Lançamento, em Porto Alegre (RS), do livro " O Príncipe Negro"

    

       Recentemente, em novembro de 2015,  mês da “Semana da Consciência Negra”, foi lançado a 2ª edição do livro “O Príncipe Negro” do jornalista e escritor Roberto Rossi Jung. Trata-se de um excelente trabalho de pesquisa ,no qual o autor procurou elucidar muitos mistérios a partir das parcas fontes documentais, respeitando, sempre, o imaginário que se construiu, por meio da oralidade, ao longo dos anos. “O Príncipe Negro” teve a sua 1ª edição esgotada, assim como outros livros desse veterano e experiente jornalista.

      Em 2007, há 08 anos, o jornalista e escritor Roberto Rossi Jung me convidou para prefaciar seu livro sobre a vida do príncipe negro Custódio Joaquim de Almeida (1831?-1935). Aceitei, como um presente, diante da curiosidade, por mim nutrida, acerca da enigmática vida desse personagem.

    O início desta trajetória nos remete à “Mãe África”. Com o domínio dos ingleses, na região de Benin, antigo Reino de Daomé, ele foi obrigado a deixar a sua terra natal. A princípio, o príncipe negro teria embarcado no Porto de Ajudá, em Benin, no ano de 1862 ou 1864, e chegado à Bahia, no Brasil, em 1864, ou, segundo outros autores, em 1898. Logo depois, teria seguido para o Rio de Janeiro, onde permaneceu em torno de dois meses. É provável que a opção do príncipe, naquele momento, pelo Brasil, pode ter ocorrido devido à presença da etnia negra, em nosso país, na condição de escravos oriundos da Costa da Mina: os “pretos-mina”.

   Após consultar o jogo de Ifá (búzios), os orixás determinaram que ele seguisse para o sul do Brasil, para que se cumprisse seu Odu (destino) e assim foi feito…O príncipe chegou à cidade portuária de Rio Grande (RS), de acordo com algumas fontes, em 1899, permanecendo pouco tempo nessa cidade.. Em 1900, mudou-separa Pelotas e, após um período,transferiu-se para Bagé. Neste ínterim, o príncipe ganhou notoriedade, como curandeiro, por onde havia passado. Finalmente, em 1901, o príncipe negro chegou a Porto Alegre, que totalizava 73.274 habitantes, iniciando uma nova fase de sua vida, onde viveu os 34 anos restantes de sua existência. 

   Convivendo com importantes políticos gaúchos da elite local, a exemplo de Julio Prates de Castilhos (1860-1903) e Borges de Medeiros (1863-1961), o príncipe despertava em seus irmãos de etnia, que se encontravam relegados à pobreza e à invisibilidade social, após a abolição, surpresa e admiração pela sua figura nobre e exuberante. Essa obra não pode faltar na estante de quem aprecia uma leitura instigante e pontuada de ricas informações históricas. Nesse livro, o autor contextualiza a Porto Alegre do início do século 20 e as transformações socioeconômicas após a Abolição. O príncipe faleceu aos 104 anos, em 1935, sendo sepultado no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, conforme foi registrado no atestado de óbito. Sua vida é uma sucessão de curiosidades e fatos inusitados que despertam o interesse de pesquisadores, historiadores e antropólogos há muitos anos.  

       

Onde encontrar:

À venda na Banca do Jùlio - Mercado Municipal de Porto Alegre; Martins Livreiro Ltda. Riachuelo 1291 P. Alegre ou diretamente com o autor. Contato: E-mail : robertojung@gmail.com

Foto da capa : Carmelina Donato Castro.  Prefácio: Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite      Editora: Erre Jota

 

Pesquisador, escritor e coordenador do Setor de Imprensa do Musecom *

 

 

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