Mensagem do “MC Emicida” sobre o Programa racista Zorra Total da TV Globo

O rapper Emicida divulgou no último sábado, 29.09, um post no Facebook comentando o quadro Adelaide do programa Zorra Total. Confira:

Voltei do jantar agora a noite e a van, dessas moderninhas que tem televisão e tudo mais, estava transmitindo Zorra Total, Já havia visto uma vez alguma manifestação, talvez através do Geledés que aquele personagem que estereotipa a mulher negra suburbana era extremamente racista e contribuia fortemente com a desvalorização (maior ainda?!?!?) da mulher preta em nossa sociedade (e olha que é dificil conseguir desvalorizar mais ainda a mulher negra em nossa sociedade).

Elas recebem menos, tem suas caracteristicas fisicas criminalizadas por uma ditadura eurocêntrica de beleza (isso se aplica aos homens pretos também), são abandonadas, representam uma porcentagem monstruosa das adolescentes grávidas e das mães solteiras, das que não conseguem um (bom) emprego e quando conseguem retornam cansadas ao sábado a noite para suas humildes casas para ser alvo de um quadro extremamente racista onde são humilhadas por um programa de humor (que nem engraçado pra começar, Zorra total é ruim pra cara**) no maior canal de televisão do País.


Estamos em um momento delicadissimo na história do Brasil, discute-se sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato, cria-se um plano de prevenção a violência contra a juventude negra, porém um ataque contra a etnia que mais trabalhou por este país passa despercebido desta forma, como uma piada, o mesmo tipo de piada que foi hospederia durante todos estes séculos da doença que é o Racismo (e só o dono da dor sabe o quanto dói ), em um Brasil que tornou crime o racismo (vitória!) mas conseguiu humilhar cada um dos que um dia tentaram denunciar algum caso de discriminação racial (derrota!) tornando sua própria lei, uma irônica punhalada que faz o sangue preto rico em sofrimento continuar correndo invisível por nossas ruas.

Deixo aqui meu desprezo a este “humorista” que aproveita-se da triste situação em que esta sociedade doente colocou nossas mães/irmãs/esposas/amigas. E maior ainda é minha tristeza com nossos irmãos Pretos/Brancos/Indios que não conseguem identificar tamanha violência racial adentrando suas casas.

Muita Força as Mulheres Pretas, as nossas lindas Mulheres pretas!
Jamais se esqueçam de onde vem os diamantes Mulheres pretas!

A rua é nóiz

Emicida

Confira o post original aqui

Com informações do: PPR Berlim, Ras Adauto

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Comentário de Inaiá Boa Morte Santos em 10 outubro 2012 às 14:29

Valeu Emicida

Comentário de maria olina souza em 2 outubro 2012 às 19:26

Isto é racismo sim Sra Marcia, "Fala Sério" é uma expressão bem apropriada para cooptar, para não fazer pensar, "fala sério" não quer dizer nada, mas " pense sério" significa "reflexão" que tal?

Comentário de Adelson Silva de Brito em 2 outubro 2012 às 16:05

Essa pessoa que  assina como "márcia barros",assinala uma postura muito além do seu comentário lacônico, caracterizado por um emblemático "fala sério". Essa pessoa não sabe, ou finge não saber o quanto suas poucas palavras revelam de um comportamento brasileiro clichê, sempre, invariavelmente reproduzido todas as vezes em que o racismo brasileiro é colocado em cheque: A atitude cínica, imoral e perversa do tapinha nas costas traduzido em palavras pelo chavão "ô, pretinho,...qual é....? você levou a mal uma brincadeirinha dessas...?...

Venho aqui e agora plagiar o Excelentíssimo Senhor Ministro Joaquim Barbosa, do Superior Tribunal Federal: "....não podemos fazer vista grossa.."

E, para seu governo tudo que venha por essa via de coisas é racismo.

Comentário de francisco carlos de santana em 2 outubro 2012 às 15:17

Ufa!!!!!

Parabens Emicida

Disse tudo

Comentário de marcia barros em 2 outubro 2012 às 14:38

Ah fala sério! Agora tudo é racismo!!! Birncadeira!!!!

Comentário de Instituto Mídia Étnica em 1 outubro 2012 às 22:43

A FOLHA também repercutiu a nota do Emicida 

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1162349-rapper-emicida-prote...

