"Manda essa negra macumbeira sair da sala" Preconceito e intolerância religiosa em unidade hospitalar

Um acontecimento na última semana chocou a comunidade do candomblé de Salvador. A ialorixá Therezinha da Silva, 65 anos, estava no Hospital Roberto Santos, onde procurava pelo médico de prenome Raimundo, quando diz ter sido destratada pela coordenadora da emergência da unidade, chamada Carol.

“Fui totalmente maltratada por essa mulher”, contou a líder religiosa, visivelmente abalada, ao Bahia Notícias. Segundo dona Therezinha, após perguntar por Raimundo, Carol teria relatado a ausência do profissional e pedido que ela se retirasse da sala. Do lado de fora, contudo, a ialorixá ouviu a suposta frase que gerou o problema.

“Manda essa negra macumbeira sair da sala, já conheço ela aqui do hospital”, acusou.

Consternada com a situação, a idosa se dirigiu à ouvidoria da unidade e teve como resposta que “a pessoa [Carol] estava nervosa e que quando eu precisasse falar com o médico, não fosse ao hospital”.

A equipe do Roberto Santos foi procurada pela equipe do Bahia Notícias, porém não quis se pronunciar. “Publique. Depois a gente responde”, disse a assessora Bernadete Farias, aos gritos.

Fonte: Bahia Notícias

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Comentário de Alex Alves Bastos em 29 julho 2013 às 13:32

Recomendo a leitura do Educação nos Terreiros, da professora Stela Guedes Caputo ( http://www.pallaseditora.com.br/produto/Educacao_nos_terreiros/230/). É preciso combater "a árvore do esquecimento" na escola, no hospital, na igreja, no centro, no bairro, no bar, na cozinha, na van e em todos os lugares. A luta é constante, necessária e preciosa.

Comentário de Rafaela Vipper em 28 julho 2013 às 20:22

Eita! Mais uma prova de como existem pessoas ignorantes e desprovidas de conhecimento que não hesitam nem um pouco em manifestar os seus preconceitos! Na maioria dos relatos de acontecimentos de pessoas que foram discriminadas, pelo que percebi, as vítimas não reagem, parece que elas preferem ouvir caladas. Pelo amor de Deus! Tá na hora de reagir! Que tal adquirirmos argumentos para cuspir na cara destas pessoas que se julgam superiores culturalmente, hã? Ou será que é mais válido ficarmos calados e deixar para a justiça resolver? Sem falar que ainda corremos o risco de ver a causa sendo resolvida por alguém que também é portadora do mesmo tipo de preconceito do agressor! Será que nestas horas o silêncio e realmente a melhor opção?

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