Oh arfantes
Formas delirantes
Dos brutos homens...

Dos abjetos segredos,
Dos crimes hediondos,
Dos filhos dos cativeiros...

Não te estorvam os gritos,
Os soluços, os gemidos,
Dos pretos, famintos, retintos?

Articulais de chofre, sorrateiros,
A senzala, o tronco, os celeiros,
A segregação, os navios negreiros...

Planejais a hedionda morte
Dos escravos da má sorte,
Que foram contados como rês...

Ouvem-se troças, azorragues,
Veladas, perigosas vozes
Das intemeratas almas ignóbeis...

Alhures, articulais torpezas,
No tugúrio das profundezas
Das vossas faculdades infernais...

Encenais com maestria,
Em plena luz do dia,
A pecha de fidalguia...

Inocentes caçados como animais...
Incólume - Senhora Civilização - as justificais,
As corruptelas nas quais vos locupletais...

Marcados com brasa, chicote e ferro
Indignos de um digno humano enterro
Até hoje são produtos do humilhante desterro

Vãs as vossas perfídias...
Para trás com vossas insígnias...
Provais vós mesmos das vossas ignomínias!

Cris Sozza

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