Makota Valdina: “Quero perder o medo e o ódio que tenho da polícia”, por Rafael Albuquerque

Durante o lançamento do programa Pacto pela Vida, do governo da Bahia, realizada na manhã desta segunda-feira (6), no salão Iemanjá do Centro de Convenções, diversas autoridades e representantes da sociedade civil discursaram. Mas foi a fala da Makota Valdina Pinto, referência para as comunidades negras de Salvador, o pronunciamento mais enfático e que conquistou a atenção dos presentes.

 

Em seu discurso, Valdina afirmou que a sociedade tem que participar desse pacto, mas deixou todos boquiabertos ao afirmar: “Com esse pacto eu quero perder o medo e o ódio que eu tenho da polícia”. Ela afirmou que não adianta só comprar novos equipamentos: “Para um pacto como esse, tem que fazer uma reforma nessa polícia”. Nesse momento, o governador Wagner, o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, e o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, já estavam com cara de paisagem. E o pior: não faziam idéia do que estava por vir.

 


Valdina aproveitou a presença do secretário de Educação do estado, Oswaldo Barreto, para criticar o “racismo institucional na Secretaria de Educação”. Além disso, chamou atenção dos prefeitos baianos ao afirmar que eles devem tomar cuidado, pois “ainda há muito coronelismo e carlismo pelo interior”. Neste momento, foi bastante aplaudida pelo público. Ao finalizar seu discurso – que para o governador deve ter durado uma eternidade, Valdina avisou: “Nós vamos cobrar o dever de casa”.

 

Inspirado em experiências das cidades de Bogotá e Medelin, ambas na Colômbia, que busca combater criminalidade, também absorveu os resultados positivos dos estados do Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, onde vem sendo desenvolvido.

 

De acordo com o governo, a nova política de segurança pública é integrada e pactuada com a sociedade, que será  desenvolvido em sintonia permanente com o Judiciário, o Ministério Público, a Assembleia Legislativa, os municípios e a União, concentrando esforços dos diversos órgãos das administrações estadual e municipal, em interação com a sociedade civil, tendo como objetivo principal reduzir os índices de violência, com ênfase na diminuição dos crimes contra a vida.

 

 

Rafael Albuquerque, jornalista formado pela Faculdade da Cidade. Atuou como repórter em diversas editorias do site Bahia Notícias, além de ter passado pelo setor de rádio da Agecom e pela assessoria da Receita Federal do Brasil. Atuou como repórter freelancer para o Jornal da Metrópole e rádio Tudo FM. Além de escrever para o Bocão News, é produtor e comentarista do programa Se Liga Bocão, da rádio Itapoan FM.

 

Fonte: Bocão News

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Comentário de CarlinhoS MovimentO em 23 setembro 2012 às 10:34

Concordo em genero e grau, pois ainda impera o "Coronelismo e o Carlismo". As pessoas de classe menos abastarda estão sempre discriminadas. Posso me colocar como exemplo em um epísodio que aconteceu nas imediações do bairro do imbuí. Quando em uma blitz que estava sendo realizada pela polícia militar, que tinha como representante e preposto da lei, um oficial do sexo feminino, que agiu com truculência a abuso de autoridade. Fato que descrevo: Vinha eu e minha noiva trafegando em uma das vias alternativas do imbuí, quando fui obridago a parar, e ser abordado, mesmo a blitz acontecendo do outro lado da via, fato que compreendi, pois a polícia tem que se proteger de todas as formas possíveis. Mas o fato que me deixou indignado não foi esse. E sim, o fato do oficial me pedir que eu empurrasse minha motorcicleta para onde estava acontecendo a blitz. Pois havia uma outra pessoa com uma motorcicleta que era branco e com um modelo  bem maior que a minha e se negou a empurrar a motorcicleta  conforme o oficial tinha me pedido para fazer. Então eu conhecendo meus direitos de cidadão disse para ela que a lei da isonomia diz que todos devem ser tratados de igual modo. E isso a deixou irritada a ponto de me tratar de forma grosseira, e hostil. Mas graças a "DEUS" , no final eu fui embora com "VIDA". ... 

Comentário de Eduardo César QUISSOCA em 3 julho 2011 às 19:06

Nas Américas, e particularmente no Brasil, e sob o pretexto da luta contra a delinquência
juvenil e o narcotráfico, a brutalidade policial gratuita sempre tinha
beneficiado de uma impunidade sufocante. Esta brutalidade levou a uma agressão
selvagem dos Negros, e podemos ver que esta agressão foca-se sobretudo sobre
a  pigmentação epidérmica. Quanto esta
pigmentação se aproxima do ébano, mais o Negro tem a infelicidade de morrer
deliberadamente baleado por um policial branco. 
A policia brasileira é uma corporação de bandidos, maioritariamente
racistas, miseravelmente pagos, corruptos e ignorantes, adeptos e afiliados com
as teorias nazistas da extrema direita.

Deve ser erradicado a qualquer custo este fenómeno mórbido que dá licença para matar,
que dá o direito de humilhar os negros.

Sem uma vontade política clara, esses assassinos de nossos filhos continuarão fazendo a vontade
seu trabalho sujo.

O nosso papel é de educar os nossos filhos, dizendo-lhes claramente que os negros são as presas
potenciais desses seres infernais.

Comentário de Eduardo César QUISSOCA em 3 julho 2011 às 19:06

Nas Américas, e particularmente no Brasil, e sob o pretexto da luta contra a delinquência
juvenil e o narcotráfico, a brutalidade policial gratuita sempre tinha
beneficiado de uma impunidade sufocante. Esta brutalidade levou a uma agressão
selvagem dos Negros, e podemos ver que esta agressão foca-se sobretudo sobre
a  pigmentação epidérmica. Quanto esta
pigmentação se aproxima do ébano, mais o Negro tem a infelicidade de morrer
deliberadamente baleado por um policial branco. 
A policia brasileira é uma corporação de bandidos, maioritariamente
racistas, miseravelmente pagos, corruptos e ignorantes, adeptos e afiliados com
as teorias nazistas da extrema direita.

Deve ser erradicado a qualquer custo este fenómeno mórbido que dá licença para matar,
que dá o direito de humilhar os negros.

Sem uma vontade política clara, esses assassinos de nossos filhos continuarão fazendo a vontade
seu trabalho sujo.

O nosso papel é de educar os nossos filhos, dizendo-lhes claramente que os negros são as presas
potenciais desses seres infernais.

Comentário de PATRICIA PINHEIRO em 9 junho 2011 às 12:32
EU ESTOU MUITO SURPRESA COM ESTA NOTÍCIA!! NÃO TINHA NOÇÃO DE QUE ISSO HAVIA ACONTECIDO, PORÉM ACREDITO TER SIDO NECESSÁRIO, PARA ALERTAR QUANTO A NECESSIDADE DE SE APROXIMAR A POLICIA DO POVO , POIS ESTES COMENTÁRIOS DEMONSTRAM O QUANTO TODOS OS SEGUIMENTOS DA SOCIEDADE, HOJE, ANDAM MUITO ATENTOS QUANTO AO ASSUNTO: SEGURANÇA PÚBLICA!!!
TENHO VERDADEIRA ADIMIRAÇÃO POR MAKOTA VALDINA.!! AXÉ!!!

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