tocar neste assunto  será empurrado ladeira abaixo.

Não tocou Alceu Colares, não tocou Albuíno Azeredo, não tocou Abdias Nascimento e não toca Paulo Paim, e não tocou Pelé. Por acordo com as Forças Armadas. Em toda a História da América somente quatro pessoas tocaram: O Rei de Portugal, O Sen. Visconde de Jequitinhonha, 17/05/1865; o Dep. Tavares bastos, 26/06/1866; o grande MalcolmX nos EUA final da década de 1950, ...  Ele sim, o verdadeiro pai dos direitos civis na América do Norte, e por acordo foi transferido ao então Presidente Kenedy.

Ficarmos filosofando, carreando prestígio de auto-estima e nada, vale o nada. Tudo isto só vai acabar com a INDENIZAÇÃO DO NEGRO BRASILEIRO. Não tem outra receita. da educação: Na sociedade capitalista, tudo é balizado pelos meios de produção.  Sem eles, não há integração social. Sobre a educação nos advertem Engels e Marx: “A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados” (13). 

Eu estou dizendo que o negro não pode ter terra no Brasil, como não teve na África do Sul, mesmo que ganhe na loteria, haja vistas o "destino" que deram ao filho do Pelé.... e sem isto.........

Comentário de Tereza Oliveira em 24 setembro 2013 às 11:30

Muito apropriado seu texto. Tive a oportunidade de lecionar pesquisa no curso de propaganda e orientar pesquisa que discutia, entre outras coisas, mídia e racismo. A propaganda em questão escancara de forma grosseira as imagens cunhadas socialmente sobre as identidades sociais (a quais se inclui raça/etnia, classe etc). Tenta manipular a opinião do consumidor através da palavra mágica "PLURAL ". Sim, você tem razão. A propaganda agencia valores hipócritas e os reproduzem  como mecanismo para assegurar as localizações sociais determinadas pela classe dominante. Parabéns pelo texto! Tereza

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