Lutando contra a AIDS na Africa do Sul.

E de conhecimento geral que a Africa do Sul e o pais mais rico e tambem o mais democratico do continente. Entretanto, durante decadas, por razoes culturais, religiosas e diferencas tribais, o pais negou-se a reconhecer a epidemia da AIDS que se alastrava pelo pais como fogo num paiol de polvora. Hoje em dia, segundo informacoes da ONU, a Africa do Sul tem uma populacao de aproximadamente 5 milhoes de cidadaos infectados com HIV, o virus transmissor da AIDS.
Parece que finalmente esta atitude preconceituosa em relacao a epidemia esta mudando. Se durante a presidencia do senhor Thabo Mbeki havia uma enorme resistencia em mudar os habitos sexuais dos sul africanos, esta maneira de pensar esta mudando rapidamente na presidencia do senhor Jacob Zulma. Tentando reverter este horrivel quadro, o atual governo esta gastando milhoes de dolares aparelhando centenas de clinicas publicas com medicamentos antivirais para serem administrados a populacao.
O senhor Zulma que admitiu recentemente ter tido relacoes sexuais sem o uso de preservativos com uma mulher mais jovem, inaugurou uma campanha onde a meta e examinar 15 milhoes de pessoas ate o ano 2011. Num discurso feito no leito de um hospital em Johanesburgo sob os holofotes da televisao, o presidente revelou sobre seu quarto teste com resultado negativo, afirmando que decidiu falar publicamente sobre eles "para erradicar de uma vez por todas o silencio e estigma que acompanha esta epidemia."
Para um melhor e mais amplo atendimento a populacao, centenas de enfermeiras foram treinadas. Dessa maneira, as mais de 4000 clinicas publicas estarao equipadas para receitarem os remedios. Uma medida altamente importante segundo o ministro da Saude, o senhor Aaron Motsoaledi, para combater "este terrivel monstro entre nos" num pais com carencia de doutores.
Segundo o diretor executivo da "UNaids", a agencia encarregada de monitorar a doenca ao redor do mundo, o senhor Michel Sidibe, as medidas tomadas pela Africa do Sul oferecem esperanca ao continente. " E a primeira vez que um pais age de maneira rapida e numa escala tao grande para atender tanta gente." No meu vilarejo, quando queremos matar uma cobra, nao acertamos o rabo, mas sim a cabeca," disse o senhor Sidibe, que e de Mali. "A cabeca desta epidemia e a Africa do Sul."
A falta de de pessoas qualificadas nos hospitais da Africa do Sul, e o alto custo em tratar os milhoes de cidadaos para o resto de suas vidas, sera com certeza um enorme desafio para a ambiciosa meta governamental de reduzir dratiscamente o numero de cidadaos infectados com o virus HIV. Um estudo recente informou que 1500 sul africanos sao infectados diariamente no pais. Os EUA ha anos tem sido o principal doador monetario na luta contra a AIDS. Somente este ano, o pais doou mais de US$600 milhoes. "Eu nunca vi tanta agitacao assim em volta do HIV, como nos ultimos meses," disse Mark Heywood, diretor do "AIDS Law Project"(Projeto de Lei da AIDS), baseado em Johanesburgo. Pesquisadores da famosa universidade de Harvard estimaram que aproximadamente 365 mil mortes prematuras causadas pela falta de esclarecimentos poderiam ter sido evitadas.
Silindelokuhle Biyela, uma viuva que trabalha como enfermeira num vilarejo na colinas na regiao de KwaZulu Natal, esta peitando de frente esta nova empreitada. Ela acabou de completar seu treinamento que a qualifica a receitar medicamentos para a AIDS. Seus pacientes nao terao mais que viajar 60 quilometros para buscarem remedios numa viagem que custa US$8.00 ida e volta. Quantia que muitos sul-africanos nao tem condicoes de gastar. "A nacao esta morrendo", disse a senhora Biyela. "As pessoas estao morrendo. Porem, vamos tentar ajuda-las."
No momento, por causa de um acordo feito com a Fundacao Clinton(criada pelo ex presidente dos EUA), varios paises africanos pagam mais baratos por seus remedios para o tratamento da AIDS. Por ter ficado fora deste acordo, os remedios na Africa do Sul sao mais caros. "Temos que conseguir os remedios a precos mais baratos, ja que somos os maiores consumidores no continente," disse o senhor Mtsoaledi no Parlamento este ano.
O governo tambem esta tentando combater o surgimento de novos casos. Tres anos depois que a OMS(Organizacao Munidal de Saude) recomendou a circuncisao como uma maneira de reduzir os riscos de contrair HIV pela metade, a regiao com o maior indice de contaminacao, Kwazulu Natal, comecou um movimento este mes para circuncisar 2.5 milhoes de homens. O presidente Zulma disse que a cirurgia sera oferecida em todo o pais ate o comeco do proximo ano.
"Se voce quiser realmente controlar esta epidemia, e tambem reduzir o numero de casos, este e o metodo mais apropriado, juntamente com a reducao do numero de parceiros sexuais," disse o epidemiologista da universidade Harvard, o senhor Daniel Halperin. O doutor Motsoaledi, que tornou-se ministro da Saude em Maio do ano passado, disse que pretende fazer ele mesmo este tipo de operacao em pelo menos mil pacientes.
Centenas de jovens usando jeans e agasalhos responderam ao chamado de Goodwill Zwelithini, o r ei dos zulus, e se enfileiraram numa clinica e num hospital na cidade de Nongoma para serem circuncisados. Preocupado com os altos indices de casos de HIV, o rei disse que a tradicao de circuncisao deveria ser revista. Ela morreu no seculo XIX durante o reinado do rei Shaka que suspendeu o costume para evitar que os jovens guerreiros ficassem fora do posto militar ate eles se recuperarem da circuncisao, que por muitas vezes fcavam infeccionados, disse o conferencista da universidade de Kwazulu Natal, o senhor Nelson Ntshangase.
Membros da propria familia do rei estavam sendo circuncisados este mes, incluindo ate Sachile Zulu de 18 anos, um jovem delgado e alto, estudante secundario que falou para mais de 100 jovens na escola que frequenta sobre a circuncisao. "O rei notou que muitos homens estao morrendo," disse o jovem zulu. "Ele disse que o costume da circuncisao deveria voltar a salvar o povo."

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