Comentário de KELLY MENESES FERNANDES em 1 outubro 2012 às 18:18

Bom o comentário!! Que humor é esse que se acha no direito de ridicularizar nós mulheres negras?? Que humor é esse que inferioriza nossos narizes largos, cabelos crespos? E assim, a Globo vai tornando natural a imagem da mulher negra: com cabelo feio, ruim; nariz achatado e feio; sem higiene (sem dentes); que fala errado. E as pessoas ainda acham que isso é humor e que o direito de darem risada e se divertir no sábado à noite está acima dos valores transmitidos pela televisão: "ah, não importa, eu quero é rir". Isso não é humor, é PROGRAMA DE DEPRECIAÇÃO. E não venham me dizer que é questão de preconceito, é RACISMO. Como mulher negra, sinto-me ofendida. Salve às verdadeiras Adelaides: lindas com seus cabelos crespos, narizes largos e lábios grossos e que com toda força tentam sobreviver em um país desigual, racista e machista.

Comentário de Gizelda Alves em 1 outubro 2012 às 17:19

Repudio absolutamente o personagem e o programa aqui em debate. Não divulgo o nome dos mesmos propositadamente. É violento e totalmente desfavorável à atual política de reparação que hora se inicia no país, assim como não condiz com qualquer referência da mulher negra brasileira. O arcaico estereótipo da "nega-maluca" especialmente na atual conjuntura, pode ser identificado como um desastre, um retrocesso de uma mídia que  empobrecida ao longo de sua história, não consegue acompanhar o processo de desenvolvimento étnico-político da sociedade brasileira. A grande tragédia é saber que este programa ficará em nossa memória cultural. Portanto, não trata-se apenas da urgência de uma intervenção jurídica, mas de um debate bem mais amplo, no sentido de impedir outros equívocos em nome do humor. Este é amargo e claramente mau intencionado.

Comentário de Adelson Silva de Brito em 1 outubro 2012 às 14:41

A cada sábado que passa e que sinto a condução de uma aberração anacrônica perversa rerepsentada pela alusão aviltante à mulher negra,travestido em forma de "programa de humor, me convenço mais de que a postura que venho assumindo na minha vida adulta de denúncia do racismo institucional característico da sociedade brasileira, é fruto do meu exercício saudável de cidadania como negro e brasileiro.

Aproveito para sinalizar a minha preocupção como o fato deo evento social agora frequente da visao de casais jovens formados por rapazes negros e moças de pele clara. Queira Olorun, Zambi, Mawu, Tupã, que esses "casais" sejam frutos espontanêos da atração juvenil entre pessoas jovens em prenuncios amorosos, não a encarnação do recrudescimento das políticas veladas de embranquecimento da população brasileira.É que na minha juventude, (hoje tenho 58 anos), quando entrei na Universidade lá pelos meus 20 anos, escutei de muitas pessoas, inlcusive da minha família(sim, negros) que eu deveria "limpar a família", procurando uma " moça de qualidade", e, se, desse sorte, ela tería uma "barriga limpa", e meus filhos sairiam," mais clarinhos".Esses comentários só enfrqeuceram quando comecei a "esfregar na carra deles" as "negonas", e a pregar sobre Frderick Douglass, Mlacolm X, e Martin Luther King,e Abdias do Nscimento. E agora, esses irresponsáveis comandados por racistas empedernidos me vem com uma personagem como aquela agressão ao povo de cor? Tenham vergonha. Justiça neles.

Comentário de maria olina souza em 1 outubro 2012 às 12:18

Leio com alegria as palavras deste jovem incrível e lembro com preocupação das risadas de alguns negros/as sobre as personagens, deste ator/atriz também negras,  que transformam orientação sexual e etnia em (des)graça!

Tamanha lucidez do Emicida que conhece o cotidiano das negras/os que permanecem rebaixadas socialmente pela estrutura e conjuntura que rebatizam a ideologia racista em canais e espaços propícios e estratégicos  a sua reprodução. Ainda bem que existe Emicida, pois esta ideologia nos prega peças, nos envolve e ilude a ponto de não nos reconhecermos neste espelho refletor da nossa imagem que "eles" acham feia!

É preciso que falemos disto! Que expliquemos para cada pessoa do nosso convívio o que é realmente engraçado, etimologicamente significa pleno de graças(coisas boas).

É preciso tbm explicar( porque a ideologia nos cega), que racismo mata mais do que armas. Explicar milhões de vezes, quantas vezes forem necessárias para igualar e superar as tantas milhões de vezes que recebemos informações e associações negativas sobre a nossa etnia .

Por fim, mesmo que embaraçoso, explicar com calma e perseverança para negros/as que rir de estereótipos racistas é rir-se diante de um "espelho mágico" que nos transforma no que não somos, ou seja : no outro que ri de nós.

Translation:

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